sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O Sumo da Súmula



Quero roubar todo o ar que respiras. Torná-lo refém até despir todas as Tuas emoções, como tantas outras roupas que tombam pelo chão… envergonhadas, gastas e escusadas. Quero ver-Te sob os Teus alicerces, dissecar-Te para além das inseguranças e neuroses. Quero saber qual a cor que o desespero adquire em Ti.

Esta não será a descrição do Teu real desejo? O tal que cortejas… o tal pelo qual pestanejas… e que Te cobre pelas noites, quando esses dedos se ocultam entre as Tuas coxas na tentativa de germinar algo? Pois então, desmoronemos o teatro. Dispensemos a audiência. Expulsemos a orquestra. Desmantelemos o palco até restarmos apenas os dois e o chão de madeira como companhia. Quero ouvir-Te suplicar… sem gemidos ou suspiros entrecortados. Escutemos a Verdade! Dizes querer provar o néctar do medo, mas não creio que saibas realmente ao que aspiras. Escorre vontade na Tua dicção, como se cogitasses um arroubo de magia assente em entretenimento. Dizes querer ser subjugada… prostrada à minha mercê… mas não creio que tenhas consciência do impacto da realidade sobre a Tua fantasia.

Quero Metamorfose. Manifestada através Ti. Quero que saias diferente da forma com que Te apresentaste à chegada. Quero que leves algo conTigo. Quero que aprendas e apreendas… mas ainda não delineei o que desejo ensinar e entregar. Tu vês as ondas, mas eu atento naquilo que as forma… nas ideias que compõem uma na outra até se tornarem suficientemente densas para me engolires por inteiro… para Te revirar de dentro para fora… epitomando-Te a uma poça molhada no chão.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Raio X



Raramente me sinto tão desarmado como nos momentos em que Te despes. Cada peça resvala das linhas do Teu corpo com a urgência de uma avalanche… e limito-me a olhar. Não se trata propriamente de impotência, mas de êxtase. Perlongo em assimilação e a minha mente formula numa janela de tempo que não me enquadra além da função de recetáculo. Olho, observo, disseco, contemplo. Sem ação!

Por muito paradoxal que possa soar, dominar não se resume a empossar. Isso seria apenas o brinquedo fastidioso de um ditador frívolo. Dominar é controlar a fluidez do Poder, direcioná-lo, permitir que respire como um bom vinho. É encarnar Tifão, estacado no centro de uma tempestade a controlar os relâmpagos. E sorrir! Sorrir ensandecido quando vislumbro a forma como essa pele absorve a luz. Pois apesar de me encontrar atado, reivindicarei cada parcela do Poder que repousa nessas mãos, quando sentires o peso invocatório da rendição, sob o jugo da dissimulada inação.

Everybody's Got a Thing


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Terceira Lei de Newton



Havia sempre algo de insólito quando aquele arrepio elícito percorria a Tua espinha no instante em que os meus lábios tocavam nos Teus mamilos. Parecia que acendias e ascendias… provinda do meu antro, para Te posicionares num pedestal, enquanto orava pelas Tuas graças. Esta não era a ordem natural das coisas, nem a ordem natural da Tua consecução de prazer. A altura provocava-Te vertigens. Talvez tudo não passasse de um instinto biológico, da manifestação de um sonho molhado de Freud pelo frémito da comunicação entre nervos e cérebro. Uma faísca maternal, o sentimento de proteção e amor mesclado com excitação e luxúria. Parecia que a mente rodopiava em território temático forasteiro, que o discernimento se encontrava enevoado… mas o clima entre as Tuas coxas traduzia-se em orvalho.

Essa reação era a razão pela qual venerava serpentear nessa protuberância sensível. Pela qual me reclinava no sofá e bastava arquear uma sobrancelha para assimilares os meus intentos. Hesitavas apenas para tomar fôlego, despedias-Te do solo e presenteavas-Te de peito feito. Mamilo convertia-se em boca. Metamorfose que nunca Te apanhava desprevenida, pois era uma clara tradução corporal dos motivos pelos quais suplicavas e Te rendias. As perversões transformavam um riacho sereno de pensamento numa torrente de devassidão, onde soçobravam todas as palavras que proferia com a ajuda de uma língua liberal, até Te sentir melada numa cadência silábica.

Sem Meias Medidas