sábado, 23 de março de 2013

Prova



Pertenço-lhe.
Sob todas as formas.
Pode espancar-me, arranhar-me, desconjurar-me, trincar-me, violar-me, foder-me, fazer-me gritar, fazer-me carpir em êxtase ou dor. Depois abraçar-me, beijar-me, envolver-me e consagrar-me fazendo Amor comigo.

Mas primeiro, preciso disto. De lhe respirar… de lhe cheirar… de lhe suspirar… de lhe soprar… de lhe sorver… de lhe transpirar… de lhe destilar. Preciso da sua aprovação reverberada pela minha pele… preciso que ela escorra pelo interior das suas coxas divinas o tal “Sim”.

Quero prová-la… e provar que a mereço.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sexo de Perdição




Muitos perdem tempo com uma questão de resposta óbvia:
- Será possível provocar um orgasmo apenas com um beijo?
O mundo seria um lugar bem mais idílico se consumissem os lábios a tentar alcançar a resposta.









Sinto a falta dos Teus dentes nos meus lábios…

quinta-feira, 21 de março de 2013

Expiação



Ela soube imediatamente que se encontrava em apuros desde o primeiro momento em que se aproximou dEle. Ele emanava controlo e poder predatório. Desorientava-a. Violava-lhe o critério, o discernimento, a sensatez. Mas Ela era teimosa, obstinada e convenceu-se que poderia subjugá-lo no seu próprio jogo.
Errada. Não poderia estar mais errada… e agora iria sofrer as gloriosas consequências do seu equívoco… do seu desafio.

«Mais!»… clamava Ela, com as entranhas contorcidas à sua mercê. Contudo, Ele porfiava no ritmo resolutamente lento das suas estocadas. Ela havia de decorá-lo com os seus lábios sulistas e melosos… centímetro a centímetro… veia a veia. Ele sorvia todo o prazer da sua tortura. Firmava o seu cabelo e puxava-o… num ferrão que arpoava o incontornável hedonismo.

Ele era um sacana por não deixá-la atingir o orgasmo. Seria? Ela sabia que o havia atiçado. Ela merecia penitência. Apenas não julgava que Ele iria retaliar com tamanha veemência.
A sua nádega direita recebe então a primeira palmada. «Por favor!», suplicava Ela. Ela sabia quais as palavras que Ele precisava, mas não desejava ceder. Ela queria preservar algum tipo de dignidade, depois de o ter afrontado libidinosamente. Todavia, estava literalmente a quebrar. Sentindo-se evaporar sob o seu jugo, sentia-se tentada a tocar no seu clítoris com os próprios dedos, mas "temia" a punição.

Uma segunda palmada estremeceu a sua nádega esquerda. Como se lhe estivesse a prometer o arrebatamento se Ela proferisse as palavras mágicas. A distância entre a boca dEle e o ouvido dEla é uma área que nunca deverá ser subvalorizada… mas naquele espaço apenas vogavam gemidos que marcavam o ritmo compassado. Usando a gravidade como terceiro elemento da dança, Ele investiu fatalmente.

«Tua! Sou Tua! Por favor, faz-me vir!», implorou enfim expugnada, enquanto se arremetia contra Ele. Ele aquiesceu com um sorriso. Mais rápido!… mais forte!… mais fundo! Tão fundo que parecia que lhe fodia o cérebro. E assim sucedia. A fricção no interior dEla dissolvia-lhe cada grama de poder que ainda lhe restava. O Orgasmo detonou-A… com réplicas de choque que estremeciam o seu corpo numa Beleza inenarrável. Ela ficou orgulhosa de ter renunciado a Ele… ignorando que na realidade, quem havia renunciado era Ele… para Sempre!… para Ela!… por Ela!

quarta-feira, 20 de março de 2013

A Fricção da Ficção



O restaurante. Os olhares. As palavras. As mãos desregradas sob a mesa. O tecido que desliza para cima, para baixo, para a esquerda e para a direita. O ponto, suave e rugoso, que gera electricidade e rubor.
A súbita ausência de apetite. A urgência na solicitação da conta.
A viagem de regresso a casa. As mãos, as palavras e o tecido incendiando os lampiões da estrada. O apagão entre a porta e a cama. A remoção das peças de roupa, não para efeito, mas como necessidade. As horas que passam como minutos.
A luz matinal que trespassa a cuequinha, estrategicamente deslizada para o lado. O cheiro a sexo impregnado no quarto. As fricções dos corpos espreguiçados que reacendem novamente a fogueira da luxúria.

terça-feira, 19 de março de 2013

Pôr-do-Sol



É raro encontrar um momento de conexão, como aquele em que a realidade física se converte em metafísica. Nada é forçado ou encenado. Não existe um único elemento desnecessário no enquadramento. O mesmo se aplica para a Luxúria… bem como para o Amor. Os beijos emolduram a respiração. Lábios de cetim abrigam-se na pele aveludada. Aterram com suavidade. Deliberadamente excitantes, mas sem fricção. Delicadamente protelando a consumação do desejo. A serenidade melíflua que precede a tormenta voluptuosa. Até ao colapso encharcado de pele com pele. Banhados pelo denso aroma sexual, envolvem-se num abraço imemorial, sincronizam os corações, a pele brilha, cintila… e o cabelo fogoso que Tu ostentas queima-me… marca-me de forma indelével. Beijo gentilmente o Teu calor molhado, enfeitiçado pelo interlúdio apaixonado do nosso primeiro ocaso.

sábado, 16 de março de 2013

Tantas ideias para o Fim-de-Semana...



... e Tu tão longe...
Sabes do que realmente sinto falta? Da nossa partilha de Sorrisos e Gargalhadas… que preenchem os espaços onde as palavras não chegam.
Quando a sinalização da estrada não Te anuncia como Destino, sinto-me perto do abismo.
Podes fotografar a minha respiração, o meu batimento cardíaco e o meu olhar exclusivo. Todavia, nunca precisarás de uma Fotografia com o intuito de me eternizar. Irei relembrar-Te diariamente como Te venero e dedico cada segundo da minha existência.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sexo de Perdição


Um olhar picado cruza outro em contra-picado. A expressão facial diz tudo. As palavras são meros estorvos nestes momentos, pois a eloquência do corpo é translúcida. O sorriso de antecipação acirra. O sorriso de recepção enleva. Sem vergonha. Sem julgamento. Isto é puro! Seduzir não é induzir alguém a efectuar algo indesejado. Seduzir é incitar alguém a consumar uma ânsia secreta. Mais do que uma Gula pelo Prazer, Ela irá arrebatá-lo sempre que ostentar uma Sede por Intimidade… e Cumplicidade.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Onde eu começo e Tu acabas



Ele apenas queria uma manifestação física de desejo. Uma centelha!
As manifestações físicas de desejo representam muito mais do que dureza ou humidade. Representam desarmamento e armamento. Representam mutação dos conceitos vulgares. Representam a sintonia de todos os átomos do Corpo com as vicissitudes da Alma penetrada… e vice-versa. Como um Orgasmo nunca será o mesmo depois de A ter provado. Como essa certeza o faz sorrir. Como essa certeza lhe deixa o coração apertado quando a distância reina. Como ele desejaria ter o poder para A desarmar, discretamente, em bares, restaurantes ou na fila para o Cinema. Como num preciso e precioso momento ele acrescentaria o dedo médio, o anelar e o polegar para literalmente espremer do interior Dela o que lhe pertencia. Como Ela iria parar de respirar, arquear arrebatada e contorcer os dedos dos pés ao sentir-se escorrer exclusivamente para ele. Como ele A iria manter a flutuar na ponta dos seus dedos até reivindicar a derradeira gota de expressão orgástica. Como isto não seria suficiente. Como Ela desejaria que ele A preenchesse no retiro onde havia instigado um maremoto. Como ele deseja ver os seus beijos ávidos a desencadear incêndios quotidianos nas suas folhas molhadas.

quarta-feira, 13 de março de 2013

...


exCITAÇÕES



(…)
Oooh, lover, come hover
I lie, open, done hopin'
(…)
Make me shiver
Go down to it
Make a hell of a morning
Bring me some gold from the vine
(…)
Wanna see you coming home in my life
And the different sound that fell into silence
Turn it up
Wanna see you coming home in my life

In my dreams I've been a stranger
Don't know why I wanna go inside her
In my dreams I've been a stranger
I've been on fire to go inside her

Make me shiver
Go down to it
Make me shiver
Go down to it
You and your heartstrings
In a secret apartment, playing your heartstrings
(…)


The Jezabels - Trycolour

The Fountain



No meio do barulho, da distracção e da estática, busco inconscientemente por Ti. Os meus olhos buscam incessantemente pelas Tuas curvas familiares, por cada fio dos Teus cabelos que acariciei, pela textura sedosa da Tua pele que anseio beijar por biliões de Vidas. As minhas mãos procuram-Te. Relembro como os nossos dedos e os nossos pés se enroscam como as raízes profundas de uma majestosa Árvore de Amor… do Nosso Amor. Provido de palavras exclusivas, sussurro ao Teu ouvido: «o meu Coração bate por Ti»… e a seiva da Tua resposta mais poderosa faz o meu peito explodir… em mil e uma flores.

terça-feira, 12 de março de 2013

Cumulonimbus



Coloco-Te em posição. Sinto-Te trémula e molhada como uma flor após a tempestade. Gotejas profusamente pelas pétalas. As pernas estremecem quando os ventos intempestivos começam a soprar. Aguardas impaciente pela torrente de paixão que irá desabar sobre a Tua Beleza delicada, à medida que o meu Desejo por Ti enfuna os céus.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Jangada de Letras



Elevador
Boleia
Saltos
Sorriso
Caminhada
Ondas
Saias
Cães
Sol
Olhos
Pés
Beira
Sotaque
Abraço
Beijo
Mordidelas
Flores
Lingerie
Mamilos
Sabor
Foder
Foda-se
Orgasmo
Roupa
Gorro
Polvo
Almofada
Bela
Adormecida
Manhã
Sentir
Vir
Unhas
Primorosa
Adeus
Saudade
Lágrimas
Amo-Te!

Sexo de Perdição



Vejo os Teus segredos antes de saberes que existem.
Cada sílaba escoada pela Tua espinha abaixo. Desvendada com uma violência tácita.
Querias disciplina.
Alguém que Te dissesse «Não».
Até dizeres «Sim».
A Tudo!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Com Tacto



Contacto. No seu estágio mais privado e devasso. Quando o Tempo distende para ambos. Quando o Teu património colapsa nas minhas palavras e nos meus dedos. Propriedades que adornas refinadamente até ao momento em que são clamadas por mim. Removidas de Ti. Vagarosamente no início e depois em vagas. Premindo alternadamente os botões (doce e rude) do Teu interruptor. Um dedo. Depois dois. Arrancando a polpa das Tuas entranhas. Palavras emudecidas que pilam a falsa modéstia que Te foi leccionada. Até cederes na palma da minha mão. Com um estalido tão ensurdecedor que, inacreditavelmente, nem todos os ouvidos sabem escutar. Acompanhado por um bom punhado dos Teus cabelos que reivindico com um puxão. Pois quero mais! Quero Tudo!! Puxar-Te… saquear-Te… dizimar-Te… arquear-Te… beijar-Te… enquanto explodes como uma Supernova.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Safra



Tudo o que sulquei encaminhou-me para este momento. Para Ti… prestes a desabrochar. Poderia levar cinco minutos. Poderia levar cinco dias. É irrelevante! A paciência que tenho em abundância conduziu-me para este lugar… conduziu-me para o ponto de encontro da urgência luxuriosa. Para Ti… que perdes a noção da localização das linhas que desenham o Teu corpo. Isso serão as Tuas costas ou será o meu peito? Estarás deitada em lençóis ou nuvens? Estarei a resvalar no Teu clítoris ou a penetrar no Teu coração? É irrelevante! Estás pronta e aguardas as palavras. Sinto-as emanando do meu cerne. Como mãos. Para Ti… pronto a espiar-Te… pronto a esfiar-Te. O Teu Corpo e a Tua Alma irão responder ao meu apelo… em uníssono. Os Teus lábios irão abrir lentamente… e eu irei sorver tudo o que deles fluir… mesmo que seja apenas silêncio.

terça-feira, 5 de março de 2013

grafAR(TE)



Ela é como um pedaço de Papel que a maioria dos homens desejaria retalhar. Néscios, cujo conceito estropiado de virilidade encontra paralelo na estirpe canina. Outros homens irão apenas estacar em contemplação… sem a mínima noção do que fazer com Ela… com receio de cortes nas extremidades deste Papel peculiar.

O Papel pode ser rasgado. Pode ser cortado com o auxílio de tesouras. Podemos até empunhar uma régua e um x-acto para um golpe mais preciso. Todavia, refreando o batimento do Coração, prefiro munir-me do Intelecto para executar um vinco, cuidadosamente. Quero tomar o Papel nas minhas mãos… Avaliar as particularidades da sua superfície… Dobrá-lo com precisão… Deslizar um polegar ao longo da linha, adicionando um pouco da unha. Numa acção que deverá ser repetida, pacientemente. Metodicamente. Como meditação.

Rasgos e lâminas são perfeitamente dispensáveis. No final deste procedimento, o Papel irá ceder gentilmente nas minhas mãos... Expondo as fibras que o enfeixavam… aqueles filamentos que as tesouras e os rasgos abruptos ignoram. Só após este desenlace poderei realmente começar a escrever no Papel, devidamente familiarizado com as fibras ocultas que acolhem cada uma das minhas penadas.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Garras



Posso arrancar as Tuas vestes.
Ou, posso aguardar até as arrancares de Ti.
A Paciência é afrodisíaca.
Libera a Fome!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sexo de Perdição



És Majestosa.
Requintada, sensata, graciosa.
Desejas Amor.
Alguém que te abrace e beije carinhosamente.
Desejas o compromisso da intensidade, a seiva do romance.

Contudo, felizmente, existem aqueles dias em que NADA te satisfará mais do que seres montada com veemência, fodida impetuosamente, violentada sensorialmente, sufocada pela exuberância, engasgada na luxúria, envernizada com a baba da gula, lacrimejada orgasticamente.
És a Minha Princesa dos Excessos.
Este é o nosso Conto de Fadas… o Nosso Conto de Fodas!
Onde seremos Felizes para Sempre!