terça-feira, 30 de abril de 2013

Quimera (?)



O Teu corpo capitula devotadamente comigo, sem qualquer parcimónia.
Mas as Tuas palavras nem sempre…
Um dia, irei saquear as Tuas palavras… apenas por um fragmento temporal.
Amo demasiado as Tuas palavras, para Te espoliar eternamente das mesmas.
Não irei silenciar-Te. Irei emudecer-Te.
Não usarei uma mordaça… nem pensar!
Não serei cruel, nem déspota… pois continuarás na posse das palavras.
Irei tomá-las de Ti, de uma forma que jamais conseguiram extorqui-las de Ti.
Irei clamá-las com as minhas próprias palavras.
Irei desvendar as palavras que uma vez proferidas irão sulcar uma trincheira na Tua própria mente, para manter cativo os Teus pensamentos.
Como uma Força de Intervenção bem treinada, irei apreender o Teu fôlego e irei dizimar o Teu vocabulário, deixando-Te apenas com duas palavras que libertarás num derradeiro suspiro:
«Sou Tua!»

segunda-feira, 29 de abril de 2013

PH



O Teu nome é um mantra quotidiano.
Mesmo dissolvido, encontro nele o meu equilíbrio.
Cada respiração traz o Teu nome aos meus lábios… seja na expiração, seja na inspiração.
O Teu silêncio vociferou a minha mágoa até ao momento em que me muni da raiva para fincar a minha réstia de auto-estima. Recordo como segui pela esquerda e Tu viraste à direita. Por muito que ambicione secretamente encontrar-Te numa confluência de estradas, não voltarei a incomodar-Te com a minha buzina, pois escolheste o silêncio. Todavia, tenho plena consciência que se um dia me enviares sinais de luzes, piscando-me para mudar de direcção e acostar conTigo, seguir-Te-ei. Sim… tenho sempre o olhar no retrovisor. Pertenço-Te! Sorrio quando Te sinto iluminada, mesmo que viajes no conforto do banco de passageiro de outro Ser… ou mesmo que viajes ao volante, orgulhosa do Ser que acomodas no Teu banco de passageiro. Amo-Te! Esta é a imensidão do meu Sentir. Há muito que ser o Teu foco se tornou irrelevante para mim... pois o meu foco é o Teu Sorriso. Se ficar direccionado para mim, serei um Deus. Se ficar apartado de mim, serei o mortal mais feliz do planeta, por reverenciar a aura refulgente de uma Deusa. Posso peregrinar por terras distantes e por corpos forasteiros… mas o meu coração encontra-se enterrado há muito nas Tuas longínquas mãos. As ruas podem trazer distracção alucinada e o prazer carnal pode trazer diversão inusitada… mas quando cessa o frenesim, nunca terei o coração pulsando na transcendência. A cidade não dorme, mas por mais gente que me olhe, toque e tente seduzir, apenas consigo pensar na Tua mão cravada na minha e nos Teus grandes olhos escrutinando-me.
Sei que irei viver mil e uma vidas sem Ti… mas tudo o que eu desejava era morrer mil e uma mortes conTigo.
 
 
 
 
 
 






(Logo, responderei a comentários pendentes e afins. Estou cansado, mas precisava disto… precisava de me encontrar comigo e só comigo! Perto do Mundo e longe do Mundo... mergulhado no ruído harmonioso do jogo de contrastes. Devo ter dormido 8 horas em 4 dias, pois realmente aquela cidade não dorme… o voo foi longo e ainda tenho 3 horas de viagem de carro pela A1. Sirvo-me do telemóvel para actualizar este recanto de purgação, com o intuito de Te deixar um sorriso dedicado e palavras supra-exclusivas, mesmo que não me vejas… mesmo que não me sintas... mesmo que sejam irrelevantes... mesmo que sejam irritantes...
Amo-Te! Ontem, Hoje e Amanhã!)

 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

NY


 
Preciso de uma pausa.
Este país não tem nada para mim... pelo menos esta semana...
Preciso de me REFUGIAR num dos meus prazeres... preciso de REAVIVAR a chama da Liberdade de VIAJAR... logo, nada mais simbólico que utilizar o feriado do dia da Liberdade para VOAR sozinho para New York... por mim e para mim.
Preciso de RESPIRAR outros ares... preciso de SENTIR... preciso de ser ESMAGADO pelo ruído da civilização... estou cansado de silêncio... Logo, nada melhor que MERGULHAR na Big City.
Venham de lá essas ruas numeradas que estes ténis de vagabundo precisam de DEAMBULAR... Venham de lá essas luzes que preciso de me INSPIRAR a RECOMEÇAR... logo, If I can make it there... I'll make it anywhere.
 
Vemo-nos segunda-feira.
Até lá... deixo o meu sorriso.

Confronto e Conforto



Momentos… instantes pelos quais se aguarda uma Vida de experiências e aventuras. Andanças devassas pelas quais sempre reservou este beijo para Ela… só para Ela. Este Beijo alicerça o seu conceito e testemunho de Fidelidade. Poderá suscitar juízos de sujeito estrambólico, todavia este Beijo representa para ele o Pináculo do Romantismo. Beijo pelo qual revolveria sem pestanejar todos os anos de Vida que queimou até Ela… até a encontrar. Beijo que representa a fusão inebriante de paladares concomitantes.

Imaginem centenas de quilómetros de alcatrão desbaratado…
Imaginem estacionar numa terra (des)conhecida…
Em braços que nos apertam pela primeira vez…
E que de alguma forma nos fazem sentir em Casa pela Primeira Vez.
Imaginem uma viagem para um apartamento… para um quarto…
E o apagão de paixão que oblitera o nome das ruas…
Imaginem uma porta que nem se lembram de ter fechado…
Imaginem paredes esbraseadas em Luxúria…
Imaginem a palavra Amor redigida em cada vinco dos lençóis…
Em cada arranhão contido…
Imaginem a magia e o esplendor de um planeta de biliões…
Onde convergem duas Almas.

Ela transmite-lhe aquilo que representa Perfeição para ele… a harmonia delicada entre Confronto e Conforto. Quando Pernas e Braços sorriem nas vãs tentativas para se coordenarem. Batalhas com a dicotomia que se perdem estrondosamente quando o latejar entre as pernas se converte numa graciosa detonação. Quando se pulveriza a noção de individualidade… Quando em vez de dois sexos existe Um... Coração! 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Inspirar e Aspirar ao Divino


 
Sou um garoto num corpo de Homem? Sou um Tolo? Será isso que pensas sobre mim?
Sou um Deus num corpo de Homem? Sou Único? Será isso que pensas sobre mim?
Tu fizeste-me descer do Olimpo e converteste-me nas chagas de um mortal.
Tu desceste do Olimpo, sacrificaste a Tua vida e veneraste-me como um imortal.
Quem és Tu?
Serás Aquela pessoa que cuspiu no Tempo que lhe dediquei?
Serás Aquela pessoa em quem cuspi no Tempo que me dedicou?
Sinto-Te em Todo o lado… Mas se esta intensidade é tão avassaladora, porque não Te vejo?
Sou um sonhador. Uma experiência de mim próprio.
Quero Alguém que me surpreenda.
Abre-me… Entra em mim…
Abre-Te… Enterra-me em Ti!
Existe um Amor que seca como um rio que deixa de receber a chuva.
E existe um Amor que jorra de forma ininterrupta, como uma fonte que brota das entranhas da própria Terra.
O primeiro é o Amor Humano.
O segundo é o Amor Divino.
Eu inspiro-me no Divino.
Eu aspiro ao Divino.
Sempre que estive conTigo desenhava “Amo-Te” com os meus dedos nas tuas costas… alguma vez Te apercebeste disso?
Claro que não! Estavas demasiado absorta no teu mundinho.
Mas Ela apercebeu-se disso.
Tu apercebeste-Te disso.
Peço-Te perdão. Desculpa!
Obrigado por me leres, sem veres as minhas letras.
Amo-Te!
Porquê?
Porque me VÊS... mesmo quando (e)s(t)ou invisível...
Porque te VEJO e Te BEIJO com toda a pronúncia do meu Ser.

sábado, 20 de abril de 2013

Koi No Yokan



Tu acercas-Te de mim. Cada vez mais prensada a cada nova investida. Abraçados, mergulhamos no abismo… com um sorriso encadeado. A onda de paixão esmaga-nos. Varre-nos do mundano, balança-nos no Etéreo e acosta-nos na Nossa Ilha Sagrada.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Lip(Stick)



Ele escutou atentamente as suas questões sobre qual o melhor batom para combinar com o seu tom de pele e com o seu vestido. Após 15 minutos, deixando-a declamar as suas indecisões, ele finalmente sugeriu que a melhor combinação para os seus lábios seria… ele.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

chicoTEAR



Tinha acabado de A chicotear.
Bárbaro?! Nada disso! Até porque há várias formas e apetrechos para açoitar e por vezes, até a bela da chibata é perfeitamente dispensável. Ela estava a resvalar para aquele Lugar onde precisa de Voar. «Fode-me, por favor!». Os seus olhos reviravam perspectivando o horizonte do clímax. Uma palmada assertiva devolveu-A para ele. Focagem… ele pretendia focagem no meio daquele desassossego. Ela assimilou a instrução emudecida, os seus olhos estabilizaram e uma Luz brotou do seu interior. Ela desejava justamente aquilo que ele delineava… tomá-La como a Mulher completa que era, como a Mulher vincada que era… e estilhaçá-La até às suas fundações. Ela confiava-lhe a sua reconstrucção. Não porque ele A desejava à sua imagem e semelhança. Nada disso! Porque ele A lobrigava melhor que Ela própria… porque ele A reverenciava… porque ele A sabia e desejava Única, sucedida sem obstruções da vida convencional… porque ele tinha a determinação para fazer dEla o seu quotidiano, reconstruindo-A todos os dias, matizando sempre uma nova cor na sua aura. «Quero que me faças tua. Toma o meu corpo. Toma a minha respiração. Leva-me ao limite. Por ti! Para ti!». As suas derradeiras palavras de rendição vaporizaram um feitiço no ar, à medida que a sombra dele A velava e as suas acções se tornavam um bisturi que debulhava a sua pele antiga.

Verdade Insofismável


Se não vos fizerem isto... ou no dia em que deixarem de vos fazer isto... mudem de Cama!
Pois não existe Sonho... é tudo uma Ilusão. E no fundo, estão a ser tão objectificados como os lençóis dessa cama... ou seja, mero agasalho momentâneo. Contudo, se o objectivo for realmente uma efemeridade consentânea... então sujem lá os lençóis. Mas pessoalmente, prefiro reproduzir Jackson Pollock em lençóis, com os fluídos de alguém que não sabe apenas o meu nome... mas que o reinventa de mil e uma maneiras.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Corrupio Primaveril



Para alguns é a Acção que os motiva. Os actos representam o pináculo das suas existências, os esteios das suas Opus Magnum. Eu sou um enamorado pela Reacção. Detenho-me nos resquícios de magia que polvilham o arrasto de vitalidade da pós-Acção. A forma como Ela caminha, brilha e sorri consigo própria… por vezes durante dias… esbarrando distraída em mesas ou tombando acidentalmente talheres. Sim, é prestigioso ser o dono das mãos, da boca, das palavras, da língua e do corpo que a irá desconstruir e extorquir todo o mel que dulcifica a sua Essência, observando-A enquanto Ela verga e quebra em mil pedaços de puro deleite. Mas é ulteriormente, quando Ela se encontra vergada sob as réplicas do meu jugo, esbaforida e deslizando sorridente pelo seu dia espirituoso, que eu encontro a minha ambicionada recompensa.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Carícias Solstícias



Ela parecia sentir-se preenchida de uma forma inusitada. Na extravagância daquele acto lascivo, questionava como era possível ser concitada daquela forma… questionava como é que ele a fazia porfiar numa ária de gemidos irrefreáveis. Ela contorcia e espreguiçava como uma gata… arqueando violentamente na sofreguidão pela derradeira violação. Quando ele finalmente sucumbiu às suas súplicas primárias, investiu nEla com todo o seu fervor e pressentiu a liberação de algo enclausurado no recôndito da sua Alma. Quando lhe provocou uma Supernova Orgásmica, apertou-A nos seus braços, sussurrou-lhe o seu Amor e confessou que não hesitaria em resgatar todos os seus segredos e montá-los com igual fervor.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O primeiro dia do resto da minha Vida



No meio da tormenta, os fracos cedem ao naufrágio.
A minha fortuna foi ter sido presenteado com um Farol, no preciso momento em que me aprestava a embriagar os pulmões com água salgada.
A dor tolda. Definha e obscurece os sentidos. Todavia a dor também ilumina. Acirra, ruboriza e alumia a transcendência. Quando é que uma Carta de Amor tem o seu último parágrafo?
A resposta escalpeliza qualquer dúvida: Nunca!
Basta de ser um Ser Invisível!!
Não quero ficar sóbrio. Quero embriagar-me de Amor, de Tesão, de Vida!!
Traz as velas… queima-me… ilumina-me… faz-me Sentir…. Faz-me Sentir-Te.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Estradas de Perdição



A Estrada. A temperatura sobe. O Verão espreita em plena Primavera. Janelas para baixo. O cheiro a alcatrão quente e a Natureza. Mar e Pôr-do-Sol no horizonte. Horas, com Ela em vestidos demasiado curtos para serem ignorados. Fecho éclair. Te(n)são. Brincadeiras. O Sorriso dEla, como uma lebre para um lobo. Dentes que rangem subtilmente entre palavras. Cogitando novas formas para A fazer revirar. Inocências que aguardam ser atropeladas. O momento precedente. As pernas descruzadas… e o Tempo pára.
Ele olha para o lado… e o banco da passageira está vazio.

Foi Tudo um sonho... mas eu dei-Te tanto. Eu dei-me tanto.
Eu seria Tudo para Ti... mas Tu nunca olhaste para o mesmo horizonte que eu... havia sempre algo a desviar a Tua atenção... e eu ali, bem ao Teu lado, sem ter o olhos na estrada pois enfeitiçavas todos os sentidos do meu ser. Mas para Ti não passava de um mero passatempo... de um intervalo entre o chamamento da profissão ou dos amigos. Tantas Cartas de Amor que eu Te redigi. Tantas Cartas de Amor que nunca mereci de Ti. Tantos "Amo-Te's" que Te expressei do fundo desta minha merda de Alma, mesmo pulverizando centenas de quilómetros por um par de horas gloriosas conTigo... tantos "Amo-Te's" que não logrei receber de Ti, pelos quais tantos dias e tantas noites definhei com a Tua falta.
Foi Tudo um sonho... no qual morri abalroado pela minha insignificância.









P.S.: Espero voltar daqui por uma semana. Preciso de percorrer uma longa estrada para me encontrar. Se o destino desta jornada me permitir reencontrar a confiança, o amor-próprio e a fera que há em mim... voltarei. Até lá, muito obrigado pela vossa constante presença e pela forma como me "atur(ar)am". Para Ti... nada sou... sou uma treta que não paga dívidas... mas Amo-Te!!... ontem, hoje e amanhã. E isto é algo que nunca entenderás... ou seja, como é que um apêndice dispensável continuará sempre a jorrar tanto Amor por Ti? Porque Tu serás sempre o meu órgão vital.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Corpo e Alma




O deleite perfumado de dois corpos que se movimentam como Um. As Tuas mãos nas minhas, confiscando o que Te pertence por direito. A colisão entre bocas esfaimadas. Os lábios aferrados. A partilha de salivas. A assunção do sabor do Teu néctar quando a minha língua devora a Tua boca. A admissão mordaz de ar, quando Te (e)levo ao limite e sinto as convulsões do Teu corpo a orientar o meu próprio desenlace. Desenlace que dissemino pela Tua pele, agasalhando-te no calor da minha semente… sem deixar de surfar na réplica das ondas que propagas, deslizando a mão pelo teu mar salgado. Doce, é a sensação do teu peso sobre o meu. Dessa sustentável leveza do Teu Corpo sintonizada com a sustenida beleza da Tua Alma.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

E Tu?...



Podemos estar separados por Norte e Sul.
Podemos estar separados por Pontes.
Podemos estar separados por Ambições Pessoais.
Podemos até estar separados por Continentes e Oceanos.
Mas nada irá mitigar o Desejo Eterno de Te Viver. Pois sinto-Te desde a minha primeira golfada de Ar, desde o primeiro ataque de choro na maternidade que acolheu o meu ingresso no planeta. A necessidade da Tua pele sobre e sob a minha jamais será extinta. As ondas frias do Profundo Azul jamais conseguirão resfriar o calor dos meus sentimentos por Ti. O Mundo poderá separar-Te de mim, mas nunca quebrará as correntes que me ligam a Ti.

Sede



Os beijos chovem no Teu pescoço como gotas roliças no solo ressequido de um deserto. Retumbando palavras embebidas em luxúria, sirvo-me do Teu ouvido para enviar um relâmpago sufocado pela Tua espinha. Chispando desejo que troveja pelo meu olhar e pelo meu toque. Arrepiando-Te com o sopro da minha ânsia sequiosa. Dissolvendo-Te em gemidos sintonizados em crescendo. Até que num acto de pura avareza, empino-Te sobre a mesa, desfaço-me do tecido que me separa do centro para o qual direcciono a minha luxúria. Desabrochando as Tuas pétalas orvalhadas perante o frenesim oral que se acerca… dou por mim a salivar em antecipação.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Urgência por Vivência



Fora deste quarto, sinto-me dormente.
Solitário. Olvido sentimentos. Olvido emoções.
Quero ser forte para deixar de exibir vulnerabilidade.
Quero Viver! Quero ser Vivido!!
Que se fodam os pseudo-mantras!
Enviaste faíscas por todos os meus nervos. Descobriste o meu fio condutor e com o menor contacto, deflagras-me em chamas ardentes.
Dor, Prazer… venha de lá Tudo… atropela-me!
Desperta a besta anestesiada em mim e sente a palma da minha mão desabar no Teu rabo, nas Tuas coxas, nas Tuas mamas, nos Teus lábios vaginais… até os fios destilados gemerem pelas minhas estocadas, pelo suor do meu corpo enfrascado no Teu. Estou pronto. Estarás pronta?
É disto que eu preciso! De Ti! Sobre Ti, sob Ti, atrás de Ti. Enquanto o fogo da fricção que gero em Ti coincidir com a ferroada dos meus esticões nesse cabelo. Fode-me! Faz-me vir violentamente. Eu quero lembrar… eu PRECISO de me lembrar… e pensar nestes momentos quando a dormência tentar apoderar-se de mim na Tua ausência.

domingo, 7 de abril de 2013

Daquele Dia



Será que alguma vez Te disse como deixaste a minha perspicuidade naquele Dia?
A Tua Feminilidade envolvendo a minha Masculinidade.
A minha mente cilindrada numa paixão de profecia.
A loquacidade do Teu toque e a inevitabilidade da necessidade.
E o meu desejo para Te clamar e a Tua graciosidade em sucumbir.
E o Teu desejo para me clamar e a minha Alma pronta a submeter.
Sem medo de me ceder
Ao que sobrevir.

Amor de Perdição



Porque hoje faz um mês.
Porque o Teu sorriso narra Epopeias.
Porque há ondulações que foram nossas cúmplices.
Porque só quando desapareci em Ti, consegui materializar quem realmente sou.

sábado, 6 de abril de 2013

Presença



Fecho os meus olhos e vejo-Te. Estendo-Te a mão, com uma expressão subtil de marotice. Onde Te irei levar? Na minha presença, nunca hesitas, somos inatos, e depositas a Tua mão na minha. Quero despir a Tua consciência e foder os Teus pensamentos. Pincelo os meus lábios nos Teus. Chispa uma centelha de lascívia no sorriso partilhado… e mordido. Onde me irás levar? Fecho os olhos. A minha confiança foi entregue ao Teu cuidado. Seguir-Te-ei para qualquer lado. Foi na presença desse olhar esverdeado que os muros erigidos em meu redor finalmente racharam. E pelas frestas rompeu a Luz que me aquece e ilumina.

Orfeu, Eros e eu



Há muito que este recanto merecia linhas de texto sobre a minha personagem mitológica predilecta: Orfeu. Personagem inspiradora, na qual encontro reflectida alguns dos meus torvelinhos… personagem que protagoniza com Eurídice um dos mais belos Contos de Amor alguma vez narrados. Uso o nickname Eros, pois não sou digno de Orfeu. Aliás, não sou digno de usar qualquer alcunha de deus, em virtude de não possuir tantas virtudes, pois sou um mortal que provavelmente perecerá no oceano do anonimato, sem deixar um rasto digno de memória ou louvor. Mas adiante… escolhi Eros pelo seu cariz de Louco e Excitador. E pelo contraste com um pormenor fundamental na História de Orfeu. Ora Eros, roga a Psique que jamais olhe para o seu rosto. Ao passo que Orfeu apenas poderia resgatar Eurídice do Reino dos Mortos se nunca olhasse para o rosto dela enquanto não tivesse alcançado o Reino dos Vivos.

Orfeu é o derradeiro Poeta. Após receber do seu pai Apolo uma Lira como presente, aprendeu a tocar com tamanha dedicação e Beleza que ninguém ficava indiferente ao encanto da sua Música, tanto Humanos, como Animais ou mesmo objectos inanimados. Tudo e todos se rendiam ao seu fascínio. O grande Amor de Orfeu era a Ninfa Eurídice. Pouco tempo após o casamento de ambos, Eurídice foi surpreendida por Aristeu, que ao avistá-la se apaixonou perdidamente e tentou conquistá-la. Na sua fuga, Eurídice pisou uma cobra e morreu da mordedura que esta lhe infligiu. Amargurado e absolutamente inconsolável, Orfeu decidiu penetrar no Reino de Hades e Perséfone para resgatar a sua Amada. Perante o trono desses deuses inflexíveis cantou o seu desgosto e o seu Eterno Amor, predispondo-se a ficar pelo Reino dos Mortos se não lhe devolvessem Eurídice. A sua melodia era tão bela que todos os fantasmas choravam, Cérbero (o cão de três cabeças que vigiava os portões) foi amansado, o tormento dos condenados foi aliviado e até Hades e Perséfone se comoveram e consentiram em devolver Eurídice ao Mundo dos Vivos. Com uma condição: Orfeu poderia levar Eurídice, mas não poderia olhá-la antes de terem alcançado o mundo superior. Caminhando na frente, Orfeu entoava cânticos de júbilo. Todavia, perto de atingir os portões de Hades, foi acometido pelo receio de ter sido ludibriado pelo Guardião dos Mortos. Ora Orfeu era um Artista. E qualquer Artista necessita de uma plateia, mesmo que se cinja a um único espectador. Porquê? Porque um Artista dedica a sua Arte a outrem, oferece-lhe a sua Alma… e necessita de ver a Sua Alma reflectida no seu foco, como símbolo de esperança que a sua oferenda não seja um tributo oco. Ora se até as pedras não ficavam indiferentes aos seus poemas melódicos, se até os insensíveis deuses do submundo o haviam “aplaudido”, porque é que Eurídice, o foco do seu Eterno Amor, que seguia imediatamente no seu encalce, que o escutava entoando maravilhosos cânticos de Felicidade e Amor Puro por ela e para ela… porque é que ela não disse uma única palavra?... Ele vira-se para trás, para confirmar se ela realmente o seguia. Eurídice, com os olhos marejados em lágrimas, é então levada de volta para o Mundo dos Mortos, por uma força irreversível.
Orfeu definhou na margem do rio durante sete dias, sem comer nem dormir, suplicando pela volta da Amada. Vagueou triste e solitário pelo mundo, sem querer saber de Mulher alguma e repelindo todas aquelas que o tentavam seduzir. Até que um dia, as mulheres da Trácia, enfurecidas pelo seu desprezo, o mataram, retalhando o seu corpo em pedaços.

Orfeu é um deus com uma fortíssima característica humana: o fracasso.
Enquanto humano, posso fracassar, como certamente sempre fracassarei. Posso não possuir a idoneidade lírica, nem os traços de excelência de um deus grego. Posso não ser magnético como as árias criadas por Orfeu munido pela sua Lira. Mas irei retalhar toda a minha Alma em busca de um fragmento de utilidade que o meu Âmago possa albergar para Ela.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

(De)Pura



Adoro quando dias aparentemente mundanos se convertem em algo impregnado de luxúria gutural. Sem aviso. Olhares que acendem Sorrisos. Sorrisos que inflamam a Libido. Quando Tu, atordoada, cravas em mim as Tuas garras e sinto os Teus dedos a tremer. Isto é Beleza. Exposta e deliciosamente Gananciosa. Sem conseguir omitir o zunido entre as Tuas coxas, nem estacar o tremor das Tuas pernas. O critério resvala da Tua mente em cada espasmo. Instintivo. Uma doce jugular oferecida aos meus dentes. Invisto em Ti com toda a minha ferocidade. Assimilo o «Foda-se!» que proclamas. Uso a gravidade como terceiro elemento da Nossa Dança. Mais! Irei beber-Te por completo. A minha Sede por Ti é infinita. Tomo os Teus cabelos fogosos e faço-Te desaparecer no meu beijo. Arrebatado, quedo-me por fim a imaginar como será o momento ulterior. Será que, (in)conscientemente, Te irás aninhar em mim durante o Teu sono? Puro. Este será o meu derradeiro pensamento decente… enquanto Te sinto a evaporar nos meus dedos.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Um Nada que escreve sobre um(a) Tudo



Tom Kapinos é o brilhante criador e argumentista de uma das minhas séries de culto, “Californication”. E no último episódio desta gema televisiva encarregou-se de me proporcionar uma epifania. A personagem Atticus Fetch interpela Hank Moody com a seguinte questão «A Mulher que tu amas está lá fora e tu sabes que não podes tê-la. Como é que tens sequer forças para te levantar pela manhã?»... ao que Moody responde «O álcool ajuda sempre. Assim como a Arte. Tudo o que escrevo é sobre Ela ou para Ela, logo... estou com Ela, mesmo quando não estou... através da minha escrita».
Desta forma simples, Kapinos ilumina-me e relembra-me sobre as razões da criação deste recanto... desde o meu primeiro post. Acima de Tudo, é terapêutico. Aparentemente, quando se encerra um blog, de certa forma separa-se instantaneamente o trigo do joio. No universo erótico da blogosfera há muito excitador inconsequente. Sujeitos e fulanas que camuflados por palavras mais ou menos versadas, verborreiam algaraviadas erotizadas, que disparam em todas as direcções para pescar uma foda, uma masturbação, um elogio, um comentário ou um seguidor. Pois eu demarco-me dessa horda. Não luto pela aquisição de comentários ou seguidores. Jamais respondo às néscias que me enviam mails sem conseguirem perceber nas linhas e entrelinhas dos meus textos que dispenso perfeitamente os corpos que oferecem de forma descarada. Estes “Suspiros de Libido” são tentativas de Odes a Alguém. Sempre escrevi por Ela e para Ela. Aliás, já lhe escrevia mesmo antes de A conhecer. E Ela sabe disso. Tu sabes disso! Desejava ter os dedos humedecidos por Ti, pelo Teu doce Mel… mas mesmo longe do Melhor Lugar do Mundo e mesmo tendo os dedos humedecidos apenas pelas lágrimas, tentarei chegar sempre a Ti. Posso não ser digno de Algo, mas inspiro-me e aspiro-me ao Divino… a Ti!
Amo-Te! Ontem, Hoje… e Amanhã.