sexta-feira, 31 de maio de 2013

Tease me... Please me...



Por Ti... em Ti sinto-me embebido...
Condenado a morder esse fruto proibido
A enfiar uma ameaça na Tua garganta
E uma promessa entre as Tuas pernas
Até suplicares para parar
E rezares para nunca o fazer.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Semiótica de um Desejo


Firma-me pela nuca e antes de sepultares essa língua na minha boca, sussurra-me todo o tipo de lascívia que jamais conjeturaria ser proferida por uma boca tão aparentemente casta. Rasga-me trilhos carmins ao longo do peito até estremecer num furor vulcânico. Desce com a Tua boca, centímetro a centímetro, e empola-me ao ponto de agonia. Envolve-me com as duas mãos. Envolve-me com a Alma. Envolve-me com o Coração. Envolve-me com as Tuas mamas. Envolve-me com o arco dos Teus pés. Encaixa-me nos Teus hiatos, esfomeada, sorvendo-me com o magnetismo dessa visão empinada. Olha-me então bem nos olhos… e deixa que Te narrem a minha História.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Dilúvio Delator



Imerjo numa fragilidade inaudita, sempre que desconstrói as nuances da emersão da minha robustez. Incapaz de ocultar o meu desejo por Ela, as minhas mãos e o meu corpo fluem instintivamente na sua direcção. Ávido pelo seu toque, sorvo qualquer minúcia que me concede… latejando em virtude do seu feitiço, que invoca paulatinamente as gotas da minha poção. Sem dizer uma palavra, refestela-me no sofá, desaperta-me o cinto e desembaraça-me do tecido que confinava a intumescência do meu desejo por Ela. Envolve-me com as suas mãos delicadas… puxa-me para Ela… aperta-me até decorar cada uma das minhas veias… chicoteia-me com a língua na recolha do primeiro pingo de néctar… e beija-me com um sorriso… quando se apercebe que a enxurrada está próxima.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Língua Afiada



«Eu não fodo com pessoas como tu.»
Ele parou o que estava a fazer, olhou para cima, através do formato em “V” das suas coxas e questionou-a: «Pessoas como eu?»
«Amigos!»
«Ai não? Então o que estamos a fazer?»
«Estamos a foder. Aliás, estamos prestes a foder. E neste momento, estás a sair-te muito bem.»
Ele calou-se e retomou o que estava a fazer. Deslizava a língua ao longo da sua fenda rociada e trespassava o seu portal carnal com dois dedos. Escutou-a abafar um gemido… através do silvo profundo que escapou pelo esmalte dos seus dentes. E parou abruptamente.
«Quem Te defendeu quando Te gozavam na primária com a alcunha de Cenourinha?»
«Foste tu. Mas porque paraste? Não pares!»
Ele sorriu de forma travessa e girou o seu polegar em torno daquela preciosa protuberância que espreitava através do seu capuz empolado. A sua respiração tornava-se cada vez mais pesada. Quando sacudiu o seu clítoris com a precisão de um metrónomo, sentiu-a enrolar os dedos dos pés e voltou a parar abruptamente.
«Sei quase tudo sobre Ti. Sei qual foi o Teu primeiro concerto, sei qual é o filme que mais Te faz chorar, sei qual foi o Amor da Tua Vida, sei qual é a Tua maior ambição profissional… até sei como esfregas a nuca quando te aprestas a mentir…»
«Mas porque estás a falar quando me poderias estar a fazer vir?»
«Jamais Te atreverias a falar assim com uma pessoa qualquer que fodias.»
«Por favor… não pares!»
Ele prosseguiu com o dedilhar lânguido, mas não cessou as palavras.
«Quando Te vens para mim, até vês constelações. O Teu corpo explode como o Vesúvio e encharcas tudo em Teu redor. Isso acontece com outros homens?»
Ela esfregou a nuca e respondeu-lhe arrufada:
«Claro que sim! E se não me fizeres vir agora, espremo-te de tal forma que ficas sem poder foder durante um ano. Foda-se!… Que estás a tentar provar com essa ladainha?»
Ele soltou uma gargalhada. Adorava desafiá-la ao ponto de perder a compostura. Era tão fácil. Puro entretenimento. Simples. Ele debruçou-se, recolheu o seu clítoris entre os seus lábios, sugou-o sofregamente e abriu a sua boca esfaimada para colher cada gotícula do xarope que jorrava como uma fonte dulcificada entre as suas coxas.
Ela gemeu e gritou, enclausurando-o com o seu corpo naquele ponto de bênção irrigada. Ele soprou o seu restante fôlego acirrando ainda mais estremecimentos e suspiros. Sorriu, libertou-se do doce cativeiro e olhou-a em contra picado vislumbrando-a boquiaberta em êxtase.
«Estou a tentar provar-Te que deverias mentir menos vezes… e foder mais vezes com pessoas como eu.»

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Romance


«Quero ler tudo o que escreveste!»
«Ai sim?»
«Aquela sobre a Puta.»
«São todas sobre a Puta...»
«Aquela sobre a Tua Amada.»
«São todas sobre a minha Amada…»
«E aquela sobre o Orgasmo.»
«São todas sobre um Orgasmo…»

Iluminaste-me com um sorriso e beijaste-me. Delicadamente, deslizei o meu travo a whisky pelas Tuas papilas gustativas. Dava-Te a provar o inferno, através das minhas labaredas de Desejo. Repousava a minha mão no interior das Tuas coxas, no ponto exacto em que o tecido das Tuas meias cessa e a Tua pele começa. Era uma execução deliberada. Cada uma das Tuas células denunciava-Te. Desejavas que esta língua ébria serpenteasse até ao Teu clítoris. Que descobrisse o caminho para o interior da Tua prisão rendada e Te diluísse as palavras em onomatopeias.

Coloquei o polegar no lóbulo da Tua orelha e desenhei uma curva lânguida pelo Teu maxilar. Fechaste os olhos. Saboreavas o momento. Registavas na memória o que sucedia com o Teu corpo através do toque, dos sons e das sílabas. O polegar quedou-se pelo Teu lábio inferior e não resististe a prová-lo. Sentia a Tua língua a escalpelizar cada sulco da minha impressão digital, visivelmente deleitada pelo privilégio de degustar e incendiar o dedo que premiu o frio da tecla de espaço de tantas narrativas que te arroubaram. Poderia escrever Volumes sobre o Teu toque… Sagas sobre os Teus gestos... Enciclopédias sobre os Teus movimentos.

«Quero ler aquela história sobre a Mulher que é completamente violada por um homem. Aquela na qual ele penetra a sua Alma depois de estraçalhar a sua Carne. Aquela na qual ele grafa os caracteres do seu Amor em beijos e esperma.»
«Ainda não escrevi essa.»
«Mas estás prestes a dar as primeiras penadas…»

sábado, 25 de maio de 2013

Sexo de Perdição


Depois de uma semana a desembrulhar presentes... talvez esteja na altura de ser desembrulhado...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Manhãs Dissolventes



Palavras de Vontade e Luxúria fluem diretamente da minha boca para o seu ouvido.
Acomodando-me na sua imaginação, descrevo-lhe com dicção matinal o que lhe desejo fazer. Quando solicito que abra as suas pernas, o intento não é tocar no(s) ponto(s) que Ela deseja ardentemente ser tocada. Claro que os fios de seda do interior das suas coxas me encantam, mas a minha recompensa almejada é observar o desabrochar lânguido da sua Flor, à medida que os meus vocábulos vertem pela sua espinha, e convergem no Riacho de Desejo que escorre do seu interior. Admito que há dias em que adoro enviá-la orvalhada para o emprego.

Perante isto...



... rasgo sempre o meu lábio inferior ao tentar decifrar a Tua expressão facial...

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Recepção Calorosa



Regresso a casa.
Na inocência de um entardecer primaveril.
Uma janela aberta arremessa no meu encalce o som de saltos.
Agacho-me instintivamente para observar.
O batimento cardíaco acelera.
A respiração fica descompassada.
A boca seca.
Os olhos ardem e esqueço-me de pestanejar.
Mas estarei realmente escondido?
Será que Ela escuta a minha respiração?
Será que Ela vê o fogo no meu olhar através da vedação e daquela janela aberta?
Será que Ela sente o meu coração a pulsar com Luxúria?
Será que eu acredito mesmo que aquele ritual elaborado é fortuito?
Claro que Ela sabe como eu adoro escutar o estalido do seu cinto de ligas.
Claro que Ela sabe como eu adoro escutar o tecido a deslizar pela sua pele.
Claro que Ela sabe como eu consigo aperceber-me daquele ponto emergente de humidade nas suas cuequinhas, mesmo aqui da rua, pois até a brisa primaveril carrega a sua fragrância libidinosa.
Ela certamente escuta como o tecido das minhas calças estira, desafiando os botões da braguilha que me confina. Mas o que Ela domina categoricamente é a noção de como eu estilhaçaria os vidros daquela janela se fosse necessário e até rastejaria sobre os mesmos por uma breve degustação daquela seiva.
Troquei a vedação da Casa, pela ombreira da porta do nosso quarto.
Vou continuar a esquadrinhá-la em silêncio.
Ela está apenas a começar…

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Escapes e Escaparates



Algo que me deixa intumescido são as frases curtas. Abafadas num sussurro inaudível para os amigos. Sentenciadas com um olhar que revela a partilha de uma confidência. Os restantes casais à mesa certamente protagonizarão algo semelhante, contudo, tenho a certeza que nenhuma das mulheres presentes está a ser questionada se está preparada para se «…diluir em silêncio nos meus dedos…». Estes interlúdios silenciosos em público proporcionam escaparates irrigados com sensações latejantes… ficas sem escape para além dos meus dedos. E quando aceno com um dos dedos dentro de Ti, para vires para «a minha beira», soltas um suspiro sufocado que irei reproduzir na memória durante dias a fio.

exCITAÇÕES


(...)
 
Oh my love, oh my love
I can't hear you my love
Tell me where have you gone?

Oh my love, oh my love
I can't taste you my love,
Tell me what have I done?

Plug it in, so I can digest you
I will taste you

Far away, far away
I can't feel you today
I need healing my love

Appetite running fast
Following my gut
Turning up every rock

You're disappearing my love,
I need louder than this
Please fill me up

Goof tidings I bring
To you and your sins
I’ll forgive

Plug it in, so I can digest you
I will taste you
My appetite in that hole
Tempt you with it now
I will taste you

Please shake me and tug,
I need shaking my love
Can’t you be the one?

I can't fake it my love,
I need filling come on,
I need it louder than bombs

Plug it in, so I can digest you
I will taste you
My appetite in that hole
Tempt you with it now
I will taste you

Feel that movement my love?
Pulling up from above
Are you listening love?

My emptiness in a way,
Is tempting,
Guiding you from my gut
{I will taste you, I’ve got a big mouth, Oh my love}
 
(...)
 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Emalhados



Adoro uma boa batalha.
Adoro o Teu espírito desafiador.
Certeza que rapidamente te engodou quando sentiste os meus dedos trepando para os Teus lábios. Assim como um bom Pescador, jamais enjeitarei uma oportunidade para fisgar a minha Presa.
Desamparadamente arpoada, estocava-Te até à submissão… com a destreza de dois dedos que te sustinham no ímpeto do assalto aos Teus Sentidos.
Quando Te dissolveste, gritando uma, duas, três vezes, a todas as entidades divinas alguma vez concebidas, arremeti contra Ti de forma bárbara até explodir num clamor gutural.
Encharcada em suor e seivas de paixão, lacrimejada de arrebatamento, implodiste sob o meu peso. Contudo, quando sentiste que retirava lentamente o anzol dos Teus lábios, sugaste-o de volta para o seu Lugar. Pois este era um gancho que não tinhas intenção de sacudir…

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Stay


O Coração diz: «Fica!»
O Cérebro pergunta: «Para quê?»
O Coração responde: «Uma promessa.»
O Cérebro diz: «Nunca mais!»
O Coração diz: «Esperança.»
O Cérebro diz: «Desgosto.»
O Coração diz: «Espera…»
O Cérebro diz: «Parte…»
O Coração suplica: «Por favor…»
O Cérebro suspira…
Pois nenhum deseja escutar o derradeiro fatalismo do «Adeus».

sábado, 18 de maio de 2013

Sexo de Perdição



«Minha Beldade…»
 
Argumentava com um hálito bem quente e frutado de malícia entre as suas coxas. Ela contorcia-se, mas a gravata atada nos seus punhos confinava-a. Ele servia-se das mãos como autênticas garras, espremendo as suas nádegas até sentir na ponta dos seus dedos a alteração de cor almejada. Ela começava a entrar naquele doce pânico, ponderando quanto mais tempo iria aguentar até se dissolver nele. A ponta da sua língua serpenteava, desfolhava-a e servia-se de toda a sua extensão para cambiar rijeza com moleza na pintura que usava os seus filamentos de excitação para matizar um Desejo. Estremecendo, Ela derrubou a cabeça no colchão, em renúncia ao Desejo.
 
«… a filosofia Budista centra-se no conceito que defende o Desejo como a raiz de todo o Sofrimento.»
 
A suas palavras soavam distantes. A coluna dEla retesou ao sentir o couro do punho da chibata a deslizar pela sua espinha abaixo. Elevou rapidamente a cabeça do colchão, mas era tarde demais… célere, adejou uma chicotada na sua nádega direita. A dor espiralou até à ponta dos seus dentes.  Mas Ela destilava… oh, se destilava! O interior das suas coxas vertia lágrimas.
 
«Por favor…»
 
O seu carpido desarmou uma renovada chibatada… desta feita na nádega esquerda. A dor equivaleu à da primeira. Lancinante. Mas é uma dor por Desejo, algo que as púdicas desconhecem, ocultas na sua zona de conforto. Um descontrolo sobre o seu próprio orgasmo. Uma ânsia por uma libertação cujo momento do desenlace se desconhece.
 
«Estás a sofrer?»
 
Ela abanou a cabeça, ciciando um «Sim…». A resposta revelou-se ajustada, livrando-a de uma saraivada de palmadas sobre o seu rabo aguilhoado. Os fios da chibata deslizaram então sobre o seu clítoris...
 
«Desejas-me? É essa a razão do Teu sofrimento?»
 
Uma renovada resposta afirmativa… exaurida… fez com que fincasse o seu peito contra as suas costas… deslizando erecto entre os seus lábios vaginais. Ele, descreveu um vaivém por breves instantes e Ela voltou a implorar pela penetração.
 
«Para eliminar o Sofrimento…»
 
Pregava ele, soprando na sua nuca enquanto trespassava ligeiramente a sua humidade…
 
«… terás de Te livrar do Desejo!»
 
Ele percorreu meio caminho dentro dEla, agasalhou as suas mãos, mordiscou a sua orelha… e recuou quando sentiu que Ela se aprontava para se arremessar contra ele, na vã tentativa para consumir toda a sua intumescência.
 
«Todavia, ainda não chegou o Teu momento de misericórdia...».

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Eu... Teu...


Angola



Eu sabia-o sem Tu o proferires.
A ligação mística era indesmentível.
Aquele Abraço jamais encontrou paralelo noutro seio feminino.
O Abraço de Perdição.
Cuja ausência ainda me despedaça com uma impiedade jamais antevista.
Estou morto atrás destes olhos,
Por mais que as estranhas me tentem incendiar pelos uivos da noite.
Tento sentir algo,
Mas aquele vazio que tentei escorraçar do meu quotidiano,
Volta sempre para me embrulhar com tenacidade.
Em silêncio, observava-Te enquanto Te vestias.
Desejando secretamente inflamar a Tua pele com o meu olhar.
Memorizei cada nuance do Teu toque.
Até a forma como assentavas graciosamente o gorro nesse cabelo fogoso,
Com total precisão e alheamento.
Justamente como este coração era talhado
Com o silêncio do Adeus.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Lucidez Alucinada



A minha abóbada vibra com a antecipação. Músculos estiram diante do Teu olhar vigilante. Soterrado neste tumulto carnal, o Teu ritmo lânguido balança-me num filamento de dúvida. Mãos delicadas, suaves e amenas acariciam o meu abdómen em movimentos circulares, migrando paulatinamente para sul, numa doce tortura. Firme e hirto, como apenas Tu me sabes dispor, apoderas-te da minha base. Sensualmente tangível, o teu sopro cálido afigura-se como um açoite sexual. Um ofegante «… por favor!...» escapa-se de mim e aquela primeira esférula translúcida espreita na expectativa de ser saboreada por Ti… apenas para ser saudada pelo Teu delicioso sorriso travesso.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

viELA



O Verão está próximo e espreita ao virar da esquina de certos fins de semana propícios. Isto significa parar repentinamente pelo caminho, encostá-la contra a parede e beber o seu beicinho quando descrevo várias tangentes com o meu toque, menos a tão apetecida. Percorremos algumas artérias da Cidade de mãos atadas uma na outra, sem quebrar o sentido do toque. Visitando... sondando… deambulando… sempre com os corpos em contacto. Com os dedos interligados ou com o meu corpo atrás dEla, sentindo a curvatura do seu rabo contra mim, com as costas prensadas contra o meu peito galopante. Embriagados de tesão, repartimos beijos molhados até que a ocasião desponta no vislumbre de uma viela sossegada e ignota para as gentes que se apressam para a praia. Rodopio-a, utilizando o meu beijo e a minha cintura para a comprimir contra a parede. Mergulhando no seu pescoço, escolto o seu gemido familiar e trespasso-a com um sussurro afrodisíaco: «Quero-Te!». Rodopiando-a novamente, asseguro-me que o seu traje primaveril não oferece resistência à minha fome. Assim que dispo as suas cuequinhas sob a luz do dia, consigo vislumbrar imediatamente as suas pétalas a cintilar em antecipação.

exCITAÇÕES


(...)
 
Skin off like lightning
Breathing flames from thoraces tray
Your eyes go gray finding
You lock your gaze on to my face

Heavy eye clothing on the roadside
Swinging from the street lights

I hope by the morning I will have grown back
By the morning I will have grown back
I'll escape with him
Show him all my skin
Then I'll go
I'll go home
 
(...)
 
 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Ambiguidade (op)Erótica



Descrevem-no como uma Dança.
Por vezes encaro-o como um Duelo Operático.
Encenação sem fingimento, de corpos enredados em harmonia. Numa coreografia intemporal.
Bailado mélico, que inesperadamente nos arremessa para o caos de um espaço bélico.
Determinamos Acarinhar ou almejamos Ferrar?
Desejamos o Carinho ou desesperamos pela Ferroada?

 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Encore



Cinco Vezes.
Por Cinco vezes gritaste pelo meu nome à medida que os Teus sentidos se deflagravam, que a noção geográfica esvaecia e que o Teu corpo explodia. Por Cinco vezes, foste arrebatada para renovados Nirvanas… cada um perfeitamente distinto do anterior.
 
Aturdida, colapsaste na cama enquanto porfiava nos abalos da investida… ambos encharcados em suor, cuspo, mel e esperma… embebidos pela glória do grotesco de uma bela refrega carnal. Amparada numa réstia de força, olhaste para trás, mordeste o lábio inferior, encaraste o meu olhar mareante e suplicaste por um derradeiro maremoto. Investi então, acossado, firmando as Tuas ancas, tombando nas tuas costas com dentes enterrados no Teu ombro… e explodimos em simultâneo com uma ferocidade primitiva. Agarrei rapidamente nas tuas cuequinhas, e verti nelas umas derradeiras gotas do meu néctar. Virei-Te para mim, abri as Tuas pernas e tapei com a palma da minha mão esse latejar, contendo toda a energia, refutando o esvaecimento místico do pós-orgasmo. Beijei-Te apaixonadamente e vesti-Te novamente com as cuecas humedecidas por mim. O meu beijo aprofundou e a minha mão começou a estimular-Te novamente sobre as tuas cuequinhas de renda, espremendo ligeiramente o meu suco residual através do tecido e disseminando-o à volta dos Teus lábios vaginais. De rompante, afastei o tecido e enganchei dentro de Ti o dedo médio e o anelar. Gritaste em delicioso desassossego… mesclavas aquela auspiciosa expressão de dor soluçada com sorrisos minimalistas… e fixaste o Teu olhar no meu, quando atingi aquele ponto precioso. Mordeste o teu lábio para impedir o alarido, mas as exclamações sonoras escaparam naturalmente de Ti. Os Teus olhos humedeceram, corrompendo a maquilhagem já desbotada, enevoando a visão do meu olhar devotadamente fixo. Os Teus joelhos flexionaram contra o meu braço, numa vã tentativa de protecção do assalto de prazer, mas as Tuas ancas, com plena noção da sua função, arremessaram contra mim. O Teu portentoso clímax rapidamente salientou a libertação sob a minha tirania lasciva.
 
Parei todos os movimentos. Dedos bem enterrados em Ti, enquanto montavas as ondas de êxtase. Acolhi-Te no calor do meu peito e temperei o Teu pescoço, rosto, olhos e finalmente lábios, com a brandura de uma sequência de beijos. Quando finalmente descravaste essas garras das minhas costas, espiralei por uma derradeira vez os meus dedos dentro de Ti, colhendo o máximo possível do teu xarope pecaminoso. Graciosamente, abriste a boca e sorvemos em conjunto cada uma das gotas desse elixir, rematando o festim com um beijo tão profundo que despertou novamente as Almas exauridas pelo fulgor da batalha sexual…
 
Sete vezes.
Sim, eu contei… mas quem Te disse que o Encore já havia terminado?
Aliás… quem Te disse que o Encore já havia começado?!...

Usa bem a Tua imaginação...


... pois estás sempre bem acomodada na minha...

sábado, 11 de maio de 2013

Appassionato



Em crescendo, apodero-me do Teu cabelo como se de um instrumento se tratasse. Cordas retesadas em acordes orfeicos. Explorações afincadas das vibrações que farão reverberar o Teu cerne. Pizzicato fervoroso da tensão, até lograr o pico da nota que pretendo. Com o Teu corpo em dobrado sustenido, numa nota tão elevada que a chegas a temer… mas pela qual anseias profundamente ser dissolvida nesta polifonia.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Esculpida



Ela temia o desfecho.
Ela receava a Perfeição.
Desacreditava-a.
E apesar de interiorizar aquele avolumar, tentou suprimi-lo.
O medo quando se alia à ingenuidade encarcera-nos no mundano.
Ela não sabia.
Ela não previa.
Esses patifes egocêntricos e inaptos nunca lhe souberam demonstrar do que era realmente capaz.
Até que avistou o seu olhar ardentemente contemplativo. Desinibiu-se e dobrou-se à sua volta… à mercê dos seus vincos… e desintegrou-se em mil e um pedaços. Sentia-se encharcada pela excentricidade de uma espécie de baptismo, depauperada de hiatos e opulentada de exaltações. Todavia, estremeceu assim que vislumbrou o cinzel. Sendo imediatamente aquietada por ele, pois ele jamais lhe cria dor. Quanto muito, será uma espécie de Criador!
Ávido por restituir e revigorar cada um daqueles mil e um pedaços.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Nome da Fome



Quanto Te desejas alimentar de mim?
Há quanto Te desejas alimentar de mim?
Mastigar-me…
Enlear-me na Tua língua…
Demolhar as Tuas papilas gustativas…
Lubrificar os Teus lábios…
Marinar a Tua garganta…
Culpas-me pela Tua mente desfocada?
Suplicas pelo sustento da minha pele e ruboresces quando Te imaginas a implorar-me de joelhos?
Suspiras que me entranhe em cada um dos Teus poros?
Quão desesperadamente desejas consumir o meu Corpo e a minha Alma?
Certamente jamais ficarás subnutrida, sempre que Te escutar a consagrar o meu nome aos demónios que exorcizas de Ti.

Eu... Teu...



terça-feira, 7 de maio de 2013

venDADA



Fogo-de-artifício coruscava de prazer a Tua paisagem encoberta.
Quando Te amarro, faço-o por mim. Pelos laços da minha avareza. Para Te dominar sem freios. Para Te lamber até Te dissolveres no meu rosto, sem possibilidade de Te tocares. Para Te esquentar em palmadas sem o estorvo de uma mão inoportuna. Para dares o rabo à palmatória. Para Te soprar um bafo morno pelo interior dessas coxas onde há pouco deslizava gelo. Para Te invocar com dois dedos dentro de Ti, enquanto a palma da minha mão esfrega o Teu clítoris até Te vires e vires e vires, sem possibilidade para afastares a minha mão quando julgas ser demasiado.
Quando Te amarro, deixo-Te vulnerável… Minha! O meu Desejo, a minha Extravagância, o meu Capricho! Subjugada! Torturando-Te, quando me masturbo a centímetros do Teu rosto, sem que me possas tocar. Indefesa e soçobrada no efeito de Pavlov.
Quando Te vendo, faço-o por Ti. Envolvo-Te em generosidade. Numa extensão dos Teus restantes quatro sentidos, acirrados para além dos seus limites. O Tacto, exponenciado pelo contraste entre uma chibatada desabada inesperadamente e o afago de uma pena deslizando pelo fundo das Tuas costas. O Paladar, exponenciado sem o estorvo dos olhos… como se provasses pela primeira vez a doçura de um beijo, o salgado da nossa transpiração confluente, a cremosidade agridoce do meu néctar. O Olfacto, exponenciado pela frescura dos nossos lençóis, pela pureza do cheiro a orvalhada matinal que provém do exterior, pela fragrância sexual que adeja pelo quarto. A Audição, exponenciada pelos mais subtis gemidos que liberamos, estimulada pelo constante vaivém chapinhado, atiçada pela nossa respiração entrecortada.
Tu julgas que o facto de não veres o que está para acontecer Te livra de responsabilidades.
Estás enganada! Tão enganada…

Nácar



Certo dia, li algures uma verdade insofismável. Uma espécie de Farol para os dias mais encarvoados. Poetizações do mundano, nas quais encontro desafogo quando me sinto sufocado pelo desassossego. Uma Pérola é um testamento de Beleza produzido a partir de uma vida amargurada. É a lágrima resultante da mágoa de uma Ostra, vertida como forma de protecção contra corpos estranhos que colocam em risco a sua integridade. O tesouro da nossa Existência é igualmente produzido por uma compilação de mágoas. Se nunca nos tivessem tentado ferir, se nunca tivéssemos sido magoados, jamais produziríamos a Pérola.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Primavera

 
No elevador…
Atrás daqueles desconhecidos…
A minha mão sob o Teu vestido…
A necessidade de silêncio era cruel.

Casa

 
 
Sou um traste, pois não permito que percorram os meus corredores como Ela o fazia. Ela era a minha Casa. Nasci dentro dEla, sem que Ela se apercebesse da minha presença. Aquele sorriso descerrou todas as minhas portas e ainda hoje, bem longe dEla, juro que avisto aquele Sorriso quando olho para trás. Mas tive de voltar a fechar todas as portas e mudar-me para bem longe, pois Ela deixou-me sozinho naquela Casa… voou para além de mim. Agora sou um Nómada com uma mochila de lágrimas.  E encontro promessa de conforto na Lua Minguante… pois vislumbro nEla um peculiar Sorriso. Talvez seja a minha Verdadeira Casa a alumiar-me o Verdadeiro Caminho. Talvez deixe de ser um traste… talvez mereça uma Casa...


sexta-feira, 3 de maio de 2013

(Meu) Amor de Perdição



Porque hoje é sexta-feira…
Porque me manténs cativo em liberdade…
Porque me deixaste voar, literalmente, para me encontrar…
Porque me foste esperar quando aterrei e me levaste novamente a voar…
Porque me provaste como preciso de ignorar quem não me souber valorizar…
Porque me provas…
E hoje é a minha vez de Te provar!
A Tua língua jamais conseguirá expressar aquilo que a minha língua fez, faz e fará conTigo…
A questão passará por tentar perceber se Te desejo ouvir gritar nesses orgasmos torrenciais, ou se prefiro ter a cabeça comprimida entre as Tuas belas coxas, de forma a não escutar qualquer som. Pela eloquência dos espasmos do Teu corpo fluirá certamente a resposta almejada.
O resto… bem, o resto é estática!