segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Mordi(dEla)


Morder é uma forma de comunicação. Uma dentada surge como expressão quando beijos esfaimados deixam de exprimir eficientemente a fome. Quando os lábios na epiderme deixam de satisfazer apetites carnais, enterramos os dentes na pele que nos acirra. Pois existe um animal esfomeado no âmago de cada um e quando evade do seu cativeiro não traz açaime. Inicia-se então um jogo entre a presa e o predador, onde as marcas resultantes são lembretes de um festim.
Onde alguém foi caçado.
Abatido.
Tomado.
Possuído.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Dilúculo


«Afasta as Tuas pernas!»

No início, Ela ficava chocada com a forma como se sentia sacudida pelas minhas ordens. Hoje em dia, a assimilação desses momentos é tão natural como a sua necessidade de respirar.
Viajávamos há três horas. Era Verão. Optámos por contornar o itinerário estipulado e percorremos a Costa Vicentina. A luz da aurora trespassava o seu vestido estival e o seu sorriso denunciou a perceção da minha alvorada pessoal. As minhas mãos haviam transitado pela sua pele ao longo daqueles quilómetros, mas nunca sob o tecido que a ornamentava naquele dia. Ela abriu as suas pernas e olhou pela janela, numa inocência dissimulada de Lolita que me acirra. Gemeu então, nuns decibéis que teriam provocado uma avalanche. Felizmente, as ondas do mar eram as nossas únicas confidentes.
Ondas que tentava replicar no seu corpo com o auxílio de dois dedos.
Perguntei se Ela se viria para mim. O seu aceno afirmativo surgiu pouco antes dEla sentir o seu corpo iniciar a levitação. Estirou o tornozelo, contraiu os dedos dos pés e tenho a certeza que nem sentiu a forma como descalçou os seus saltos vermelhos. Aprofundei a investida, acelerei a cadência e os filamentos reluzentes escorreram pelos meus dedos em câmara lenta.
O resto foi uma névoa. Travão de mão. Chave retirada da ignição. Toalha de praia retirada da mala. O seu vestido na areia. Aqueles olhos revirados em cada estocada. A sua cabeça na minha mão. O seu cabelo ruivo no meu punho.
Uma palavra minha: Mais!
E os corpos nem precisaram de permissão… explodiram!
O seu batimento cardíaco era tão retumbante que nem escutou a minha questão… e então apagou.
Acordou com o céu já bem azul e a brisa marinha refrescando os seus lábios intumescidos. O primeiro choque foi cogitar se alguém a havia observado. Os seus olhos focaram-se. Vigilante, encontrava-me deitado ao seu lado. O meu tesão latejava contra a sua perna. Ela sentiu as suas mamas empoladas e os seus mamilos enrijecidos, enquanto inspirava profundamente para responder à questão lançada antes do apagão:

«Sim… quero mais!»

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

(A)Corda


Durante quanto tempo viveste amarrada com as Tuas próprias cordas, atada nas masmorras do Teu coração e enlaçada num desejo inexorável?
Permite-me que providencie quotidianamente a lâmina.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Posição sobre uma Posição


Não concebo uma situação na qual a posição de “conchinha” não resulte em foda.
Talvez seja uma opinião enevoada pela minha libido e pela minha mente perversa, mas se esta posição não redunda em sexo, as pessoas que partilham essa cama ou padecem malogradamente de um infortúnio patológico, ou ignoram uma disfuncionalidade tácita relativa à ausência de genuína atração. Não retenho inocência na forma como o Teu rabo pressiona o meu falo. Afinal de contas, as manifestações de testosterona não se limitam a uma ereção granítica. Ou seja, o meu alvoroço torna-se igualmente evidente no calor que emano quando me encurralas na proximidade das Tuas cavidades necessitadas. Intimidade escala rapidamente para Paixão, porque nenhum laivo de doçura ou romantismo utópico poderia conciliar o desassossego do chamariz entre dois corpos. A única forma de cessar a resposta do Teu estremecimento é pressionar-Te firmemente contra mim… descerrando sensorialmente o enraivecimento da minha excitação, enquanto Te espremo a mama como advertência para Te manteres imóvel. A partir daqui, entre sussurros roçagados, a foda é inevitável e o movimento requerido é mínimo. Basta afastar um pouco as Tuas cuequinhas (se estiveres a usar alguma), apartar ligeiramente as Tuas pernas e preencher-Te. Será uma foda lânguida, mas bem firme, resoluta e convicta. Com uma mão no Teu pescoço e os dentes no Teu ombro, providenciando a mais subtil pungência de dor para Te alertar sobre possíveis atalhos dos trâmites projetados.
Pois no final da estrada orgásmica, estacionarei no interior do Teu abrigo e adormecerás com a extensão do meu Amor posicionada bem dentro de Ti.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Pr(o)émio


No início, éramos apenas dois estranhos com 50% de hipóteses de fracasso após o sucesso.
Todavia, quem perderá tempo nessas cogitações quando os lábios comunicam um naufrágio em Desejo com a eloquência de um beijo?

Mergulhamos um no outro. Os Teus lábios reverenciavam as veias do meu pescoço… os meus lábios, auxiliados pela minha língua geravam um tornado na sucção dos Teus mamilos. Cada trejeito estremecido pelo Teu corpo implorava que Te consumisse, mas quando a palma da minha mão Te deteve, voltaste a assimilar que a tortura é o meu método preferido de homicídio sexual. A minha ereção estacou à Tua porta… entreaberta para mim. Espequei, como se fossemos bons vizinhos e respondesse a um pedido de auxílio pela carência de mel no Teu lar.

«Por favor…»

Esta solicitação por clemência guiou os meus olhos para as janelas da Tua Alma. Perdidos numa atmosfera ébria de fogo, luxúria e claramente Amor, fundimos Tempo e Espaço. Pulsei dentro de Ti e senti-Te inteira. Repleta. Completa.

«Posso prender-Te em mim? Jamais abdicarei de ti!»

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Questões Dedilhadas



Se eu consigo fazer o Teu corpo dançar acenando apenas com um dedo, o que julgas que irá suceder quando empregar os restantes?

Talvez a questão mais interessante seja a seguinte:
Que palavras irás verter para os obter?

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Amor à Primeira Foda


Talvez seja sobrepujado pelo ciclone de confiança e carisma… ou enfeitiçado pela constelação de pirilampos que gravitam na sua aura… ou extasiado pela língua molhada que trilha a autoestrada para o seu coração… ou embevecido pelos gemidos que se convertem em árias gloriosas…
Ou talvez não se transcenda com Sexo sem Amor… e Amor sem Sexo…

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Digressão pela Inquietação


Desembainhei e marquei-Te com uma insígnia que escorria fervente pelo teu peito. Minha. Imbuída pela ânsia de me enclausurar no Teu cerne, retomaste o fôlego e desenrolaste a língua. Desesperada pela gravação sensorial do enredo sexual. Contudo, em vez de me delongar sobre Ti, usei a mão como bálsamo para acomodar o Teu latejar.

«Veste-Te.»

Minutos depois, calcorreávamos a calçada, com a minha mão no fundo das Tuas costas. Encaminhava-Te. Os Teus lábios escarlates mordiscados denunciavam desassossego. A cidade resvalada por Nós… envergonhada… encolhida… embaçada. Paramos no caminho para cumprimentar uns amigos. Tu desejaste que o Teu rubor delator fosse justificado pela brisa fresca da marginal. Cruzamo-Nos com um mendigo. Até aquele homem se sentia menos sujo do que Tu. Cada um dos Teus passos era acompanhado por palpitações entre as Tuas coxas. Quando entramos no restaurante, qualquer ser humano proficiente reconheceria o Teu estado pela visão e até pelo olfato. Deslizaste para o Teu lugar. Sob a mesa reivindiquei um dos Teus pés e senti-Te tão hipnotizada pela neblina da minha respiração que quase Te escapava o meu sussurro:

«Cuequinhas.»