quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Ser Amado...


... é ter um lembrete literalmente alojado no corpo dEla, ao mesmo tempo que Ela me aloja na sua mente.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Yin-Yang


Falo de uma jornada que começa Aqui e se destina Acolá.
Aqui, representa tudo aquilo que és, cada montanha e cada recesso, o bom e o mau.
Acolá… representa Algo mais! Representa aquilo que queres ser em detrimento daquilo que és. Disposta a rasgar a pele, trucidar inseguranças, neuroses e falhas, harmonizando-Te no tipo de formas que preenchem as fendas do próximo.

Por muito independentes que alguns erróneos gostem de se apelidar, estamos Todos interligados. Todos dependemos de alguém. Um é reflexo do Outro. Os sentimentos e emoções que deambulam pela mente do Ser vibrarão no inconsciente coletivo, fazendo com que o cosmos vibre num ritmo sincronizado. Reduzindo a observação relacional a um nível microscópico, costumo escutar que uma relação não deveria assentar na descoberta de alguém que nos complete, mas alguém que nos acentue, realce e reforce. Que encontrar o Yin cósmico para o nosso Yang cósmico não será assim tão saudável, pois o princípio assenta à partida na crença fundamental de que não seremos assim tão completos por conta própria. Todavia, adotar o papel que suplica pela outra metade representa um esforço consciencioso. Um jamais será pleno sem o outro, pois definem-se pelas naturezas simbióticas. Eu dependo de Ti e Tu dependes de mim. Atados e rogados na cama. Pois a corda tanto necessita de uma vítima como de um manipulador.

Será que tudo isto significa que há um desequilíbrio intrínseco nesta forma de vivência? Será que apenas estamos reconhecendo como somos incompletos, como precisamos de alguém, e que tal busca representa um sinal de fraqueza? Talvez. Mas eu desafio qualquer um a encontrar uma individualidade que se mantenha em perfeito equilíbrio, mediando o mundo com o olhar cego da justiça. A vida é desequilíbrio. É o caos, o acaso, repleta de sistemas aleatórios que chocam para produzir resultados aleatórios… tudo amalgamado até que nos enxergamos no centro desta bela chama e deixamos de ter a certeza se representamos a própria chama ou o pavio. Felizmente, uns quantos de nós encontra alguém que lhes providencia um fósforo...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Paraquedas


Boa escrita é como saltar de um avião apenas com uma agulha, linha e um pouco de tecido. O propósito consolidará sempre algo memorável. Há que urdir palavras como se a própria vida dependesse disso. De Premência para Vivência, em vez de sobrevivência…

O meu ímpeto será sempre purgar o meu âmago, pois o contrário seria inconcebível. Reduzir as possibilidades de omissão de uma saída, algures, particularmente daquelas ocultas em vielas que providenciam portais para escaparates idílicos. Preciso de tatear as paredes… de achar a entrada congruente… e barricar-me com mente aberta, olhos deferentes, dedos comunicativos e corpo eloquente.

sábado, 26 de outubro de 2013

(Justa)Posição



Eu atendo-A… alimento-lhe a fogueira que a mantém inflamavelmente excelsa… escoro as bordas da sua consciência, de tal forma que jamais o mundano será capaz de A implodir ou colapsar… Emprego-lhe a minha dicção como fogo num balão de ar quente, mantendo-A a flutuar.

Sempre que estivermos juntos, não preencheremos o vácuo… pois o vácuo simplesmente não existirá.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Comida


As cozinhas conseguem satisfazer mais do que um tipo de fome.
Como a maioria das laricas, acredito que o apetite por uma boa foda será apenas saciado temporariamente. E pode ebulir nos períodos mais extemporâneos, como no próprio momento da confeção de uma refeição. Poderá ser acionado por detalhes. Seja pela forma como o avental enquadra o Teu rabo… ou pela forma os meus dedos firmam os vegetais que lamino. Talvez tenha a ver com a altura do balcão, ideal para Te empinar na minha direção. Talvez seja inevitável mexer conTigo, quando me atentas a mexer os ingredientes. Ou talvez seja a execução do próprio ato doméstico em conjunto que propulsiona reações sexualizadas na Nossa insuprível essência lasciva.

Inevitavelmente, as minhas mãos irão reivindicar o Teu corpo e as Tuas mãos irão deambular pelo meu. Até surtir a comutação tangível… onde enjeitamos a igualdade e eu faço jus ao estatuto de macho alfa, arrimando-Te no chão. Claro que Te irei contundir. Os ladrilhos irão magoar os Teus joelhos enquanto esperneias ao liberar-Te do avental apelativo e afasto a tua cuequinha para o lado. Será sempre o jogo de contrastes que torna uma degustação memorável. Saltearei os Teus sentidos e salpicarei cada estocada minha com um gemido Teu… até ao momento em que vislumbrarás o Nosso reflexo convulso no forno e suspirarás. Porque os olhos também comem… e reavivam-Te que Te tomarei onde, quando e como quiser. Que o quarto não será o único local onde Te tratarei como uma Puta… como a minha Puta!

Sim, a cozinha vai esquentar…
Sim, tem tudo a ver com comida… e como serás comida!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Asterosismologia


Sou um caçador de borboletas… um couteiro de Endorfina… um astronauta da Tua órbita...
Sou o calor que irradia pelo Teu sistema como aquele primeiro gole num bom copo de vinho tinto… que descontrola o Teu espectro de frequências… aquecendo-Te, desde os Teus dedos dos pés até aos Teus restantes membros, numa oscilação estrelar. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

exCITAÇÕES


(...)

Desaba toda sobre mim
Vem resolver o meu dançar
Que o corpo sobra se não dobra

Nós fomos feitos para estragar
Desaba
Desaba toda sobre mim

Vem resolver o meu compasso
Num ângulo morto de visão
Que nos apague o embaraço

Desaba
Pudera eu tornar imenso o espaço

Caber-te inteiro.

(...)


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Food(er)


Irás esperar.
Porque assim determinarei, obviamente. Deitada de costas, joelhos para cima e coxas afastadas. Ordenar-Te-ei para pressionares a palma das Tuas mãos contra as Tuas coxas e para ficares imóvel. Quieta e exposta. Provavelmente deixar-Te-ei a marinar durante uns bons minutos. Ocupar-me-ei com algumas tarefas corriqueiras, apenas para Te torturar. Afiando facas na cozinha, batendo as portas pela casa, fazendo zapping sem prestar atenção, concluindo distraidamente atualizações no smartphone. Todavia, serás o único elemento da casa que se encontrará efetivamente ativado… e esquentado, segundo após segundo. Poderei fingir estar ocupado, mas observar-Te-ei atentamente, ciente da altura em que deixas de marinar e começas a estufar… em lume brando.

Constatarei a turgescência dos Teus mamilos. A disparidade no intumescimento das Tuas mamas modelares, graças a um coração em suspensão. Notarei esses dedos crispados, na resistência à tentação para tocares naquilo que não Te pertence. Atentarei no minúsculo tremor dessas coxas à medida que a Tua posição se torna desconfortável. Observarei no Teu peito a subtileza dos movimentos de um coração palpitante, consciente que algures no Teu corpo há um latejar equivalente. É justamente esse pulsar específico que velarei fixamente… furtivamente. Essa pequena janela aberta para o Teu âmago concupiscente. Devidamente orvalhada. Tudo porque Te proporcionarei uma reflexão flexionada daquilo que representas, daquilo que és, daquele a quem pertences e daquilo que ambicionarás fazer com ele.
Quando surgir uma mancha molhada na cama… a sinalização ficará consumada.
O ponto significará que estarás no ponto para devorar aquilo que é meu.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A Cura


Ela deu um gole no seu chá.
Eu observava-A. Não conseguia evitar. Não queria evitar! Ela era o polo norte geográfico do meu polo sul magnético. O seu cabelo sinuoso sugeria uma devassidão que não conseguia deixar de invejar. E desejar! O vapor que emanava da chávena criava um véu transparente que lhe adensava a aura de misticismo. Esgueirava relances sempre que o líquido quente transpunha os seus lábios de veludo e desaparecia como a corrente de um rio que tomba de um penhasco. Mas acima de tudo, curiosamente, questionava-me sobre quais os ritmos sincopados que aqueles auscultadores lhe faziam chegar aos ouvidos. Ela era indie, mas apostava que naquele instante escutava blues.

Quando a porta se fechou, já Ela se encontrava semi-nua contra a parede e os meus lábios intumescidos sugavam-na avidamente. Quando os nossos corpos suados chegaram à cama, já Ela se havia perdido para o pomar de orgasmos que plantava aos seus pés. Beijava e lambia cada centímetro da sua pele, num sentido vertiginosamente decrescente, delongando-me apenas nos minúsculos seixos dos seus mamilos. Quando atingi o seu capuz clitoriano rodopiei e aticei, invocando ainda mais humidade. Enquanto a minha língua sorvia e os meus dedos a penetravam, com ritmos antagónicos, Ela contorcia-se esmagada pelas sensações. Cada chicotada da minha língua emitia-lhe um arrepio expressivo desde os dedos dos seus pés até às suas sobrancelhas. O frenesim do vaivém dos dedos era estonteante, em ondas que Ela certamente desejaria ver replicadas mais tarde. Os lençóis enredavam-se enquanto a sacudia para todos os lados, no interior do tornado que lhe ministrava. Ela clamou o meu cabelo e mordeu a sua própria carne, mesclando a dor com o prazer que ondulava pelo seu corpo.

Fodemos com o fervor de um Amor imutável… delongadamente, ferozmente, carinhosamente, deliciosamente. De manhã, abandonou sorrateiramente o quarto e a minha configuração adormecida, deixando-me um bilhete na sua almofada:

«The Cure».

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Bom dia!


Preciso da pulsação molhada dos Teus lábios… capturados pelos meus… enquanto matizo a Tua pele com pinceladas idênticas às de Van Gogh, no céu da sua “De sterrennacht”.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Crepúsculo


«A Cidade está a morrer. Segundo a segundo.»

«Não estará tudo a morrer?»

«Sim, mas a morte da Cidade é lastimosa… pois ninguém chora a sua perda.»

«E tu?»

«Eu?... Talvez celebre a sua morte como um sacrifício para contemplação dos amantes. Se ela morre, nós vivemos. Enquanto ela perece, fingimos que os nossos orgasmos são raios de sol e que a dispneia é apenas ar à espera de ser exalado. Se deixarmos a Cidade morrer, talvez consigamos viver para sempre.»

«Poético… mas pura mentira!»

As Tuas mãos aninhavam-se entre as Tuas coxas, com a saia mais elevada que que o expectável para as acomodar. Era o nosso primeiro encontro. Tudo em Ti era desconhecido por mim. Conjeturava como seria o sabor da Tua pele, no local onde alojavas as mãos naquele momento. Imaginava-me a foder-Te… a vir-me em Ti… conTigo. Não era de todo assisado pensar em sexo num momento em que Te encontravas tão distante, mas queria tragar-Te. Precisava tragar-Te!

Beijei-Te. Suavemente. Com uma centelha de chama. Descerraste os lábios, expondo um portal para a minha língua roubar pedaços de Ti. Os meus dedos passeavam pelo Teu rosto. Pelas Tuas orelhas. Pelo Teu cabelo. Inspiraste então profundamente e recuei… até ser capturado pelo Teu olhar e enlaçado pelo Teu sorriso.

«São apenas os nossos corpos sufocando na escuridão. Uma pequena morte…»

«Cada uma dessas sombras valerá certamente a pena. Pois eu morreria com a Cidade e respectivos amantes, só para provar um pedaço de Céu em Ti.»

O Sol afundou no horizonte. Estudaste cada traço do meu semblante e cada linha do meu vulto como se me memorizasses... e perguntaste:

«Acreditas que alguém consiga alcançar o Paraíso na Morte?»

«... Sim, acredito.»

Firmaste a minha mão na Tua. Suprimiste o espaço entre Nós e puxaste-me contra Ti, afundando os Nossos Lábios... Um no Outro. Beijaste o meu pescoço e acendeste um rastilho até ao meu ouvido, com um pedido que provava irremediavelmente como havias entendido a minha resposta.

«Então, mostra-me!»

sábado, 12 de outubro de 2013

Febre de Sábado à Noite


Adoro a ambiguidade de uma Fotografia.
A forma como petrifica um movimento que tanto pode estar a principiar como a terminar, dependendo da perceção da atividade envolvente. Adoro deambular pelos detalhes, sondando as pistas, como uma mão acima do fecho, evidenciando que Ela se vestia em vez de se despir.
Todavia, prefiro imaginar que talvez não fosse assim tão claro quanto isso… talvez Ela o estivesse a atiçar com a subtileza de uma negação.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Diante Mão


Dá-me uma mão….
Pois uma mão lava a outra...
Logo, transita-me de mão em mão.
Não ficarás com uma mão à frente e outra atrás…
Nem ficarás de mãos a abanar.
Ficarás de mãos atadas…
Irás meter os pés pelas mãos…
Irás dar a mão (e o rabo) à palmatória…
E não terás mãos a medir…
Com a mão na massa.
Portanto, mãos à obra…
Serás mão para toda a obra…
Serei pau para toda a obra.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Magnum Opus


Descrevi uma tangente ao Teu lábio inferior com o meu polegar e elevei o Teu queixo, como se estivesse a admirar uma escultura de Rodin. O meu toque mais subtil revelou-se o bastante para Te fazer sentir pequena e vulnerável. Era a resposta suficiente dos místicos torvelinhos da química para Te invadir. Inclinei-me sobre Ti, agasalhei-Te na minha sombra e substituí o polegar pelos meus lábios. O beijo transportava borboletas que já não sentias desde as paixonetas pueris e efémeras da imaturidade. Adejavam pela Tua pele no esboço de um trilho titilado de fascínio. Como poderia esse coração resistir? Como poderias deixar de ceder?

As mãos sondavam o Teu corpo, perscrutando aberturas que a destreza poderia conquistar no intervalo de um pestanejar. Explorava-Te como um pirata que busca o seu tesouro. Não tinha pressas e a resolução confiante balançava-Te nas ondas que capitaneava. Serpenteei a língua pela Tua clavícula e venerei a proeminência das Tuas mamas. As mãos esfregavam a Tua pele, providenciando mais faíscas para uma chama já bem acesa. Esfarelaste as minhas roupas e cauterizaste-me nesse olhar ardente. Removi peça a peça. Detive o olhar nos detalhes da lingerie sumptuosa que selecionaste (algo que a maioria da corja egocêntrica masculina tem o desplante de negligenciar), como se cada filamento do tecido houvesse sido individualmente concebido exclusivamente para o Teu corpo. És uma Obra de Arte… projetada para exultar cada quinhão temporal da minha humilde existência.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

sábado, 5 de outubro de 2013

Físico-Química


Uma Deusa. Uma Feiticeira. Uma Afrodite.
A impossibilidade predominava. Separados pela distância em múltiplas dimensões. Até surgir um Beijo. Um Toque. Um Olhar. E soube que eras minha. A minha Deusa. A minha Feiticeira. A minha Afrodite. Então vertemos paixão em receptáculos de luxúria e retesamos os nossos corpos contra o mundo, à medida que derretíamos um no outro.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

exCITAÇÕES


(...)

You steal me away
With your eyes and with your mouth
And just take me back to a room in your house
And stare at me with the lights off

(...)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Delação


Conseguirás evitar que os Teus dedos dos pés se enrosquem?
Conseguirás evitar que acenem quando Te amarrar espraiada na Nossa cama, enquanto Te acirro com a boca e torturo com as mãos?
Conseguirás lograr imobilidade quando Te fodo lentamente o rabo, forçando o teu rosto desmaquilhado contra o colchão?
Conseguirás evitar que os dedos Te denunciem quando desabo sobre Ti uma saraivada de palmadas e Te trespasso com dois dedos, fazendo-Te implorar por algo mais?
Aposto que também os conseguirei enroscar em dor.
Porque este é um prazer que acarreta um preço.
E aí reside a verdadeira questão:
Estarás disposta a pagar por Ele?