quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Homofonia



Irei amar a Tua boca
Até se encher de vogais
Até constatar assonância
A verter dos Teus Lábios.
Buscarei sugestões
Nos padrões da Tua pele
E declamarei poemas
Que espreguicem os Teus ossos
E corrompam as Tuas tensões
Descerrando-Te
Com a minha voz.
Irei amar as Tuas pernas
Aliterativas
Desde os tornozelos
Até às nádegas
Fodendo-Te em linhas paralelas
Até findares em Rimas.
Irei amar-Te
Até nos perdermos
Numa Homofonia extrema.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

exCITAÇÕES



(…)

My lover's got humour
She's the giggle at a funeral
Knows everybody's disapproval
I should've worshipped her sooner

If the heavens ever did speak
She's the last true mouthpiece
Every Sunday's getting more bleak
A fresh poison each week

(…)

My Church offers no absolutes
She tells me, 'Worship in the bedroom.'
The only heaven I'll be sent to
Is when I'm alone with you

I was born sick,
But I love it
Command me to be well

(…)

Take me to church
I'll worship like a dog at the shrine of your lies
I'll tell you my sins and you can sharpen your knife
Offer me that deathless death
Good God, let me give you my life

If I'm a pagan of the good times
My lover's the sunlight
To keep the Goddess on my side
She demands a sacrifice

Drain the whole sea
Get something shiny
Something meaty for the main course
That's a fine looking high horse
What you got in the stable?
We've a lot of starving faithful

That looks tasty
That looks plenty
This is hungry work

(…)

No Masters or Kings
When the Ritual begins
There is no sweeter innocence than our gentle sin

In the madness and soil of that sad earthly scene
Only then I am Human
Only then I am Clean
Amen.

(…)


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Precipitada em Mim


Havia chuva
Dentro da Tua boca.
Sei disto
Pois há jazigos
Debaixo da minha língua
Que nunca provaram o sabor das flores
Até Te beijar.

Fica ciente
Que não pretendo fenecer
Sem o meu núcleo fendido.
Pretendo perecer
Tão devastado
Que terão de existir
Biliões de purgatórios
Para abrigar todos os meus fragmentos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Além do Princípio do Prazer



A esquina de uma secretária
Beija a Tua anca
Pisando-a.
Eu quero o que é Teu
O fardo que carregas
O foco, a pujança e a determinação
Que desmoronam
Quando pressiono essa nódoa negra.
Podes despir-Te
Do fardo
Das preocupações e prudências.
Podes confiar em mim
E deixar-me Amar-Te
Durante um bom bocado
Enquanto regeneramos
A lívido em Libido.

sábado, 29 de novembro de 2014

(A)Fluente


Poderia vogar em cada curva
Sinuosa
Pescar em todas as suas margens
Ribeiras ou pontes
Contemplar como apreende
A Luz no seu leito
Mas jamais assimilaria o Rio
Até sentir o seu curso
A Sua corrente
Envolta na minha pele.

Para compreender uma Mulher
Não é preciso tocá-La
Mas estar disposto a ser tocado.
Estar disposto a soçobrar.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A Equação da Minha Estação


É um frio elementar,
Novembro.
Não é uma frialdade de Janeiro
Nem uma punição ártica.
Mesmo assim,
És Tu
Quem resolve o estremecimento da solidão
E as noites sem o devido aconchego.
És Tu,
Quem agasalha as fórmulas…
As percentagens de nudez,
De cobertores,
De lareiras crepitantes,
De beijos e mordidas,
De tesão desafiador de sopros gélidos
E de orvalho madrugador entre as pernas.
Preciso de Ti,
Encarregue da Matemática…
Convertendo corpos em graus
E almas dissolventes em lenhas abrasadoras.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

exCITAÇÕES


(...)

You could be my favourite taste
To touch my tongue
I know someone who can serve me love
But it wouldn't fill me up
You could have my favourite face
And favourite name
I know someone who could play the part
But it wouldn't be the same
No it wouldn't be the same
No it wouldn't be the same
No it wouldn't be the same
With you

You could be my favourite place
I've ever been
I got lost in your willingness
To dream within the dream
You could be my favourite faded fantasy
I've hung my happiness upon what it all could be
And what it all could be
What it all what it all could be
What it all what it all could be
With you

(...)

You could hold the secrets that save
Me from myself
I could love you more than love could
All the way from hell
You could be my poison my cross
My razor blade
I could love you more than life
If I wasn't so afraid
Of what it all could be
What it all what it all could be
Of what it all what it all could be
With you

(...)


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

(A)Garrada


As minhas mãos fizeram de Ti a sua casa. Há lugares… pequenas e distintas áreas de pele, que as minhas mãos buscam quando aporto uma palma em Ti. A fachada da Tua garganta, para que esse queixo se erga até me encarares. A zona occipital da Tua cabeça, para garantir que não Te afastas do meu beijo até decidir quando podes tomar fôlego. Os dois pontinhos afundados na curva do fundo das Tuas costas são definitivamente uma região de eleição, mas é quando pressiono o Teu abdómen, com quatro dedos e um estratégico polegar gerando crateras, que mais aprecio a vivacidade das minhas mãos. Trata-se do poder dessa posição… da Tua assunção sobre (e sob) a minha possessão. A nebulosidade dos termos dessa postura é irrelevante, assim como é vaga a Tua descrição sobre a dinâmica das vagas que sentes… mas o momento é deliciosamente translúcido.

Estas mãos representam o prólogo de todas as minhas ações (para) conTigo. Elas representam a vanguarda… as manipuladoras… e as trabalhadoras. Elas derrubam-Te… elas alicerçam-Te… elas elevam-Te. Algo ironicamente conveniente, uma vez que as mãos sempre foram o Teu maior fetiche. Portanto… jamais Te coíbas de percorrer essa língua e esses lábios pelos nós dos meus dedos… sugando-os até polires as minhas impressões digitais, depois Te reduzir a gemidos e convulsões… enrolando-os até me sentires a clicar e esfregar a Tua explosiva protuberância interna… tornando-Te literalmente íntima com (uma d)as pontas do meu desejo… por Ti.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Atalho


Quando tinha 9 anos, deslocava-me de bicicleta para a escola. Demorava sensivelmente 20 minutos a percorrer a distância… isto, na viagem de regresso, quando pedalava com maior intensidade. Chegava a casa cansado e suado, colapsando imediatamente no sofá, sem me preocupar com Nintendo’s, com a abertura do segundo canal televisivo, com leituras ou estudos. Até que certo dia, um amigo me indicou um atalho. Cortava a minha rota pela metade, anulava o esforço previamente despendido e preservava intacto o meu alento para sugar o tutano do meu tempo livre. Todavia, o usufruto não foi gerado pelo tempo economizado, nem pela melhoria na higiene que a sudação colocava em causa. À medida que o novo trajeto se tornava uma norma, enquanto criança fascinada pela magia, senti-me a flutuar… desbravando trilhos secretos subdimensionais … entrelaçando novos filamentos no tecido espaciotemporal. Sentia-me transgressor de algum mistério secular e durante um bom período de tempo vivi cativado pela constante sensação de descoberta.

A primeira vez que fodi, senti a mesma espécie de arrepio existencial proporcionado pelo descobrimento. Algo que esvaeceu na segunda e terceira experiências. Não significa que tenha perdido o prazer, nem que as fodas subsequentes tenham sido fastidiosas. Contudo, a tal sensação de descoberta havia resvalado algures, juntamente com o deslumbramento. As engrenagens da relação sexual haviam ficado rapidamente expostas e a magia havia desperdiçado parte do seu encanto. Nada evidenciava distinção na essência dEla. Era irrepreensivelmente Bela, como algumas mais que pululam pelo planeta, e apesar de me desarmar sorrisos com uma facilidade surpreendente (até para mim), não conseguia designar uma característica que a diferenciasse das demais. Mesmo assim, o fascínio que ela gerava em mim era magnético. Sondá-la, assimilar as suas endentações tornou-se o meu desígnio. A minha mente começou a atuar de forma quase científica, mas quando me encontrava na iminência de urdir uma teoria, Ela subvertia tudo, revelando algo novo, obliterando semanas de pesquisa afincada. A minha obsessão era desconcertante. Observava-a… escrutinava o seu rosto com um foco quase psicótico enquanto os meus dedos sondavam o seu corpo. Procurava cartografar as suas reações às minhas ações e Ela divertia-se em consonância com as explorações. À medida que o Tempo avançava, o entusiasmo enraizava. Ao invés da amarga frustração, era tomado de assalto pela doce alucinação. A sensação de descoberta vestia-me pelos dias e despia-me pelas noites. Nada quebrava o feitiço daquelas horas. Nenhum segundo gerava um bocejo. E a minha ânsia por deslindar cada uma das suas subtilezas, jogava com o âmago do seu desejo. Caíamos de mãos dadas pela Toca do Coelho. Havíamos encontrado um atalho, e inexplicavelmente, não havia destino. Que mais poderia almejar um genuíno Caminhante?

domingo, 21 de setembro de 2014

Satiríase


Promíscuo intelectual
Devorador… de Conhecimento
Personagem quase literária
Satiríaco
Vasculhador de Prateleiras
Como um Tornado
Sugando... Conhecimento
Do Âmago da Alma Almejada.
O Amor
Pode ser inarticulado
Mas sagaz
Pode ser iletrado
Mas loquaz.
A Libido
Essa
É matéria de Bibliotecas
Narrada entre Lábios
Sussurrados
Melados
E exclamados.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Comi(nuí)da


Estas mãos irão fazer-Te fugir. Representam perigo. O diabo esconde-se sob as minhas unhas. Os dedos esquadrinham a pele. Salteiam o Teu corpo como Vikings, reivindicando o que pretendem e destruindo tudo o resto. Sentir-Te-ás dizimada.

Estas mãos irão fazer-Te ficar. Representam segurança. A eternidade esconde-se sob as minhas unhas. Os dedos socorrem-se da Tua pele. Recorrem ao Teu corpo como se de um bote salva-vidas se tratasse. Sentir-Te-ás deificada.

Haverão contradições em cada movimento. Os lábios serão simultaneamente possessivos e libertadores. As estocadas de tesão pela tua boca adentro serão simultaneamente aterradoras e eletrizantes. Emanarás fúria pela minha presunção e devoção pela minha deliberação. Não haverá uma refrega entre o Teu cérebro e o Teu corpo. Nada disso! A Batalha será disputada entre cada átomo da Tua essência, numa plataforma molecular. Sentir-Te-ás fragmentada. Todavia, jamais Te subestimarei. Não és uma boneca de porcelana que corre o risco de ser despedaçada ao mínimo sopro. Não necessitas constantemente de dedos a cumprir a função de penas, nas múltiplas carícias que granjeias. Eu agarro, aperto, espremo e esmago. Eu cravo, arranho, sulco e trespasso. Dedos e palmas, punhos e dentes. Pois há que roer o osso e provar o tutano, para honrar a Carne que nos proporciona um verdadeiro Festim.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Adjetivação


«Deixas-me nervosa...»

Aquelas palavras transformaram os seus pensamentos em maratonistas. É claro que há alguma culpa residual no conceito que ele delineia para confiscar o seu foco, mas é um método incontornável do ponto de vista psicológico. É como caminhar numa corda bamba que fica mais delgada a cada passo, até que o pé assenta em solo firme e diante do seu olhar se espraia uma vasta paisagem de possibilidades.
Tem tantas coisas para dizer. Tantas formas para se apresentar. Tanto te(rr)or que faria a mais incauta e frígida correr desalmada para as montanhas, ou mergulhar no mais profundo dos mares, para não ter de escutar aqueles vocábulos impregnados de lascívia e perversão. Daí ele hesitar com algumas interações, pois o seu cardápio não expõe apenas ideias para entretenimento, mas realidades que se manifestam. Há segredos, omissões e excentricidades que sem a devida conexão apenas seriam alumiados com o rótulo equivocado de predador. Ela sentia-se nervosa? Será que tinha dado um passo em falso, sem solo ou corda que o valessem? Aquele passo que efetivamente desmontaria a construção minuciosa da sua ilusão? Ou será que tudo não seria tão dramático assim, revelando-se apenas a semente de dúvida que germinava finalmente a constatação de um equívoco passional, após mês e meio de gestação cupidínea?

«Deixas-me nervosa…», - declarou novamente, acrescentando desta vez um sorriso.
«Aliás, o adjetivo não é o correto. Deixas-me excitada!»

quarta-feira, 19 de março de 2014

Prestidigitação



«Como é que ele faz aquilo?»

Coloquei esta questão ao meu pai num dos primeiros espetáculos de magia de que me recordo. Quando a minha mente rodopiava na tentativa de assimilação da destreza ilusória, das pombas inesperadas, dos lenços em catadupa e de todos os clichés que não tinha idade suficiente para reconhecer. Como resposta, recebi um daqueles cumprimentos que despenteiam o cabelo de um pirralho, um sorriso e um piscar de olho. Sempre fui apreciador de uma resposta sem vocábulos, mas olhando em retrospetiva, apercebo-me que a minha questão não foi devidamente compreendida. Ele assumiu que me referia à metodologia dos truques, todavia, a efemeridade nunca foi um dos meus propósitos. Indagava-me sobre como é que ele fazia aquilo… sobre como é que ele enfrentava o palco, conjurava os seus estratagemas e projetava um ar de mistério e sobressalto, como se tudo também fosse uma surpresa para ele, desconhecendo inclusivamente o logro. Como é que ele dominava toda aquela atmosfera de assombro e se mantinha tão entretido como a sua assistência?

Como é que eu faço isto?
Como é que a fuzilo com palmadas até ficar encandeado pelo vermelho encarniçado da sua pele, sabendo que irei asfixiá-la com afeição desmedida no instante em que a sentir a esfiapar pela sua orla rendilhada? Como é que lhe desfiro uma saraivada de insultos lascivos, sabendo que lhe estenderei um guarda-chuva sempre que avistar como vacila quando lhe testo com algo menos genuíno? Como é que lhe crio uma atmosfera de violência deliciosamente transgressora, sabendo que não há perigo na formação de nebulosidade repleta de trovões do temor?
Não se trata apenas de técnica, nem de experimentalismos extáticos como ignorar por breves instantes a evidente glande clitoriana, concentrando atenções na tração do capuz clitorial, invocando o dilúvio com dois dedos enfileirados na invasão de uma formação em “u”, enquanto a palma da mão roçaga ensandecida.

Trata-se mesmo de Magia. Não propriamente de Feitiço. No meu entendimento, a astúcia das manhas perdia o seu lustre no momento em que o segredo da sua execução fosse revelado. Logo, qual a razão para o Artista porfiar, quando tinha conhecimento de cada um dos rolamentos da engrenagem? O enigma para o desempenho do mago tinha obviamente de ser solucionado de mangas arregaçadas e sem qualquer venda, pois era tudo uma questão de perspetiva. Eu não deveria estar atento ao Mágico, mas à sua plateia. Ele buscava as suas réplicas, pois apesar de entenderem como tudo não passava de uma artimanha efémera, a sensação de deslumbramento arrebatava-os do mundano. Ações demandam Reações. E tudo aquilo que desejo é viver em cada uma das dEla. Desde os seus suspiros terrenos, até às suas erupções transcendentais.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Sexo de Perdição


Prismas… há prazer e há dor… há ternura e há crueldade… faces graciosas de uma moeda conceptual… transformação… o meu próprio momento Jekyll/Hyde…

terça-feira, 4 de março de 2014

exCITAÇÕES







(…)

I meet you. I remember you. Who are you? You’re destroying me. You’re good for me. How could I know this city was tailor-made for love? How could I know you fit my body like a glove? I like you. How unlikely. I like you. How slow all of a sudden. How sweet. You cannot know. You’re destroying me. You’re good for me. You’re destroying me. You’re good for me. I have time. Please, devour me. Deform me to the point of ugliness. Why not you? Why not you in this city and in this night, so like other cities and other nights you can hardly tell the difference? I beg of you!

(…)


“Hiroshima Mon Amour”, de Alain Resnais