sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

reVESTE


Contemplar uma Mulher a vestir-se é algo deliciosamente caricatural. A tentação para comparações com o “Feiticeiro de Oz” aparenta ser descabida, mas assenta na alusão às cortinas que se descerram para expor a real identidade da personagem responsável pela magia. Eu deambulava pelo quarto, rodopiando álcool num copo e fingindo ser parte de uma conversa que não escutava. Jamais tombarei na vulgaridade de apenas certificar uma Mulher como pináculo de Beleza sem produção, mas os adereços, a maquilhagem, os perfumes e as joias servem apenas para ofuscar em vez de enaltecer. Uns bons Saltos e umas boas meias completam bem o ramalhete… e quanto muito, um bom cinto de ligas… pois um soutien jamais representará uma peça de sedução indispensável. Uns belos seios não merecem, nem necessitam de um disfarce como objeto de sedução ou provocação. Umas belas mamas já representam por si só um elemento sedutor e provocador… e raro(!), diga-se em abono da verdade. 

Sempre considerei que ser desonesto com uma Mulher, traduziria desonestidade comigo próprio. Portanto, naquele instante, concentrava-me na transformação. Aquele momento que se encontra a meio caminho entre a Mulher que era e o objeto de Desejo que deseja ser. Suponho que essa é a razão pela qual gosto de vestir uma Mulher… para perverter a minúcia da aparente inocência. Para amplificar a sexualidade do momento. Degustando a desconstrução… a forma como batem em retirada de si próprias e se enleiam no lado animal, na graça felina do exagero presente no ornamento.

A luz da cozinha era incaracterística. Demasiado estéril. Desprovida do calor da luz do quarto. Ela entrou toda aprumada. Pavoneando-se. Cintilava. Cada centímetro da sua pele estava regado com refulgência. Encontrava-se em exposição, com tudo espremido nos devidos lugares. Não consegui evitar um sorriso e escoar o resto da bebida que se encontrava no copo.

«Estás Divinal!... És Divina!!»

Era uma declaração. Todavia, tratava-se de um testemunho que pertencia há dez minutos. Quando Ela se encontrava mais focada em enfiar as suas pernas graciosas naquelas meias justas. Esses dez minutos representavam o tempo que as palavras demoraram a chegar aos meus lábios.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Sobre o Sobrenatural


Arreganho as minhas presas
Aguardando pacientemente pelo dia
Em que as afundo no Teu pescoço.

Desvio o meu olhar
Para que o fogo que arde nos meus olhos
Não encontre o fio condutor da sudação das Tuas mãos
Reduzindo os Teus ossos a poeira.

Talvez venhas a ser uma Fénix
Mas eu sou um bosque de Wendigos
E irei devorar o Teu peito
Até sentir o travo a cobre
Dos Teus derradeiros suspiros.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Dedos de Conversa


«Estás bem?»

Ela mal conseguia escutá-lo através do vácuo ensurdecedor da ausência de pensamentos. Estava exausta. Literalmente, completamente fodida. Orgasmada até ao esquecimento. O seu corpo tremia em vagas inexoráveis, a sua pele estava embebida em suor e a sua maquilhagem encontrava-se agendada para demolição.

«Hmmm…»

Apenas conseguiu murmurar um número restrito de consoantes para tentar mitigar a sua preocupação. Claro que Ela aprecia as conversas roucas do pós-coito, mas naquele instante, quanto muito, apenas desejava saber o que as suas mãos tinham para dizer. Naquele instante sentia as palavras como algo intrusivo, como uma agulha na bolha de conforto que a aconchegava. Ela apenas desejava enterrar o rosto no seu peito até descorar aqueles dedos molhados no seu cabelo… e de como ele os havia encharcado.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Manhã Enrubescida


Para um cético, há uma apreensão perpétua sobre a associação de pequenos detalhes extraordinários a superstições do folclore popular, em detrimento da explicação científica. Ele passará uma grande porção da sua existência reforçando as suas crenças, examinando o alicerce de tais estruturas e assegurando-se da solidez do seu solo, pois jamais estabeleceria domicílio na instabilidade de um Lar à beira-mar. Pobre coitado! Jamais entenderá como a Grande Beleza é indomável e ameaçadora… mas profundamente compensatória.

A Luz sangrava pelo chão do quarto antes de subir em espiral pelas paredes, mergulhando-o numa sinistra névoa carmesim. A manhã havia chegado antes de mim e no instante em que abri ligeiramente os olhos o quarto encontrava-se subjugado pela Luz. A noite havia sido tão agitada e atulhada por eventos que o meu foco encontrava-se cingido a uma cama. Não se lavaram dentes, não se fecharam cortinas, nem se retiraram todas as peças de roupa antes de convocarmos o edredão como terceiro elemento do ménage. Ela ainda desempenhava o papel de Bela Adormecida, com uma respiração cadenciada que a balizava como causa perdida durante mais umas dezenas de minutos. Não tive coragem, nem desplante para acordá-la. Aliás, quase nem tinha coragem suficiente para me arrastar em direção à consciência, fugindo do aconchego do torpor. Deslizei do edredão com relutância e estaquei. O frio é sempre o primeiro projétil desferido contra a nudez, deixando o meu membro vulnerável e estremecido… aquele habitual queixoso empertigado de todas as manhãs, que havia sido completamente ignorado por mim naquele momento. A Luz intrigava-me e a minha curiosidade sempre se antecipou ao meu conforto. Era em virtude disso que me encontrava ali, desnudo a esfregar os olhos. Era em virtude disso que Ela se encontrava na minha cama, em vez de outra Mulher que estivesse mais interessada em bebés do que em orgasmos.

Espequei à beira da janela e apesar do ocre matinal encontrava-me algo esbatido. Era uma figura pálida contra uma onda escarlate. Era como se estivesse em busca de uma simbiose com a manhã, desprendendo-me lentamente do abraço da noite. Lá fora, a terra estava banhada em sangue. O verde da relva do jardim batalhava com a enxurrada de Luz avermelhada. O céu era devastador. Espreitei acima do meu ombro e contemplei como a Luz se fundia com o seu cabelo ruivo, tornando-A bem mais fogosa. Era quase sobrenatural. E ali me quedei… delineado pelo céu ruborizado de forma insólita, até que o Sol dissipou o drama e a paleta de cores voltou ao normal, escoando o vermelho soberano. Estava na hora de arder no fogo remanescente que Ela possuía.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

1+1=1


Três pessoas já representam uma multidão e eu detesto chavascal. Impera o estrépito sobre a Sinfonia. Privilegio a discrição. Escolher meticulosamente quem falo, cortejo ou estimulo. Percecionar no meio do caos a Mulher Ideal, para quem a escassez é uma evidência económica… reduzindo a Oferta para amplificar a Procura. A Mulher Ideal para mim não confunde transposição de limites com estardalhaço no chiqueiro. Ela mescla ideias que à partida não aparentavam encadeamento, sem receio de submergir em conceitos, sem receio de se enredar numa teia complexa de conotações e crenças cujas pontas não consegue encontrar para sequer pensar em tentar desatar. Sem receio de ficar emaranhada num Nó Górdio, sem a espada de Alexandre por perto para o cortar.

A Mulher que se deixa eleger, que dobra o Tempo, que evidencia paciência e julgamento será sempre aquela que se afirma diante de mim. Não se deixa submeter perante qualquer um. Executa a distinção entre convencido e confiante. Entre fundos e fundações. Quando leva o seu tempo, quando rejeita os avanços dos indignos que apenas salivam sofreguidão ou larica… fico arpoado… aliciado… acirrado… interessado! Não por ser necessariamente o Homem que poderá preencher a necessidade que pulsa no seu peito ou entre as suas pernas. Mas porque Ela acabou de colocar a sua submissão nas Luzes da Ribalta, como algo meritório. E para mim, autoconfiança embrulhada numa genuína concessão de vulnerabilidade será sempre o pináculo sinfónico de qualquer momento intimista.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Tembo


Ela estava de joelhos e os meus encontravam-se na linha do seu peito. Olhava-me em contrapicado, reclinada sobre os seus pés, com os calcanhares acomodando as suas nádegas. A visão era majestosa, pois a Vulnerabilidade é definitivamente uma das minhas paisagens preferidas. A minha mão deambulava pela sua face, servindo-me da ponta dos meus dedos como balas.

«Tudo aquilo que eu faço…»

Pausei. Recuei a mão. Descrevi um arco. E desabei-a delicadamente no seu rosto. Uma sombra esbatida de uma bofetada erótica. Mesmo assim, retesou e gemeu… expressando com pantomima a expectativa sem desenlace.

«Tudo aquilo que eu faço, explora a auréola da Vulnerabilidade. Expões-Te para mim e eu poderia deixar de brandir a faca, para a investir a qualquer instante. O facto de não o fazer é a razão que Te conserva à ilharga… o facto de o poder fazer é a razão pela qual Te contorces e suspiras.»

Noutros lábios, noutra altura, as palavras teriam revirado os seus olhos com desdém e abandonaria aquele local sem a sensação de investimento perdido. Mas ali, comigo, naquele instante, cada palavra era capital. Sorriu. Permaneceu quieta. Modesta. Sem chocalhar aquela armadura que havia fabricado à base de humor cáustico, declarações sarcásticas e displicência refinada numa simulação útil de indiferença.

«Levanta-Te! Vamos dar uma volta.»

Invoquei-A com uma nova palmada na sua face e foi percetível a debandada de questões que se atropelavam para chegar primeiro aos seus lábios. A mais curta espremeu-se para encabeçar a fila:

«Porquê?»

Fingi perplexidade, sugerindo que «Onde?» era a única dúvida real, pois se explicasse o porquê não necessitaria do fator surpresa de um onde. Partilhámos um beijo, coloquei uma mão no seu ombro e encaminhei-A para o exterior daquele refúgio idílico alentejano. A Vulnerabilidade era acentuada pela imensidão do Alentejo e pela luz crepuscular que tracejava as linhas do seu corpo desnudo. O calor apenas se fazia representar pelas suas meias compridas… essa peça de vestuário que deifica qualquer Mulher, tal como longas luvas pretas possuem potencial para conferir uma aura de Vénus de Milo. Sentia-se exposta, mas a forma como eu a olhava maravilhado transformava aquela planície instrospectiva num país de maravilhas.

«Perguntaste-me porquê. Como Te sentes?»

Ela sorriu sedutoramente e empertigou-se.
Sentia-se Invencível!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Noite de um Sonho de Verão


Algures durante a noite
Acordámos na Grécia Antiga.
Vestíamos lençóis
E os cães revelavam inquietação
Debaixo de uma Lua uivada.

A Luz provinha de candeias
E os Teus olhos estavam escuros.
Cheiravas a Mar.
O Teu cabelo e o Teu corpo
Vertiam no meu sangue.

Mais tarde, a luz do Sol
Devolveu a contemporaneidade.
Partilhámos um beijo
Como se batalhasse com Xerxes
E chacais regougassem pelos Teus lábios.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

exCITAÇÕES


(…)

Your eyes stare
Am I humble as I go
I’m holding in tight
To something long as I go
Am I humble as I go
I found a way
To look towards this day
But it all hooked up
This could only go one way
I’m not alive, I’m not alive without you
I’m not alive, I’m not alive without you

Love is to die
Love is to not die
Love is to dance

(…)


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Promessas Plantadas


O Sol espreitou e foi a Primavera quem ele relembrou. A Primavera ainda se encontrava distante... um artefacto de adorno que ainda teria de ser desenterrado dos baús sepultados pelo Inverno. Atravessou a ombreira da porta e deixou-se consumir pelos raios solares. Deixou-se preencher pela evocação da Primavera. Deixou-se preencher por ela. Os pulmões queimavam, mas ele fingia que eram resquícios de uma chama extinta. A nuvem que debandava pelos seus lábios era precisamente uma baforada, dessa fogueira que havia ardido em tempos na sua alma. Ao focar a sua atenção no céu, recordou os seus olhos. Aquele azul hipnótico no qual nadava, enquanto ela dava voltas no seu corpo. Foram mitos da Primavera. Fodiam como coelhos debaixo da Árvore e dançavam um no outro, enquanto a pele sintonizava no desabrochar do meio ambiente.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Pela Pele Adentro


Sempre que fechares os Teus olhos
E aguardares pelo meu beijo,
Que eu seja a única entidade que enxergas,
Que eu seja o único nome que forças
Pela minha boca adentro.

Sempre que os meus dedos tocarem uma partitura
Na Tua pele de marfim,
Que a Nossa Música seja expelida pelos Teus pulmões
Em gemidos que destilam
Pela noite adentro.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Traje


Pausa.
É o sítio onde as emoções se esticam como um dedo coberto por cimento molhado… frívolo naquele instante, mas perene no plano vindouro. Claro que há um sentido perverso no intento de Te lançar em cogitações sexuais. O desassossego acomoda-se em Ti, espreguiça-se como um gato ao sol. Apenas Te resta pensar. Imaginar. Matutar sobre as possibilidades geradas pelo silêncio… sobre o seu significado.

O Sexo é tanto sobre as coisas que não fazemos como sobre os atos que consumámos. Cada espaço em branco representa uma janela de oportunidade para espiarmos e penetrarmos sorrateiramente. A pausa torna-se Rorschach e vemos nela aquilo que desejarmos. Podes encarar-me como Maquiavel, se estiveres ansiosa pela sagacidade de uma personalidade esmagadora. Ou podes encarar-me como o baixinho Napoleão, submisso pelo amor à “sua” Josefina. Pouco me importa! Na realidade, pouco ou nada tenho de fazer. Posso refastelar-me enquanto Te observo a tentar dominar o momento para meu proveito. Pois só quando estiveres atada pelos Teus próprios nós, ostentando toda a beleza da Tua fragilidade diante dos meus olhos, darei um passo em frente. A imaginação é uma ferramenta deveras poderosa. Bem mais poderosa e eficaz do que qualquer bola de demolição, pronta para pulverizar as paredes que me impedem de retalhar cada peça de tecido que se encontra entre nós. A paciência será sempre uma boa virtude para vestir. Sem ela, tudo redundaria em sexo esfarrapadamente fútil. E até os atos mais selvagens necessitam de uma certa roupagem.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Branca de Neve


Sob o manto da Neve
Estremeço no cerco do Inverno.
Mas há reverência
No frio
Vastidão branca
Pulcritude emudecida
Onde o sujo, o pecado
E o mourejo
Se ocultam
Na radiância do manto
De branco nupcial.

Inverno,
Sua vingativa
Imaculada
Solitária
Deleitosa
Noiva.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Lar, Doce Lar


Enquanto escrevia, as minhas mãos encontravam-se sepultadas na Tua pele. Percorria cada carácter com a ponta dos meus dedos e Tu espreguiçavas-Te para que lograsse chegar mais fundo, sentindo as feições de cada letra. Mais tarde, quando Te declamava o que havia redigido, falei para dentro da Tua boca, contra o Teu pescoço e entre as Tuas coxas molhadas… de onde todas as palavras jorravam… onde todo eu pertenço.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Partydos


Nunca apreciei o conceito e a execução de festas sexuais. Uma ex-namorada minha delirava com o mergulho naquela enxurrada de trivialidade de personas à deriva. Há claramente voyeurismo em mim, mas gosto de o preservar íntegro num único foco, sem ter de o estilhaçar e subdividir em múltiplas direções.
Ao entrar naquela casa opulenta das imediações da Invicta sentia-me um ornamento, transitando entre conversas, até as conversas desembocarem numa cena, liquefazendo corpos contra a mobília. É tudo dissociativo. Uma fragmentação do “Eu” que redunda numa ausência do “Eu”. Uma ausência de Presença, na qual me sentia vago, como se fizesse check-out espalhando “gorjetas” por várias “almofadas” enquanto tudo e todos retomavam o processo de esfoliação do seu âmago… até lograrem ativar a incineração do vazio. Sim, encontrava-me desperto, mas apenas no sentido mais rudimentar. Havia um casal à minha esquerda que não estava propriamente a foder… circulavam como água a descer pela canalização… sendo que a copulação era uma inevitabilidade do resultado do labor afincado de mãos e línguas. À minha direita, um gorducho estava vendado. Felizmente, o seu campo de visão não contemplava a magricela mulher das cavernas que tinha diante de si, cuja floresta entre as pernas deveria certamente abrigar corujas.

As Festas de Elite possuíam realmente um código de beleza bem mais refinado. Sim, não era a minha primeira festinha de carne, nem seria certamente a derradeira. Todavia, aquele meu sentimento de alienação, por vezes, era autoimposto. São festas que não passam de desfiles de mascotes, onde os gladiadores se sentem arredados da sua arena de (des)controlo. O caos impera. O espaço minga subitamente, porque alguém começou a galopar ou montou na sela que era usada por outro(s) há instantes.

«Deverias libertar-te da prisão dos teus pensamentos e apreciar o momento.»

Ela surgiu sorrateira. Encontrava-se obviamente nua e tinha aquele semblante desbotado de quem já havia desmanchado a compostura a evocar mil e um deuses.

«Há muito pouca substância para apreciar por aqui.»
«Para quem é que importa a substância aqui?!»
«Precisamente! Acabaste de reforçar a minha premissa sobre a insularidade de várias pessoas que se subtraem num zero absoluto.»
«Deixa-te de palavras elaboradas e usa a língua para foder. Não há qualquer hipótese de embaraços por aqui. Se fizerem algo monumentalmente estúpido, alguém intervirá para mitigar o erro.»

Por esta altura, cogitava sobre mil e uma desculpas para me livrar da sua presença, mas dei-lhe o desconto por estar claramente embriagada em endorfina.

«Que se foda! Já te amarraram hoje?»
«Achas que algum destes esfomeados perde tempo com conjeturas e apetrechos?»
«Linho ou metal?»

A sua resposta foi um olhar expectante e inesperado pela minha súbita guinada na direção. Senti-a encolher ligeiramente e aproveitei a brecha para me desencostar da parede, tomando o seu braço de assalto e firmando-o contra as suas costas enquanto a puxava contra mim.

«Deixo a escolha ao critério do negociador.»
«Pois bem. Vejamos então se sou suficientemente destro para evitar algo monumentalmente embaraçoso.»

Torneei o seu corpo, espalmei o calor que ela emanava no contraste frio da parede, beijei os seus punhos com o clique metálico, aproximei os lábios da curvatura do seu pescoço e sussurrei-lhe contra a nuca:

«Vai-te foder!»

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Correção à Unha


Talvez estejas farta de pontuação. Talvez estejas farta de vírgulas, parágrafos, versos e estrofes. Talvez estejas farta de novos acordos ortográficos e de regras gramaticais. Talvez esteja enganado… mas não me importo de voltar para a cama riscado pela Tua tinta vermelha. Quem me vai censurar tal prazer?...

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Languidez


Lá porque os meus pais são Mickey Knox e Mallory, ou lá porque és a filha bastarda de Sid e Nancy, não significa que temos de viver no limite todas as noites… nem significa que o exército boliviano se encontra no exterior de todas as portas que atravessamos. Não. Nada disso! Por vezes, sabe bem adejar o Nosso espírito epicurista num restaurante requintado, depurando o Nosso humor negro em gracejos sobre o olho de vidro do maître. Por vezes, sabe bem ficar por casa com um bom tinto duriense, uma tábua de queijos, broa e pata negra. Por vezes, sabe bem chegar a casa, rastejar para os vincos do sofá e concluir o filme nos braços um do outro.