terça-feira, 29 de abril de 2014

Terceira Lei de Newton


Havia sempre algo de insólito quando aquele arrepio elícito percorria a Tua espinha no instante em que os meus lábios tocavam nos Teus mamilos. Parecia que acendias e ascendias… provinda do meu antro, para Te posicionares num pedestal, enquanto deprecava pelas Tuas graças. Esta não era a ordem natural das coisas, nem a ordem natural da Tua consecução de prazer. A altura provocava-Te vertigens. Talvez tudo não passasse de um instinto biológico, da manifestação de um sonho molhado de Freud pelo frémito da comunicação entre nervos e cérebro. Uma faísca maternal, o sentimento de proteção e amor mesclado com excitação e luxúria. Parecia que a mente rodopiava em território temático forasteiro, que o discernimento se encontrava enevoado… mas o clima entre as Tuas coxas traduzia-se em orvalho.

Essa reação era a razão pela qual venerava serpentear nessa protuberância sensível. Pela qual me reclinava no sofá e bastava arquear uma sobrancelha para assimilares os meus intentos. Hesitavas apenas para tomar fôlego, despedias-Te do solo e presenteavas-Te de peito feito. Mamilo convertia-se em boca. Metamorfose que nunca Te apanhava desprevenida, pois era uma clara tradução corporal dos motivos pelos quais suplicavas e Te rendias. As perversões transformavam um riacho sereno de pensamento numa torrente de devassidão, onde soçobravam todas as palavras que proferia com a ajuda de uma língua liberal, até Te sentir melada numa cadência silábica.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Auto


O medo transacionado entre Nós é ironicamente espirituoso. Um medo mais próximo do “Fantasma da Ópera” do que propriamente de “Psycho”. Crivado com melodrama e dúvida em vez de algo mais concreto e aterrador. O objetivo não é tornar-Te catatônica, mas descerrar a porta da Tua mente que encarcera o Teu lado mais sombrio. O umbral onde subconscientemente cogitas sobre o rosnar da criatura que espreita pela frincha da fachada. É tudo Teatro que se valoriza sem aviltamento. Atos em que nos munimos com adereços de palco em detrimento de armas reais… onde o sangue é um cocktail de xarope de milho e corante alimentar. Mas parece tudo tão real, não parece? Quando mudo o meu semblante, quando o meu olhar psicótico disseca cada aresta postural, quando os palavrões borbulham em sussurros, quando a minha mão cerra em torno do couro, quando o gume da faca traça uma tangente sob a Tua mama e retalha os botões da Tua camisa, quando o tilintar do metal se apresta a algemar-Te na cama durante mais de uma hora e me entretenho a redigir versos de Amor nas linhas formadas pelo Teu rímel escorrido. Somos uma Casa Assombrada, com apropriados nomes próprios. Os rangidos derivam da libertação das endorfinas necessárias para Te gerar asas. Sendo que o meu privilégio reside no testemunhar do peso da Tua palpitação na palma da minha mão. É Teatro que monto para Te iluminar sob as luzes da ribalta. Até colapsarmos, escaqueirados e exaustos, sem direito a quaisquer aplausos. O império do silêncio abate-se, desafiado apenas pelo motim do batimento cardíaco sincronizado… e as pálpebras executam a tarefa simbólica das cortinas.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Volição


Quando se conheceram, ele lançou um gracejo sobre meias de rede. Uma qualquer sugestão subversiva culminada com um ponto de interrogação sobre a sua opinião pessoal. Ela não ostentava carisma de menina fanática por abluções, mas o tópico não recebeu a sua aprovação. Ela não apreciava o seu uso… pelo menos em público.

«Não sou uma puta!»

Eram apenas meias! E a conotação imediata sob o espectro de funcionária do sexo recebeu dele uma tácita reprovação. O facto de alguém pavonear tal adereço pela rua jamais significaria apenas uma sinalização de meretrizes em busca de cifrões.
Dois meses passaram e o poder da influência que ele exercia sobre Ela era bem mais preponderante do que qualquer convicção direcionada sobre meias de rede. O jogo manipulativo representava uma saudável investida sobre as fundações do próprio desejo. Uma ressurreição de sensações e conceitos recalcados que representavam o corolário de um estado inebriado de paixão. As festas haviam sido cruciais na renovação da perspetiva. Eventos. Temáticas. O arraial familiar de corpetes, látex e Louboutins. Surgiram decotes mais pronunciados, fazendo jus a mamas que merecem ser matéria de epopeias. As meias surgiam devidamente acompanhadas com elaboradas cintas-liga, até que uma noite, ali estavam elas… nEla. Um treliçado que se ajustava às suas pernas com laivos de sensualidade. Linhas rendilhadas numa extravagância artística que desaparecia nos seus saltos e debaixo da sua saia. Ele estacou em contemplação, arqueou uma sobrancelha e inquiriu:

«Não eras Tu quem defendia que as meias de rede eram apetrechos de putas?»

A sua resposta foi lépida e assertiva:

«Eu sou a tua Puta!»

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Eixo de Simetria


Se fores uma Tela, serei a Tinta. Não hesites em criar um inverso, pois a adição do meu reflexo revelar-Te-á um Universo. Simbiose é um termo que acarreta conotações desagradáveis… tal como Codependência. O conceito de igualdade tem o hábito de reduzir duas pessoas numa fastidiosa massa homogénea. O desejo assenta no desconhecido. Logo, sem a textura da imprevisibilidade retalha-se a originalidade identitária. Não começamos iguais, mas começamos com escolhas iguais… oportunidades iguais. Nunca sejas igual. Sê simétrica! Quando Te falar, ouve. Quando Te amarrar, deixa-Te prender e apreender. Quando intumescer, fica permeável… cria espaço para Te plenificar. Permite que esse tecido de simetria Te prove como a sujeição se aparta da noção de desconexão. Elos serão adicionados pelos torvelinhos quotidianos. Haverá sempre uma razão para a Tua busca pela rendição. Desequilíbrios serão revertidos. Nos momentos que Te propiciarem exaustão, serás acolchoada pela minha intervenção. Escorreremos confiança e confidência, numa confluência de intimidade que irá lustrar o Farol, varrendo todas as teias de procrastinação e falta de convicção. Preciso de iluminar para me sentir iluminado. Chama-lhe Perseguição de uma Musa, de uma Razão, de um Propósito… ou de uma Testemunha… pois afinal de contas, uma Plateia será sempre um vaso para o Artista tentar verter a sua Excelência.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Totem


O Sexo representa Libertação.
Sim, a frase é uma lapalissada. Mas há alturas em que se torna catártico, em que resulta numa enorme purgação que condensa cada partícula de frustração e raiva na ponta da sua arma, como se carregasse o tambor de um revólver e disparasse contra qualquer alvo de emotividade indesejável. Exaltador. O tipo de experiência que o deixa escoado e vazio… deliciosamente gasto. Um contraste com outros momentos, nos quais a ferramenta não destruía. Esculpia! A lança transformada em cinzel. Onde cada estocada não libertava, mas compunha. Refinava! Todavia, o instante impunha uma Cena bélica em detrimento de uma sessão de terapia. Um confronto do qual sairia com tantas nódoas negras como Ela. Dolorosas, mas alicerces incontornáveis de um monumento de prazer.

É-lhe sempre divertido constatar a sensação de estocar carvão com a ponta do seu falo. Como se tentasse, porventura com futilidade, lapidar um diamante. É aquela altura em que a relevância dos traços deificados de uma Bela Criatura é suprimida pela avalanche de poder e intimidação, que resume a proeminência da circunstância no pistão entre as suas coxas. É aquela altura em que ele não fala. Neolítico. Uma espécie primitiva que aparenta maior preocupação com a sobrevivência do que com conceitos abstratos como “diversão” ou “satisfação”. Uma regressão consentida em prol da investida da Identidade, com um raio de malícia trovejando acima das presas salivantes. Ele desconhece como Ela o encara nestas alturas. Não tem tempo para conjeturas, embaraços ou culpas. Contudo, Ela não apresenta vestígios de queixume. A sonoridade que verte pela sua boca lograria encher uma banheira de gemidos comprazidos, que serviriam de infusão para os sons guturais que expressam a mitigação do desassossego que possa borbulhar à superfície da sua essência primordial.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Kairós


Há uma crença que afiança a possibilidade de prever a hora do dia pela mera observação dos olhos dos gatos. Algo relacionado com a ligação entre o abismo negro das suas pupilas e a confrontação com a intensidade da luz solar.

Quando tento isto conTigo, a assimilação do Horário é instantânea. Independentemente da distância do Sol para o seu zénite, a Hora é sempre a mesma. Vasta. Solene. Sem compartimento de minutos ou segundos como num relógio qualquer.

Acho que é a Eternidade… ou então, o Amor.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

exCITAÇÕES


(...)
Say say my playmate
Wont you lay hands on me
Mirror my malady
Transfer my tragedy

Got a curse I cannot lift
Shines when the sunset shifts
When the moon is round and full
Gotta bust that box gotta gut that fish

My mind's aflame

We could jet in a stolen car
But I bet we wouldn't get too far
Before the transformation takes
And bloodlust tanks and
Crave gets slaked

My mind has changed
My body's frame but god I like it
My hearts aflame
My body's strained but god I like it

My mind has changed
My body's frame but god I like it
My hearts aflame
My body's strained but god I like it

Charge me your day rate
Ill turn you out in kind
When the moon is round and full
Gonna teach you tricks that'll blow your
Mongrel mind
Baby doll I recognize
You're a hideous thing inside
If ever there were a lucky kind it's
You You You You

I know its strange another way to get to know you
You'll never know unless we go so let me show you
I know its strange another way to get to know you
We've got till noon here comes the moon
So let it show you
Show you now

Dream me oh dreamer
Down to the floor
Open my hands and let them
Weave onto yours

Feel me, completer
down to my core
open my heart and let it
bleed onto yours

Feeding on fever
Down all fours
Show you what all that
Howl is for

Hey hey my playmate
Let me lay waste to thee
Burned down their hanging trees
It's hot here hot here hot here hot here

Got a curse we cannot lift
Shines when the sunset shifts
There's a cure comes with a kiss
The bite that binds the gift that gives

Now that we got gone for good
Writhing under your riding hood
Tell your gra'ma and your mama too
It's true
We're howling forever
(...)





P.S.: Na minha humilde opinião, esta é a melhor letra de sempre.
P.S.2: Vou perder-me por Tóquio durante uma semana. Até lá, Sayonara!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Heterodoxo


Há uma corrente imagética exacerbada de Sereias em poses sensuais e uma representação insuficiente destas criaturas no ato de afogar e devorar Homens.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Ipsis Litteris


Contemplava o seu rosto enquanto lia…
Espiava aquele dedo
Roçando pelas páginas
Beliscando as extremidades
Enquanto as folheava.

Contemplava o seu rosto enquanto lia…
Ela espiava os meus dedos
Roçando pelas páginas
Beliscando as extremidades
Enquanto A folheava.

A sua pele era o meu pergaminho
E Ela,
Uma Obra-Prima Literária.