quarta-feira, 29 de outubro de 2014

(A)Garrada


As minhas mãos fizeram de Ti a sua casa. Há lugares… pequenas e distintas áreas de pele, que as minhas mãos buscam quando aporto uma palma em Ti. A fachada da Tua garganta, para que esse queixo se erga até me encarares. A zona occipital da Tua cabeça, para garantir que não Te afastas do meu beijo até decidir quando podes tomar fôlego. Os dois pontinhos afundados na curva do fundo das Tuas costas são definitivamente uma região de eleição, mas é quando pressiono o Teu abdómen, com quatro dedos e um estratégico polegar gerando crateras, que mais aprecio a vivacidade das minhas mãos. Trata-se do poder dessa posição… da Tua assunção sobre (e sob) a minha possessão. A nebulosidade dos termos dessa postura é irrelevante, assim como é vaga a Tua descrição sobre a dinâmica das vagas que sentes… mas o momento é deliciosamente translúcido.

Estas mãos representam o prólogo de todas as minhas ações (para) conTigo. Elas representam a vanguarda… as manipuladoras… e as trabalhadoras. Elas derrubam-Te… elas alicerçam-Te… elas elevam-Te. Algo ironicamente conveniente, uma vez que as mãos sempre foram o Teu maior fetiche. Portanto… jamais Te coíbas de percorrer essa língua e esses lábios pelos nós dos meus dedos… sugando-os até polires as minhas impressões digitais, depois Te reduzir a gemidos e convulsões… enrolando-os até me sentires a clicar e esfregar a Tua explosiva protuberância interna… tornando-Te literalmente íntima com (uma d)as pontas do meu desejo… por Ti.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Elo(Quente)


O truque não é encontrar alguém que o faça melhor do que Tu. Se esse for o Teu critério travas uma batalha perdida, porque não existem assim tantos mortais com o devido conhecimento da anatomia feminina. Porque é que algumas perdem tempo com esfomeados, quando podem ter uma criatura que inicialmente brinca com a comida, assimila-a com todos os seus sentidos e posteriormente a devora sem apelo nem agravo? Para que perdem tempo com papalvos que estraçalham lingeries assim que os tecidos que as vendavam tombam no chão, ignorando a pequena janela de tempo crucial para a contemplação da arte, do tempo e da dedicação que uma Mulher emprega na sua seleção?

O truque é encontrar Alguém que o faça de uma forma que Te leva a esquecer como o fazes. O grande senão da masturbação é a sua dependência da imaginação. Não existe intervenção de uma força exterior, esquadrinhando trilhos sob a Tua pele para se fincar na Tua mente e no Teu coração com os mesmos dedos destros. A Tua imaginação não tem o poder da imprevisibilidade. Não Te surpreende com o soluço do inesperado. A Tua imaginação jamais Te irá foder como eu Te fodo. Não Te fará vir uma e outra vez… e outra vez… e outra vez… fazendo-Te suplicar que Te deixe vir em cada uma dessas vezes. Não dirá sim, no instante que o pedires. Nem Te negará na próxima solicitação… abeirando-Te do precipício da sanidade e permitindo, sob os meus termos, que mergulhes no abismo do deleite. A Tua imaginação jamais Te avassalará em poder, nem Te liquefará em paixão. E temo que a Tua imaginação jamais Te clamará como a sua Puta, beijando-Te na testa e envolvendo-te na ternura de um par de braços eloquente na justificação transcendental de tal epíteto. A Tua imaginação jamais tomará conta de Ti… mas para Tua Felicidade… encontro-me sempre por perto.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ReCantos Sombrios


Aquela Cena era o materializar de uma Fantasia, mas a corda enterrava-se nos seus punhos com a pertinência da Realidade. A cave por estrear na nova casa, providenciava uma câmara de ecos para uma tertúlia física, na qual Ela pretendia desvendar mais alguns dos meus Recantos Sombrios. Claro que providenciaria algumas revelações… através de sussurros no seu ouvido enquanto a fodia… onde o poder de cada estocada fincava ainda mais a ânsia que Ela tinha pela Cena. A revelação alojou-se na sua mente, embrulhando-se com as suas próprias fantasias. E naquele instante, a corda simbolizava a purgação de semanas de expectativa. Abandonei-a lá em baixo, privada das suas vestes e devidamente amarrada. Não deixei quaisquer instruções, apenas lhe assegurei que sobreviveria… e que eventualmente, ou melhor, afortunadamente teria uma epifania.

Quando desci, parecia trajado para um evento. Afinal de contas, sob o escrutínio de qualquer Mulher que se preze, um bom fato representa aquilo que uma boa lingerie representa para um Homem. Vestia ainda um sorriso viajante… que lhe comunicava com eloquência como a minha imaginação carburava a todo o vapor. Ela detestava aquele Sorriso. Ela amava aquele Sorriso. Contorceu-se na corda e fitou as minhas mãos.

«Isto não será como Tu pensas que seria.»

Foi assim que comecei. Com esta trapalhada gramatical propositada. Circundava-A como um predador se movimenta numa jaula… só que Ela também se encontrava na jaula comigo. Talvez se sentisse como alguma espécie de sacrifício, todavia desconhecia qual seria a parte que eu buscava nEla. Qual seria a parte que Ela teria de ceder… e perder.

«Não Te irei bater. Não Te irei açoitar.», deslizava a minha mão pela sua coxa, «Não Te irei quebrar.»

Ela nada replicava… além de um vocabulário reduzido a vogais e “m’s”…

«Em vez disso, irei saborear-Te. Lentamente…», as palavras escorregaram para longe, assim como as minhas mãos… e o instinto dela foi seguir-me com as suas ancas… como se suplicasse por mais um pouco daquele toque.

«E mesmo assim, quando terminar, apenas restará de Ti uma pilha de catarse…»

Esta não era claramente a minha Fantasia retorcida. Aquela que lhe havia sussurrado. Era algo totalmente diferente, mas o impacto da surpresa surtiu de forma igualmente avassaladora. Ela pretendia ser emboscada, mas havia considerado outra forma de embuste… pois não sabia, nem estava preparada para lidar com este…

«Por fav…», tentou formar uma derradeira súplica, para que me tornasse no sádico que ela poderia entender… ao invés do charmoso maquiavélico que lhe parecia bem mais perigoso. Mas estanquei-lhe a prece com borracha… forçando a mordaça entre os seus lábios.

«Estala os Teus dedos se desejares que pare.»

Sussurrei no seu ouvido as minhas últimas palavras, antes de lhe trespassar com dois dedos famintos por mel entre as suas pernas, expelindo todo e quaisquer resquícios de pensamentos que ainda deambulavam pela sua mente… mesmo nos seus Recantos mais Sombrios.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Viral


Depois da obsessão pela Tua boca, pela Tua pele, pelos Teus suspiros, pelas Tuas súplicas entrecortadas, pelo escrutínio das Tuas expressões e maneirismos… detenho-me no “Resto” de Ti. As horas tiveram o devido usufruto… relampejando enrubescimento no Teu rabo com a palma da minha mão, trovejando batimentos cardíacos assolapados pelas estocadas de uma comunhão ensandecida… até atingirmos o zénite do crescendo, ecoando e escoando pelas paredes do quarto. Depois da tempestade, a minha mão gosta de repousar na bonança de ritmos contemplativos. A ponta dos dedos percorre o tracejado dos brasões doridos que infligi na Tua carne… assimila o calor que emana das vagas de pulsação barulhenta que inflama as Tuas veias. Por vezes, enquanto estivermos serenando os corpos prostrados, sussurrarei no Teu ouvido. Palavras desconexas… murmúrios desordenados de um sonho lúcido. Como se tentasse jorrar pensamentos verbalizados… algo que escorresse pelo Teu ouvido e fosse embebido pela Tua consciência. Algo aparentemente desarticulado que proclama numa linguagem ancestral um nicho de conforto. Um porto de abrigo, após uma tormenta orgástica. Envolvida pelos meus braços e pela minha mente, sem qualquer parte de Ti ignorada ou rejeitada. Perdidos e achados numa neblina de languidez. Até me identificares como o Bálsamo para o Ardor que Te havia igualmente aplicado. Até me identificares como o Veneno… e o Antídoto.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Dr. Jekyll and Mr. Hyde



Claro que existirá sempre um elemento de cariz animalesco na minha interação conTigo. Se refletires um pouco, muito daquilo que fazemos é reduzir em lume brando a nossa Essência até atingirmos o ponto de bestialidade. Os instintos primais que dominavam a quadrilha quando dificilmente nos mantínhamos estáveis em duas pernas. Driblamos os obstáculos civilizacionais e estilhaçamos os grilhões da sociedade. J.J. Rousseau ficaria orgulhoso de Nós.

Todavia, o fascínio ocorre pela forma como se arreia a besta quando ela evade. Não confundir com domesticar! Pode ser utilizada uma mordaça, uma gargantilha, um cadeado ou até uma vergasta… mas o intento não é domar o lado selvagem. Busca-se o ambíguo. Posso desabar uma mão possessiva sobre Ti, mas julgarás que estou a marcar território ou a acariciar o delicioso empinar desse rabo? O que porventura ignoras, é que o faço com um nível de autoconsciência que me permite filtrar por instantes o pior que habita em mim… a besta retorna à sua jaula e o superego prevalece. Contudo, gosto de pensar que o pressentes, algures, rosnando atrás das grades. Aguardando pelo momento em que o aloquete chocalha e ele se liberta novamente. Quando ele morde a Tua carne e estampa a sua marca, aquele selvagem, ruborescendo as Tuas bochechas, abandonando-te com a marca das suas unhas nas Tuas coxas. Cada molécula do meu ser refastela-se na poltrona e observa-o a tomar conta da situação… a tomar conta de Ti… pronto a intervir se a circunstância se abeirar do instante irremediavelmente ensandecido. Não é esquizofrenia… é uma Orquestra! Um espalhafato de som e emoção, entre Homem e Animal e tudo aquilo que deambula entre eles. A Ti, cabe a função de me persuadir a fazer do Palco uma Cena de Crime.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

exCITAÇÕES



(...)

All we want is to feel that feeling again
Just a drop on the lips and we're more than equipped
There are some thirsts that gotta be quenched

(...)


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A Evolução da Ebulição


Jamais sejas aquilo que julgas que eu quero. Esta é a melhor advertência que Te poderei dar, se desejares preservar a Tua imagem imaculada. Não mintas comigo… não mintas conTigo própria. Não montes um teatro para criar algo quer não és, com o intuito de acariciar o meu ego. O meu ego é intangível… trata-se de uma jupiteriana ereção de autonegação escorada com o refinamento de uma enviesada autoconfiança. Não necessita das Tuas vãs tentativas de construção de uma interpretação inexata da Rapariga/Mulher que me impele.

Isso não prende a minha atenção. Quero que me desafies quando discordas da seleção de palavras… quando estremeces com o raio estrambólico de atividades cogitadas pelo meu lado sombrio… quando os Teus olhos adquirem um lençol de gelo e logo a seguir se liquefazem em lava que distorce a Tua maquilhagem. Preciso que a tonificação do carisma seja proporcional à tonificação do corpo. Sou uma criatura que se alimenta de reações e se apenas me concederes respostas insipidamente mecanizadas, a deceção será incontornável. Não preciso de papagaios que apenas verbalizam o vocabulário que vagueia pela minha mente. Quero uma Mulher, jamais uma Submissa! A submissão será sempre um extra, um vício da personalidade, uma vertente… ao invés de uma característica definidora. És a intelectual, a culta, a divertida, a mordaz. És o toque no meio da noite, que me faz sentir afortunado pela perturbação do meu sono mais profundo. És a Mulher que sabe enquadrar o significado de prazer na dor. És a Rapariga que disponibiliza com olhar ávido os seus punhos em prol de uma respiração entrecortada. És Alguém que me deixa em constante Estado de Sítio, enquanto a maioria se esvaece em Cessar-Fogo. És Alguém que assimila a Verdade insofismável: o Conflito instiga a Evolução.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A Luz ao Fundo do Túnel


Sonhei conTigo… antes de Te sonhar.
Facto que representa o cerne de qualquer Utopia. A familiaridade do desconhecido… a intimidade do anonimato… Os minutos que ainda tenho por viver, os lugares que ainda tenho por preencher, os sectores não cartografados do mapa que desesperadamente tento explorar.
Vivi conTigo… antes de Te viver.
Deambulava pelos corredores sombrios do meu Sonho, tendo apenas a Audição como candeia dos meus sentidos. Sempre que escutava algo, a ideia tropeçava pela minha mente como uma bola de lotaria… aguardando pela conjugação perfeita de circunstâncias para ser dispensada a minha fortuna.

Leva então a minha psique… serve-Te daquilo que Te valha e planta a semente de uma Ideia. Algo que belisque a minha curiosidade, algo que me alvoroce pelos minutos de cada dia. A minha mente é fértil, minha Alma Eterna. E nada temas, se Te sentires perdida quando a Luz se esvaecer do Teu Caminho… pois avistarás os meus olhos cintilando no seio da escuridão do Nosso Universo Paralelo… acompanhados por um sussurro:

«Tenho aqui o Teu destino…»

domingo, 5 de outubro de 2014

Fanerogâmica


Quando estiveres na altura de desabrochar, conta com as minhas mãos para macular as Tuas pétalas.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Ao Cimo de Ti


Tempo é Perceção. E ambos possuíamos compassos distintos.
Para mim, tudo parece escorregadio… como apanhar um peixe com as mãos, apreciar como se debate durante uns segundos e perdê-lo novamente para a imensidão do oceano. Persigo constantemente algo… cravando unhas e dentes no Momento infinitesimal de Libertação, para logo o voltar a perder. A Vida é uma Perseguição. Para Ela, a Vida é um Crescendo. Trepar pela ascensão mística em direção ao Zénite, para se banhar languidamente no esplendor dos raios solares. Ela sorve um Momento durante horas, degusta-o até à sua derradeira gota de êxtase. Banha-se na Luz até se sentir minguada… e só então se considera derrotada.

Encontrava-me sempre vestido quando Ela abria os olhos. Enquanto ajustava o cinto, avistava no seu sorriso uma apreciação de vitória, como se estivesse deitada sobre a meta. No instante seguinte, o subtil trejeito da sua sobrancelha denunciava qualquer espécie de reflexão. Será que indagava sobre a possibilidade de ter retirado maior proveito do Momento? Seria o seu contentamento uma sensação mais pujante e verdadeira, ou será que o meu contentamento se condensava naqueles breves segundos de catarse, emparelhando distintamente o mesmo nível de intensidade?

Por fim, tocava-A… em qualquer lado… e Ela libertava-se imediatamente do alvoroço das cogitações. Libertava a língua do cativeiro da sua boca, sulcava o lábio inferior com os seus dentes e aguardava que fizesse o que quer que seja que me preparava para fazer. Pouco importava a eleição da consumação. Tudo aquilo que importava era o Zénite… eu, em perseguição… Ela, em ascensão… e ambos desembocando no mesmo Lugar.