terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Deus Ex Machina



Aquilo que escrevo
Talvez não sejam poemas
Mas Ela certamente espera
Que a ame como um.
Ela espera que A veja
Como uma Sinfonia
Como uma Escultura
Como uma Pintura
Como Argila
Como Algo em que posso usar
As mãos.
Ela espera que A sinta
Como cada pôr-do-sol
Perdido
Quando olhava noutra direção.

Ela desconhece como representa
A minha Direção.
Ela jamais saberá
Como penso
Mas espera que pense
nEla.
Talvez tenha o pensamento enevoado
Pois as minhas mãos acumulam nuvens
Dentro dEla
Curvas avolumadas
Ventos convectivos ascendentes
Até tomar consciência
Que uma Tempestade
Está para vir.

Frio?...



... Sim, por favor!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Panapaná



O Teu corpo
Será um bando de borboletas
Uma a uma
Disseminadas
Em todas as direções
Quais descobridoras
Do verdadeiro significado
De estar em vários locais
Ao mesmo tempo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Porque hoje é Natal...



... e eu Adoro Meias!

Homofonia



Irei amar a Tua boca
Até se encher de vogais
Até constatar assonância
A verter dos Teus Lábios.
Buscarei sugestões
Nos padrões da Tua pele
E declamarei poemas
Que espreguicem os Teus ossos
E corrompam as Tuas tensões
Descerrando-Te
Com a minha voz.
Irei amar as Tuas pernas
Aliterativas
Desde os tornozelos
Até às nádegas
Fodendo-Te em linhas paralelas
Até findares em Rimas.
Irei amar-Te
Até nos perdermos
Numa Homofonia extrema.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Omnipresentes



Abrigamos
Os nossos próprios Oceanos
Continentes
Sol, Lua e Estrelas.
Este Amor
Tem o seu próprio Deus
A sua própria Trindade
A quem louvar e desafiar:
Eu, Tu, Nós.
Um Mundo
Que nos é concedido
Para explorar e descobrir
Para lavrar, colher e consumir.
Onde quer que residamos
Juntos nos achamos.
Quem quer que beijamos
Juntos nos provamos.

Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Resquícios da Sentença



Irei provar-Te
Apresentando evidências
De como Te amei
Chamando testemunhas
A depor:
Pulsos carmesins
Rímel escorrido
Nádegas escarlates
Mamilos túrgidos
Ombros ferrados
E lábios
Cada um deles
Comprometido
Com o Êxtase.

Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

exCITAÇÕES



(…)

My lover's got humour
She's the giggle at a funeral
Knows everybody's disapproval
I should've worshipped her sooner

If the heavens ever did speak
She's the last true mouthpiece
Every Sunday's getting more bleak
A fresh poison each week

(…)

My Church offers no absolutes
She tells me, 'Worship in the bedroom.'
The only heaven I'll be sent to
Is when I'm alone with you

I was born sick,
But I love it
Command me to be well

(…)

Take me to church
I'll worship like a dog at the shrine of your lies
I'll tell you my sins and you can sharpen your knife
Offer me that deathless death
Good God, let me give you my life

If I'm a pagan of the good times
My lover's the sunlight
To keep the Goddess on my side
She demands a sacrifice

Drain the whole sea
Get something shiny
Something meaty for the main course
That's a fine looking high horse
What you got in the stable?
We've a lot of starving faithful

That looks tasty
That looks plenty
This is hungry work

(…)

No Masters or Kings
When the Ritual begins
There is no sweeter innocence than our gentle sin

In the madness and soil of that sad earthly scene
Only then I am Human
Only then I am Clean
Amen.

(…)


Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A Bruma Voraz



Bem depois
De Tudo
Algures no seio da Noite
Despertei
Avistando-Te
À beira da janela.

Lá fora
O vento e a chuva
Enroscados
Tentavam corromper as paredes
Para Te reivindicar.

Giraste na minha direção
E Tudo aquilo
Que o vento e a chuva
Cogitavam
Estava grafado no meu rosto
Imerso na escuridão.

Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Elementar



Há uma miríade de tempestades
Na Tua direção
E eu
Sou o perfume da Terra
O murmúrio do Ar
As garras da Água
E a língua do Fogo.

Lá longe
Onde sonhas
Um animal ruge pela sobrevivência
E escutas-me
Como uma Alcateia
Na Tua peugada onírica
Atiçado pelo fervor do Teu sangue.

Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Folheados Ébrios



Perguntaram-me se alguma vez paguei/ofereci uma bebida a uma Rapariga/Mulher.
Claro que não! Prefiro oferecer Livros. Prefiro fazê-la viver mil e uma vidas. Prefiro fazê-la viajar, mesmo quando se encontra confinada a quatro paredes. Prefiro oferecer-lhe um prefácio do desconhecido… todavia, caber-lhe-á sempre decidir se deseja ficar embriagada com os (nossos) próximos Capítulos.

Xmas Wishes


Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Sufoco de Sófocles



Respira bem fundo. Por mais perverso e depravado que Te pareça, este é o Único Momento para expiares toda a tensão de uma Alma fodida por neuroses e inseguranças transportadas desde a infância, que a negação universal utiliza como amparo para a desintegração. Expira o Ar que sustiveste durante décadas, contendo-o de tal forma que gerou aquela dor tão profunda que marca o compasso da maioria dos mortais mecanizados por fúteis ambições. É uma purga… uma dor que varre uma dor supina… fragilizando-Te e regenerando-Te. Desnudada, mas jamais desamparada. Não Te acanhes. Não Te assustes. Sê corajosa, por um Momento. Deixa-me entrar. Pois uma vez aí dentro, poderás dispensar toda a coragem. Bastar-Te-á Ser… Existir… e sobretudo, através de Tudo, terás a catarse que Te apartará do mundano.

Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Precipitada em Mim


Havia chuva
Dentro da Tua boca.
Sei disto
Pois há jazigos
Debaixo da minha língua
Que nunca provaram o sabor das flores
Até Te beijar.

Fica ciente
Que não pretendo fenecer
Sem o meu núcleo fendido.
Pretendo perecer
Tão devastado
Que terão de existir
Biliões de purgatórios
Para abrigar todos os meus fragmentos.

Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Tertúlia



Vem cá e conta-me
Sobre o Teu dia
Enquanto Te despes.
Vem cá e deixa-me
Amar-Te um pouco com os meus olhos.
Vem cá e vem-Te
Com essa Multidão que chamas de Corpo
E teremos uma longa Tertúlia.

Eu... Teu...


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Além do Princípio do Prazer



A esquina de uma secretária
Beija a Tua anca
Pisando-a.
Eu quero o que é Teu
O fardo que carregas
O foco, a pujança e a determinação
Que desmoronam
Quando pressiono essa nódoa negra.
Podes despir-Te
Do fardo
Das preocupações e prudências.
Podes confiar em mim
E deixar-me Amar-Te
Durante um bom bocado
Enquanto regeneramos
A lívido em Libido.

Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Lambarice



Colocas mel na ponta do meu nariz
Não o consigo lamber
Apesar de cheirar maravilhosamente.
Deixas um rasto de doçura em mim
Uma promessa de Paraíso
Ao qual permites que ouse aspirar.

Tão Duro...


sábado, 6 de dezembro de 2014

exCITAÇÕES



(...)

Their lips are bruised with new and old bruises.
Her hair and his beard are hopelessly tangled.
When he puts his mouth against her shoulder
She is uncertain whether her shoulder
Has given or received the kiss.

All her flesh is like a mouth.

(...)

Leonard Cohen - You Have The Lovers


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Adeus, minha Sardinha



Tem apenas cuidado
Com aqueles que enterram
O Teu coração no quintal das traseiras
E te iludem com o logro
De estarem a construir um jardim.

As Tuas sardas são mapas
Ao longo das curvas
Da Tua pele delicada
Conectando itinerários
Que descobrem
Diferentes padrões em Ti.

Dos Teus lábios ao Teu pescoço
Senti-me como Ponce de León
Ao longo de pequenas colinas
E vertiginosos vales
Até à Fonte da Juventude.

São constelações que brilham
Sob os Teus olhos
Como um manual de instruções
Sobre a melhor maneira
De Te amar.

Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

À beira da(s) Luz(es)



Peço desculpa, pelo meu conceito de intimismo se traduzir no ato de pintar as Tuas unhas dos pés. Peço desculpa, por Te querer beijar quando as folhas caídas desenham tornados lá fora. Peço desculpa, por Te querer beijar quando as nuvens beijam o chão, quando o Sol beija o mar e quando a Terra fica sonolenta. Peço desculpa, por Te querer beijar quando sorris, quando choras ou quando falas demasiado rápido. Peço desculpa, por não me conseguir embebedar à Tua beira sem que uma torrente de palavras tatue os meus segredos na Tua corrente sanguínea. Peço desculpa por substituir palavras meigas de amor pelas Tuas nádegas rosadas… por substituir fitas natalícias pelos fios dos Teus cabelos… por substituir os postais desta quadra pelas fotografias lascivas que Te tiro.

La Nuit et ses Mystères


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

De(u)saFogo



«Estrangula-me, por favor!»

Escutar aquelas palavras provocou-me algum desconforto. O desespero contido nas mesmas queimava-me. Na realidade, não era bem desespero… pois Ela era insistente. Súplica… sim, tratava-se de súplica. Um desejo em vez de uma necessidade. O problema não era a ação. A minha mão encontrava-se familiarizada com o seu pescoço… o meu polegar era íntimo daquela traqueia. Aquilo que me perturbava era a dissonância entre aquele rosto angelical e a respetiva fome por brutalidade. Observei-A. Ela encarava-me de baixo para cima, o Ser mais Doce no qual já pousei o olhar. Lábios entreabertos, como se fosse dizer algo, aguardando por uma mão que se insurgisse contra a sua garganta. Os seus olhos pestanejaram, do meu rosto para a ponta dos meus dedos e não pude conter um sorriso. Era diametralmente oposta a mim. Um reflexo de tudo aquilo que não representava. Uma Menina para o seu Homem. A primorosa delicadeza Feminina para a sobranceria perversa Masculina. Paciência expectante contra o Impulso contido. Uma Submissa para o seu Dominador. Eu não presumia conhecê-la, nem compreender as maquinações da sua mente, mas naquele instante seria mirífico poder escavar aquela superfície para enxergar as suas engrenagens.

Optei por irromper pela sua compostura, assentando uma mão contra aquele pescoço, como já o havia perpetrado inúmeras vezes. Apenas repousava a palma da minha mão, mas Ela arquejava de qualquer forma... de todas as formas. Então comecei a espremer. Queria registar a mutação de cada detalhe expressivo daquela face, à medida que o Desejo se rendia ao Desespero. A sua Vida, literalmente na palma da minha mão… e ambos irremediavelmente perdidos na Epifania do momento. Queria igualmente refastelar-me com o refolgo das suas feições no momento em que aliviasse a pressão… e com a sua gratidão pela minha convicção em aquiescer ao seu pedido.

Eu não presumia conhecê-la... mas conheço-me suficientemente bem.

Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias-Calças!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

procELA



Destruir-Te-ei na mais bela das intempéries
E quando finalmente discernires os raios de Sol
Assimilarás a razão pela qual as Tempestades recebem nomes de pessoas.

Porque é quase Natal...



... e eu Adoro Meias!