quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Chanfro



Desde que hajam marcas, existem provas.
Ela pode deslizar os dedos pelo plissado da pele, reconhecer os sulcos e os vincos, a forma como foi embrulhada por algemas, cordas e grilhões.
Embrulhada, é definitivamente a palavra mais adequada.
Mesmo que uma hora do tempo (esse tirano) passe sobre o momento, as marcas permanecerão. Tudo aconteceu. Não é apenas o resquício de uma memória quebradiça, intercalada com fantasia e embelezamento de qualquer patética, rebuscada, desesperada e simplória Sombra de Grey. Ela não precisa de idolatrar nem demonizar o momento. Basta um suspiro. A assunção da realidade. Certamente exausta, mas embrulhada pela Verdade que paira no quarto, como um Perfume. Por muito que deseje tocar nos padrões que estampei na sua pele, não se atreverá a roçar os seus dedos, com receio de os apagar. A retrospetiva é um exercício deveras engraçado… pela forma como alumia as razões que nos desproviam antes de um determinado momento no passado. A Emoção, essa será sempre o derradeiro Vestígio do Presente… sem qualquer tipo de Sombra… de dúvida!

4 comentários:

  1. Perfeito!
    Melhor descrição,impossível!
    beijinhos.

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  2. Há marcas que não comprovam nada, Eros.
    Mas o texto está belíssimo, parabéns.
    Fica um beijo.

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    1. Uma Marca representará sempre uma Prova, por muito que a negação psicológica tente apagar afirmação física.

      Beijo retribuído.

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