terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Ter ou não Ter, eis a Questão



Cada beijo era como um Adeus e Ela recusava quedar-se com apenas um, cravando os meus lábios com os seus dentes, servindo-se do poder de sucção dos seus lábios, forçando-me a procrastinar antes de a desamparar. O beicinho era o próximo convidado para a parada de artimanhas, de mão dada com o suspiro de queixume… bastante eficazes na invocação de mais um longo beijo, protelando o inevitável. Parecia que de todas as vezes que me começava a afastar, aquela poderia ser a última vez, pois a trepidante propensão para o sadismo ameaçava findar por ali as doces hostilidades do confronto carnal. Deixando-A frustrada com o remanescente… deixando-a pendente… pairando entre possibilidades… insegura, confusa, desesperada. Contudo, igualmente grata! Por cada fragmento meu concedido, pelo gotejamento nutrido, pelas sobrecargas, por soçobrar em prazer. Poderia sossegar a tempestade de conjeturas. Todavia, beijei-A… daquela forma que normalmente representa o preâmbulo de algo, ou o epílogo de tudo… e as suas terminações nervosas ressaltaram pelo estômago, num ricochete que certamente causaria alguma espécie de dano quando findasse.
Ela amava-me por isso. Ela detestava-me por isso.
Ela era Minha por causa disso.

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