sexta-feira, 27 de março de 2015

Alvorecida



As manhãs não são excêntricas. Não se revestem com a tonalidade bizarra que nos imerge numa cena rocambolesca. A consciência não se encontra espevitada para chicotadas ou laçadas. O quarto encontra-se reivindicado pelo torpor do sono. Um banho de ouro rasteja pelas paredes. Sob os lençóis, risadas atabalhoadas escoltam dedos, lábios e narizes que se esfregam. Pela manhã, somos animais, funções motorizadas com uma combustão de líbido, enquanto o cérebro chafurda na terra dos sonhos, ajustando-se à realidade afortunada que reflete as prévias emissões noturnas. Uma liberdade repleta de honestidade, embrulhada numa espécie de zelo que desnuda a teatralidade das vestes noctívagas. É tudo mais simples. Menos complicado. Apesar de simpatizar com a complexidade do enredo. A complexidade faz-me vir mais vezes. Faz-me vir com maior pujança. Faz-me morder o ar, com o intuito de devorar os teus gritos. Todavia, as manhãs são sagradas e guardo-as com outra espécie de reverência. São os raios da aurora que penetram pelas fendas da janela e se enleiam no eixo dourado da minha ereção. São a desculpa para mandar foder toda e qualquer introspeção.. fodendo de qualquer forma… fodendo de todas as formas.

4 comentários:

  1. Gosto de momentos indefinidos quando os corpos começam a sair da terra dos sonhos :)

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    1. Quando o torpor dá lugar ao torpedo... :)

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