quinta-feira, 5 de março de 2015

Cúspide



O ar estalou quando acelerei a mão através dele, desabando-a no seu rabo empinado. As nádegas modelarmente roliças estremeceram em deleite com o impacto do golpe. Era como se tivesse começado a relampejar pela sua espinha abaixo... e Ela esperneasse em conformidade, bamboleando na sensação até esta se dissipar.
Mas não era suficiente.
Ela espreitou por cima do ombro e examinou o vermelhão a esvaecer em rosa. Como uma queimadura solar passageira que mal havia ardido. Ela queria uma marca, um brasão, algo que durasse dias, não apenas horas. Vi o seu rosto de desapontamento, e por instantes, fiquei surpreendido.

«Que se passa?»
Cortei a cena como se tivesse uma claquete, mas a preocupação no meu rosto fê-la sorrir e contorcer-se um pouco mais.

«A palmada não foi suficientemente forte… quero uma pisadura!»
Percorri os meus dedos pela sua pele inflamada, provocando-lhe um ligeiro formigueiro, mas Ela sabia que dentro de minutos, se não segundos, perderia aquela sensação.

«Empreguei bastante força…»
Retorqui, numa mescla de aviso e justificação. Ela não queria saber. Ela queria sentir o que solicitava e não se acanharia no apelo.

«Quero mais forte!»

Por um momento, hesitei. Ela certamente reparou como me detive na cúspide da decisão. Conjeturava se deveria investir no seu instinto, sem adulterações, desprendido de armadilhas filosóficas ou psicológicas. Naquele momento, Ela assimilou que a deliberação determinaria se aquela era uma ocorrência fugaz, uma folia efémera, ou o impacto do Homem por quem retornaria em busca de contusão atrás de “com tesão”.

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