terça-feira, 3 de março de 2015

O Esplendor da Simetria



A chama era o seu pavor. Ela conseguia lidar perfeitamente com a cera que salpicava a sua pele, instantaneamente enrijecendo, como uma espécie de armadura que a revestia. Ela até conseguia lidar com a forma como respigava ligeiramente na cratera da vela, por mais sinistro que tal se afigurasse. Era a chama que temia… o ardor que tremelicava e deslumbrava, que ameaçava jorrar do castiçal. Um medo irracional, uma luz de aviso, algo que a prevenia sobre atos que talvez ainda não estivesse devidamente maturada para encaixar. Todavia, Ela recusava perder muito tempo com a metade conservadora do seu cérebro. Preferia alumiar a devassidão simbólica da Chama, fervilhando no louvor da cera. Aos poucos, tornava-se numa pintura de Pollock… um arranjo abstrato de pontos e respingos, cada um irrigado com um sentido obscuro que Ela jamais conseguiria decifrar. Quanto a mim, apesar de atentar nos diferentes sítios onde aterrava cada pingo, esbanjava especial atenção no seu peito. Os seus mamilos eram como pequenas ilhas de cera cuja turgidez começava a despontar como vulcões… dois pontos gémeos que não tinham o direito de ser tão simétricos num mar de tamanha assimetria. Ela mordiscou o seu lábio… e eu beijei com sucção o mamilo mais perto do seu coração. No instante em que ameaçava afastar os meus lábios daquele ponto sensível, decidi trancar o seu cume entre os meus dentes… e Ela derreteu-se como a cera daquela vela… concedendo-me um pouco mais de simetria para continuar a brincar.

4 comentários:

  1. Quase senti a cera derreter ;)
    Muito bonito e muito intenso também

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    1. Há que alumiar o caminho... E torná-lo escaldante... ;)

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  2. velas....
    texto delicioso..
    beijo.

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