sábado, 7 de março de 2015

Ponte



Viajar sozinho, mais do que expandir horizontes, emerge-me no horizonte dos meus desejos.
Gosto do desconhecido. Mas perco-me pela entidade Desconhecida. Por aquele vulto incógnito que descreve uma tangente à minha numa qualquer calçada citadina e me magnetiza pela sua fragrância, pelo seu menear, pela eloquência do seu olhar, pelo livro que traz no regaço, ou pelo laivo enigmático do seu sorriso.
Faz hoje uma semana, que em plena Cidade da Luz, Te avistei.
Encontravas-Te na margem oposta.
Construías inconscientemente uma ponte até mim.
E morri, aliás, soçobrei ao tentar engolir o Sena entre nós.

6 comentários:

  1. O mistério do que não se conhece abre portas e pontes maravilhosas na nossa mente :)

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    1. Se fosse apenas na mente, tudo seria bem mais facilmente sanado... :)

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  2. Estas pontes são autênticos labirintos afectivos, até chegar o fim do seu percurso, há pelo caminho mutios avanços e recuos.
    Posso afirmar que já me perdi num desses caminhos. Ainda hoje não lhe descobri fim.
    Belíssimo texto Eros, gostei para lá de muito :))
    Deixo um beijo solarengo.

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    1. Eu perco-me bastante na singularidade da Entidade. Algo que alicerça a minha Identidade: Soçobrar na evidência do Impacto!

      Beijo solstício.

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  3. Belíssimo imagem construída por palavras...

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