sexta-feira, 6 de março de 2015

Vestigial



Vim-me como se estivesse a contemplar um pôr-do-sol em Angkor Wat… varrido por uma sobrecarga de êxtase. Retirei-me de dentro dEla e escutei-A balbuciar um gemido… ao mesmo tempo satisfeita e frustrada. Estava demasiado exausta para voltar a foder, mas tal não extinguia o desejo que fervilhava dentro dEla. Plantei um beijo na sua testa e libertei-A de alguns nós, o suficiente para livrá-la da ferroada da corda.
E então deixei-A.
Para limpeza, para reflexão… pouco importava. Saí do quarto para lhe conceder o espaço que necessitaria para expandir a mente, depois de a haver implodido. Espreitei-A rolar na cama e inspirar. Revirada pela bênção do momento, com a névoa dissipando paulatinamente em direção ao teto. Moveu os punhos, um contra o outro, ajustando um pouco mais de folga relativamente à corda. Podia libertar-se, mas preferiu manter a noção de presença, apesar de a saber residual. Sons ecoavam pelo apartamento, alertando-A para a existência de um mundo além dEla, além do quarto, além do corredor, além do edifício. Os subsistemas do seu cérebro reiniciavam-se. Alimentavam-na com informação, enquanto saía de uma espécie de criostase e se aclimatava ao Novo Mundo.

A hipérbole derreteu em virtude da satisfação, quando descendeu do glorioso zénite.
Regressei ao quarto, envergando apenas umas calças de fato de treino pretas, e observei-A a libertar-se das amarras. Sorri e Ela retribuiu o sorriso.

«Ainda comigo?», murmurei e exultei interiormente ao vê-la dilatar o sorriso.
«Hm Hm. E tu?», questionou enquanto se espreguiçava.
«Sempre!»

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