quarta-feira, 22 de abril de 2015

Quid Pro Quo



Na maior parte do tempo, revezámo-nos. Não por qualquer sentido de dever, ou porque sinto que o equilíbrio cósmico fica enviesado a meu favor. O prazer deriva da transmissão… da perversão fiducial que engrena o nosso quotidiano. Invisto estocadas naquela boca em forma de alvo e quando a sua mandíbula se adapta ao perímetro da minha tesão, tudo aquilo que sinto são lábios roliços e uma língua expedita provocando a minha rendição ao fervor do momento.

Então, quando me sinto gasto, observando-A repleta, tomo-A pelas ancas e arremesso-A para a cama. Se Ela tiver sido boa, sepultarei a minha cabeça entre as suas pernas, sob a guarda da sua exclamatória protuberância. A minha língua não é igual à dela… enquanto a minha se mune da precisão para escoltar pujança sensorial, a dela distingue-se enquanto rebeldia embrutecida. E quando nos degustamos ao mesmo tempo, transformo a situação num jogo. Acampo as minhas mãos no seu rabo e alerto-A que se em algum momento, sentir que a sua atenção escorrega no prazer que lhe concedo, desviando o foco do que está a fazer, receberá uma palmada que a devolverá à premência do presente. Claro que A apresto para o falhanço, mas o que seria dos dias sem o impacto da diversão?

No primeiro dia deste jogo, durou apenas cinco segundos antes da minha mão soltar um eco pelo quarto. Outros dez segundos se seguiram e trovejou o segundo eco. As artimanhas assentavam na arte das manhas que Ela me havia denunciado ao longo das fodas, com contorções instintivas, com gemidos delatores, com sobressaltos que a prostravam à mercê dos meus caprichos. Habitualmente levava o meu tempo, acirrando-A, mas o conceito deste jogo tinha contornos bélicos e o meu intento era sair vitorioso, derrotando-A cabalmente. A língua dEla baqueou ineficaz em torno da minha glande. Tentou apenas sugar, concentrando-se em algo que exigisse metade da sua atenção, mas teve de pausar a sua língua para que um gemido se escapulisse pelos seus lábios. De todas as vezes que fraquejava, a minha mão retumbava nas suas nádegas… que enrubesciam cada vez mais.

Ela veio-se primeiro. Um vendaval de culpa, prazer e travessura conferindo-lhe asas que implicavam o mau presságio de um corvo. Ela sabia que estava encrencada, mas prostrava-se demasiado esvaecida para se preocupar enquanto se vinha e vinha e voltava a vir…
Naquele momento, Ela era Minha… e pessoalmente estava demasiado focado em justificar através daquele tornado de prazer, toda a dor que adViria sobre si.

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