sexta-feira, 29 de maio de 2015

Pintada de Fresco



Posteriormente,
Observo-Te
Enquanto Te aprumas para sair.
Sinto vontade
De tocar na pintura
Que ainda escorres,
De deixar alguma marca
Em Ti…

Não quero que saias
Para a rua
Sem teres
Presente na carne
Um traço do Futuro
Delineado pelo nosso Passado.

Não desejo libertar-Te
Imaculada
Na selva urbana.
Desejo-Te conectada
Por alguma mancha na maquilhagem
Por alguma sugestão na roupa
Por algum cunho na pele…
Através destas mãos impacientes.

Everybody's Got a Thing


quinta-feira, 28 de maio de 2015

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Miragem de Asfalto



Vi-Te…
Quer dizer,
Vi o Teu pé
E parte da Tua perna
Debruçados na janela de um carro
Quando enfrentava o trânsito.

Eras Tu,
Pois necessito que estejas aqui
À distância de um carro
Com a pintura dessas unhas
Substituindo os meus semáforos.

Eras Tu,
Pois necessito dessa perna
Que na minha direção se espraia
Invocando-me enquanto brisa
Que desliza sob a Tua saia.

Everybody's Got a Thing


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Salix



Sonhei que eras uma Árvore.
Um Salgueiro
Cujo amante era a Terra.
Privilegiavas solos húmidos
Os Teus seios eram verdes
E estremeciam quando o vento soprava.
Os Teus múltiplos braços
Deificavam-Te
Como a deusa Kali.
E o Teu tronco
Era o meu caralho penetrando-Te
Eternamente
Ramificado em Ti.

Everybody's Got a Thing



sexta-feira, 22 de maio de 2015

Lucífugo



Qual é a palavra para o descrever?...
Não é vício… nem fraqueza…
Mas há algo em Ti,
Algo… indomável… patente…
Latente…
Que não consegues ocultar.
Consigo escutar a ululação enjaulada.
Consigo cheirar a pele eriçada.
E não consigo impedir
O meu indomável
Coração Noturno
De Te responder.

Sem Meias Medidas


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Fome Escarlate



Há Estórias,
Dizem,
Sobre Lobos e Meninas.
Meninas de Vermelho.
Perdidas.
Prestes a serem Devoradas.
Lobos e Meninas.
Ambos com dentes bem afiados.

Aproxima-Te
E mostrar-Te-ei
Quão grandes são os meus olhos.

Everybody's Got a Thing


terça-feira, 19 de maio de 2015

Rendez-Vous


É imperativo
Que deixemos para trás
Alguns fragmentos existenciais
Como peças de roupa olvidadas
Em camas equivocadas
Para que na altura
Do verdadeiro encontro
Logremos estar desnudados. 

Everybody's Got a Thing


segunda-feira, 18 de maio de 2015

O Berço e o Colinho



Os domingos findam num ápice.
Num instante,
Encontramo-nos entre as coxas
De um sábado embriagado em paixão
No outro,
Arrastamo-nos entre os resquícios ébrios
De uma segunda-feira.

Sem Meias Medidas


sexta-feira, 15 de maio de 2015

A Janela é um Lugar Estranho



«O que fazes aí?»

A minha voz encontrava-se temperada com curiosidade, mas não era apimentada pela frustração. Do lado oposto do quarto, contemplava com um cuidado fotográfico a forma como a luz engalanava as suas curvas. Ela voltou-se e levou alguns segundos até focar a sua atenção além do pensamento que a velava.

«Hmm?», serviu-se de uma onomatopeia para evitar que o silêncio se tornasse sinónimo de rudeza.
«Perguntei o que fazes aí, especada na janela. Ultimamente refugias-Te por aí depois de terminarmos.»

Na boca errada, aquelas palavras poderiam soar como uma afronta, mas estava demasiado enlevado pelo pós-coito para me preocupar com estratégias ofensivas.

«Observo.»

Revirei os olhos perante aquela resposta espreguiçada, mas sorri, e endireitei-me na cama.

«Então descreve-me lá o que observas, minha menina. O que prende de tal forma essa atenção, que há breves instantes se encontrava debaixo do meu jugo?

Verifiquei como estremeceu os cantos da boca e saboreei aquela ligeira concessão.

«Fitava as pessoas do outro lado da rua. Há sempre alguém, algures à janela, a fazer algo. Lavam-se, vestem-se, ouvem música, leem… enquanto espreitam pela janela.»
«Porque o fazes?»
«Porque é assim que me sinto quando terminámos. Conectada. Não apenas entre nós, mas como se todas as pessoas do planeta estivessem entre estas paredes, ou do outro lado do vidro…», tocou com a mão na janela e rematou, «… gosto literalmente dessa sensação.»

O semblante permanecia no meu rosto, mas havia atenuado. Paulatinamente, aproximei-me dEla, por trás, e coloquei uma mão no seu abdómen enquanto a outra se embrulhava gentilmente no seu pescoço.

«Engraçado... pois eu sinto precisamente o contrário. Sinto que o resto do planeta esvaece. Como se estivéssemos sob as luzes da ribalta e tudo o resto fosse escuridão.»

Acenou afirmativamente.
Aceitou as palavras.
Não ofereceu julgamento.
Olhamos através da janela, pois de certa forma, o Amor é mesmo isto… não é olhar nos olhos um do outro, mas juntos na mesma direção.

Everybody's Got a Thing


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Capela Cornaro



Ela queria ser desenhada
Em lápis, carvão ou pastel.
Ele queria elevá-La
Acima do chão e do vão
A partir de uma folha em branco
Desde os lençóis espreguiçados
Por dedos destros
Com um plano
Sem medo da sujeira do Amor
Ou do Êxtase da Arte.

Sem Meias Medidas


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Belos e Malditos



Sim
Creio.
A Esperança reveste-me.
Fitzgerald defendia que 
Para saber viver
Temos de assimilar
Como tudo é desprovido de sentido
E como ao mesmo tempo,
Há Esperança 
Para contrariar tamanho axioma.

Ontem
Deitados na cama
Sabia-Te acordada
Enquanto fitava o teto
Relembrando
Uma aurora boreal
Em Tromso.
E apercebi-me
Da importância
Do Teu frágil peso
Ao meu lado…
E da quantidade
De esperança
Que deposito
Na audição
Da Tua respiração.

Everybody's Got a Thing


terça-feira, 12 de maio de 2015

Mo(nu)mento Solstício



Sonhei
Simbolicamente
ConTigo…
Sonhei
Com um Sol fervoroso
Que se afundava no horizonte
De um Oceano pacífico
De encontro ao seu reflexo.
E quando o encontrou
Escutei uma voz:
«Ardi o dia inteiro por este momento…»

And the rest is Du(n)st



... Bardotizada, vá...

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Entretecido



A cada ano pensam-se pensamentos mais vastos, mais longos, daqueles que já nem se conseguem encaixar em vinte e quatro horas. Até que assoma a assunção de uma escolha premente para a sanidade da mente. Há que optar entre o desassossego pensativo de uma criança ou a libertadora clarividência infantil para transformar cada dia num recreio. Caso contrário, os dias esmagavam-me, as noites tornar-se-iam mais curtas, levantar-me-ia esfalfado por pensamentos que se enfardelam nas distrações quotidianas. Portanto, adoro envelhecer lentamente pelos meus trintas… preciso de abraçar os silêncios, as auroras em países diferentes… preciso de embrulhar estes longos pensamentos em torno de cada uma das gentes que conheço, tentando assimilar aquilo que as move… e o que me move por Ela(s).

Sem Meias Medidas


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Vou ali e já venho...


exCITAÇÕES



(…)

She said, "Hello, Mister, pleased to meet you"
I wanna hold her, I wanna kiss her
She smelled of daisies, she smelled of daisies
She drive me crazy, she drive me crazy

Gonna take her for a ride on a big jet plane
Gonna take her for a ride on a big jet plane

(…)

Gonna hold you, gonna kiss you in my arms
Gonna take you away from harm

(…)


Everybody's Got a Thing