quarta-feira, 3 de junho de 2015

Ponto Final



Por muito vincada que seja a nossa Identidade, por muito independentes que sejamos da opinião alheia, sempre buscaremos conforto nos nichos que escolhermos para habitar. Neste recanto, sempre escrevi de mim para mim… e para Ela… todavia, é indesmentível a inspiração que outros recantos vizinhos me proporcionavam. Hoje em dia, isso desapareceu. Parece que uma onda de vulgaridade varreu a população e isso reflete-se por todo o lado. Nunca aderi ao Facebook (por exemplo), pois sempre me causou perplexidade abjecta como alguém pode estar na rua a deslizar o dedo pelo telemóvel espreitando a vida alheia, quando a vida se desenrola literalmente à sua volta. É penoso constatar como espaços que idolatrava enquanto blogger, redundaram num chorrilho de querelas, boçalidade, carência e falsidade.

O meu tempo findou, por aqui. Lá fora, o verão debruça a terra no seu colo, esfrega o seu rabo e espanca-A com a sua mão escaldante… até que Ela implore pelo outono… essa minha estação de eleição. Viro-me para Ti, para o Teu corpo, como se fosse um mapa que me indica o caminho para casa. Mergulho no leito do Teu rio e nado pelas Tuas correntes… mas talvez tenhas de me conceder uma passagem segura. Contudo, jamais  me deixes passar sem provação. Não me prometas bonança até temer soçobrar em Ti, pois a Tua beleza reside justamente na fúria intempestiva. Estou conTigo… pelo Sossego e pelo Desassossego. Leva-me então para o Mar e continuarei a escrever poesia nessa pele beijada pelo sal e pelo sol. Serei a causa da Tua exaustão, do Teu medo, da Tua devassidão, da Tua memória de elação, no final de um longo dia, passado enquanto nómada que se acampou eternamente na ladeira do Teu coração.



Everybody's Got a Thing


Sem Meias Medidas