terça-feira, 21 de julho de 2015

ArFada



«Não te atreverias.»
Aquelas palavras não poderiam mostrar pinga de arrependimento, porque se Ela tivesse a mais leve compunção, jamais as teria vertido dos seus lábios, nem sequer teria a audácia para liberar um sorriso malicioso.
A minha mão encontrou o seu pescoço como um touro choca com o seu matador e Ela voltou a enrubescer. As suas roupas eram uma pilha olvidada no quarto ao lado… uma armadura que havia sido rendida antes da perigosa investida. Os meus dedos comprimiram. Ela engasgou-se.
«Não?», claro que a chacoteava e validava desta forma a sua irritação. Uma irritação contraproducente com a forma como esperneava. Uma irritação contraproducente com as pulsações que reverberavam entre as suas coxas. Virou a cabeça na direção da parede, numa vã tentativa para camuflar um sorriso. Eu não A conseguiria quebrar. Não tinha as ferramentas necessárias. Aumentei então a pressão na traquéia. Voltou a espernear, só que desta vez, o lábio inferior trincado não refletia excitação.

«Eu fiz-te uma pergunta, Minha Puta!», apliquei mais pressão. Ela deveria começar a sentir os pulmões a queimar. Uma mão aflita despontou, pousada nos meus dedos. «Pedi-Te para repetires a injúria. Dizeres “seu cabrão”, mesmo num contexto libidinoso, é infinitamente mais injurioso que dizeres “Meu Cabrão”. Volta a cometer esse erro e verás o que Te acontece!»
A frieza na minha voz era desconcertante, pois tinha como propósito colocar em alerta qualquer displicência. Ela certamente meditaria com maior atenção no teor das minhas palavras, caso a sua maior preocupação não fosse restabelecer o fluxo de ar que lhe havia sido cortado.

Subitamente libertei-A… apenas o suficiente para A deixar respirar. Sorveu longas golfadas de ar, devorando-as com um olhar de indigestão. A mão pousada nos meus dedos perdeu o frenesim. Levou o seu tempo, recuperou lentamente a compostura e encarou-me com um misto de languidez e repto.
Olhei-A de volta.
Segundos, pareceram horas.

«Não te atreverias!»

Estrangulei imediatamente todo o seu escárnio, enquanto a vi-A estreitar os lábios, revirar os olhos e arremessar a cabeça para trás, perdendo-se no tornado da minha fúria. A minha outra mão esbofeteou tudo ao longo da descida vertiginosa… com ferroadas na lateral das suas mamas, nos seus mamilos, nas suas coxas, no seu rabo e finalmente, naqueles lábios rosados, inchados e melados, provocando-lhe a submissão do derradeiro recurso de fôlego.
Essa mão, todavia, não se quedou por aí. Os dedos esfregavam, puniam, invadiam-na e enroscavam-se dentro dEla, preenchendo-A até espremer todas as suas pulsações, enclausurando-A numa névoa ofegante que a fazia levitar em direção ao teto.
Quando finalmente pude desatar a opressão, tombou arfada de regresso aos lençóis, esmagada pelo peso do oxigénio precioso e olhando-me em contrapicado através de lágrimas engasgadas.
Eu sorria.
Ela também… bem lá no fundo.

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