terça-feira, 25 de agosto de 2015

Florilégio



Os livros acomodam-se na minha estante como um refrão existencial, onde cada palavra é como um comentário ambíguo para cada ação, onde cada frase é como uma sentença e onde cada parágrafo é como um aplauso de resolução.
Mas há confusão, nesta relação.
Tudo porque apesar de me projetar em muitas daquelas linhas de texto, eles também me usam como tela ebúrnea para a sua própria ribalta. Somos um armário de ingredientes, debaixo de uma saraivada de disparos que tencionam mesclar sabores até que algum ressoe alguma espécie de epifania. Como a ondulação do cabelo de uma rapariga na altura do liceu, onde cada brisa antológica surge perfumada algures entre a fantasia, a realidade e a memória… sem capacidade para distinguir se tudo não passa de reminiscência hiperbólica.
Os meus livros são autênticas ratoeiras, preparadas para Te capturar e fazer contorcer. E não conseguirás resistir à bisbilhotice, minha doce roedora, pois cada um deles é uma janela que Te permite espreitar a minha mente. Pois então, esperneia com Lawrence. Dança com Joyce. Fica enciumada com Atwood. Perde-Te nos mosaicos de McCann. Sorri com Eliot, que ele certamente sorrirá conTigo. Mira furtivamente Poe. E fica inquisitiva quando encontrares Miéville emparelhado com Gaiman.
Cada Livro tem uma história, e cada história tem algo sobre mim.
Talvez descubras, que também tem algo sobre Ti.

10 comentários:

  1. A imagem é de cortar a respiração. Belíssima.
    Acredito que cada um de nós que habita este universo da blogosfera se revê nalguma personagem retratada pelos autores que identificaste. Por exemplo, o Poe, define uma ave que me tem cativa, há já alguns anos...
    Gostei muito deste teu post.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A lucidez repetitiva desse animal, bem o alertou para esquecer Lenore...

      Um beijo Sandra!

      Eliminar
  2. Respostas
    1. Esse, está ao lado das odes de Keats e das trips de Keouac...

      Eliminar
  3. Nós também escrevemos os livros aparentemente já escritos.
    Gostei muito de te ler.
    Beijo.

    ResponderEliminar
  4. Eros,
    meu amigo, estás a atravessar mais um momento fantástico da tua escrita...nada que me surpreenda pois tens vindo a habituar-nos com a excelência das tuas palavras!
    muito bom...mas muito bom mesmo!
    Parabéns
    beijo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ártemis,
      Minha doce amiga, um elogio teu será sempre motivo de lisonja.
      Muito obrigado pelo constante carinho.
      Beijo

      Eliminar
  5. Subscrevo inteiramente as palavras da Maravilhosa Artémis :)
    A imagem remete-me para o Gótico de Shelley e de Stoker ;)
    Beijo :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois a mim, evoca-me Le Fanu e Wilde...

      Agradeço-te com um beijo :)

      Eliminar