terça-feira, 11 de agosto de 2015

Olhar Maltado



O meu hálito a whisky
Incendeia o quarto.
Quando acordei
Apercebi-me que nunca tinha dormido
Desde que me atiçaste
Com o olhar.
O contorno das minhas palavras
Tem o contorno dos Teus lábios
Tentando formar uma oração dominical
Com tantos infiéis ajoelhados à Tua porta
Que me fazem relembrar
Como me encontro
De pé
No interior
Da Catedral de uma Deusa.
Velaste os penitentes
Durante tanto tempo
Que as Tuas paredes
Se encontram riscadas com sangue
E cravejadas com unhas
Que suspiravam
Pelo oxigénio da Eternidade.

Não quero o infinito
Quero arder na tormenta
De um quotidiano de delito
Sem recurso a água-benta.

6 comentários:

  1. ..."Não quero o infinito
    Quero arder na tormenta
    De um quotidiano de delito
    Sem recurso a água-benta"...
    Perfeito!
    Beijo.

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  2. ... Sim, parece que o que todos queremos é a excepcionalidade dos dias normais.
    Belo post... Julgo que não terá sido escrito sob o efeito do whisky. ;)

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    1. E não é que o teu julgamento falhou redondamente? ;)

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  3. Eros, quando a alma se solta do corpo, acontecem coisas destas:), o poeta e o poema fundem-se e a poesia grita.
    Belíssimo momento de poesia, obrigado.
    Beijinho.

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