segunda-feira, 7 de setembro de 2015

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Romance Gráfico



Esta noite serve para o Teu Amor
Demolir o Muro de Berlim da minha Alma
Até nos reerguermos como Um país unido.

Os Teus lábios transmitem-me
Um alfabeto de Amor
Que não me julgava capaz de redigir.

Os pequenos corvos do Teu vestido amarelo
Adejam as suas asas ao vento
À medida que sopro letras.

A Tua boca sabe a água
De Temporal
E o meu último gole libera relâmpagos.

Um beijo Teu
Faz-me sentir capaz de saltar
Por cima da Muralha da China.

Este é o enredo na qual a minha Heroína
Combate a fortaleza da minha cidade fantasma
Para dilacerar o calcanhar de Aquiles dos meus medos.

Esta é a vinheta onde rasgo os céus
Para recolher o pó das estrelas suficiente
Para escrever o Teu nome numa constelação.

Everybody's Got a Thing


3 Dias para Carícias Solstícias...


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Até que o Alzheimer nos Separe



«Tenho medo de Te magoar», disse-lhe.

«Isso parece-me um plano. Vamos então colocá-lo em prática… agora.»
Todavia, apercebendo-se de como não me havia convencido, levantou-se... desabotoou a sua camisa e puxou para baixo o lado direito do seu soutien.
«Vês isto? Aqui? Ganhei esta cicatriz aos nove anos, quando caí de bicicleta. Encontra-se na minha mama antes do tempo em que lhe podia chamar de mama… e mesmo assim, consigo descrever detalhadamente esse dia. Mesmo depois deste tempo todo, consigo reviver na minha mente esse momento com tremenda clareza. Não creio que me vás magoar, mas se porventura ganhar uma cicatriz de adulta, irei zelá-la como zelei por esta cicatriz de menina. Recordar-me-ei com precisão do sítio no qual me encontro, da tonalidade da luz que entra neste quarto, do meu ritmo cardíaco e dos olhos nos quais me afundo. És a personagem que escolhi para o papel principal desta nova memória.»

Sem Meias Medidas


5 Dias para Carícias Solstícias...


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cidade do Pecado



Se fosses uma Cidade
Gostaria de conhecer
As entranhas de todos
Os Teus bairros de lata.

De ler os Teus graffitis,
De beber água da torneira,
De asfixiar no Teu smog
Conspurcado numa poça de suor.

De perder o fôlego
Nos Teus arranha-céus
E estrangular-me
Nas artérias do metropolitano.

De ouvir uma orquestra
De sirenes e tiroteios
E inventariar a sinistralidade
De todas as Tuas ruas.

Se fosses uma Cidade
Teria a expectativa de ser roubado.

Everybody's Got a Thing


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