quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Cidade de Pecado



Os seus beijos
São como ganchos
Para pendurar
Pisaduras
No gargalo
Do meu pescoço.
Um terço dEla
É Ciclónico;
Outro é Artístico;
E por fim Provocatório.
Ela soprou e supriu a minha Morada;
Esculpiu-me em Pedra;
E fincou-me na Cidade da Sua Pele.

Foodie… do


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Tua



O fim-de-semana
Torna a sua voz melíflua
Enquanto palra com os guarda-rios
E arranca ninhos entre as suas unhas.
Eu, bebo água da chuva
Com canela
E faço de conta
Que o Natal chegou mais cedo
Ao Douro.
Entro pelo bosque adentro
E retorno com dois coelhos
E dedos ensanguentados.
Ela pega nas suas facas
Em forma de clavículas
Esventra-os como se fossem peixes
E coloca as suas peles a secar.
Diz-me que lhe transmitem
A sensação da carpete que ardemos
Outubro do ano passado
E que em breve as usaremos
Com os nossos corações de coelho
Relampejantes
Enquanto o orvalho pinga no alpendre.

Sem Meias Medidas


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Preênsil



Adoro a forma
Como me olhas
Como se estivesses perdida...
E me confias que Te encontre
Com a minha boca
Com as minhas mãos…
Como se tivesses uma cauda preênsil
Que me prende a imaginação.



Everybody's Got a Thing


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A Alegoria da Teia



Imagina que o Amor
É uma aranha
E tu és daquelas pessoas
Que nunca mata uma aranha.
Então,
Um Poema
Seria o lenço de papel
Que usas
Para delicadamente
Recolher a aranha,
Apressando-te para a janela
Com o intuito
De devolução
À natureza selvagem,
Onde julgas que pertence.

Agora imagina
Que essa aranha
Regressava vezes sem conta.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Fossa Supra-Esternal



Eu sei que é apenas uma amálgama de ossos e músculos, de veias e tendões e pele… eu sei disso… mas aquela pequena depressão na base da tua garganta é alagavelmente adorável… é uma autêntica várzea para gotas de cera, para a minha saliva, para o meu esperma, para as Tuas pérolas… e também para o Teu sorriso, para as cinzas da Tua voz, para os gemidos do Nosso Amor…

Everybody's Got a Thing


Foodie… do


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

AssombraDor



Amar-me
É como amar
Uma casa assombrada;
É giro visitar
De quando em vez,
Mas ninguém deseja
Por lá viver.
E quando solicitas
«Fala-me dos Teus piores dias»,
Soas como toda
A catraiada da vizinhança
Desafiando-se mutuamente
Para tocar à campainha.

Sem Meias Medidas


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

DOP



Amarrada. Debruçada. Vendada.
Espraiada. Demarcada. Retida.
Exposta. Vulnerável. Contida.
A assunção de que naquele instante és Minha.
Para ser usada e degustada, enquanto Região Demarcada… quando e como me aprouver.
Aguardas. É tudo aquilo que Te resta.
Os sons representam a Tua zona de conforto. O baque acelerado do Teu pulso chega ao Teu ouvido. Cada fôlego concedido ressoa estrepitoso pelas paredes do quarto. Escutas movimento. Uma rolha salta da garrafa. Vinho é vertido… algures. A página de um livro é volvida. Um cinto é desapertado. Outros sons tornam-se mais complicados de discernir. Espremes a Tua mente para tentar assimilar o que tentam pressagiar.
Talvez uma mão, suave, para Te acariciar… dedos que sairão de Ti, encharcados e olorosos.
Talvez uma palmada agudizada na Tua pele… uma mordidela deleitosa que Te acelera ainda mais a pulsação.
Talvez nada mais, além de dilação, ânsia e saudade.
Até chegar o primeiro toque, ficas abandonada numa espiral de congeminações.
Estarei a observar-Te? Estarei a tocar-me? Estarei a ler um livro, a degustar um bom vinho e a ignorar-Te completamente? Ou estarei a acenar o meu cinto à Tua ilharga?
Até que surge de rompante o almejado primeiro toque. Dedos severos. Que Te esventram. Uma investida selvagem. Funda. Profunda. Alada. Vezes sem conta. Uma violenta tormenta de sensações que Te fazem estremecer as fundações.
E então, da mesma forma inesperada pela qual irrompeu o primeiro toque… nada!... o quarto queda silencioso. Desamparada numa ilha de suspiros escorridos, batimentos cardíacos dilacerados e ferroadas subjugadoras.
Tudo queima… um desavergonhado lembrete que estás ali para ser usada. E nesse fosso… apercebes-Te de um pedestal… e um conflito assoma. Forma-se uma vaga de pânico. Inspiras. Expiras. A decisão, por agora, não é Tua. Relaxa. Não tens responsabilidade neste momento.
E embrulhada nesse pensamento, restituis a calma.
Ao Teu corpo. À Tua mente.
Em convergência com o ambiente do quarto.
Apenas o gotejar pulsado entre as Tuas coxas deturpa a bonança vigente.
Resta-Te aguardar pelo próximo toque.
Paciente. Encarecida. Agradecida.

Everybody's Got a Thing


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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Ponto Libra



Desejo uma vida selvagem
Dentro de Ti…
Repleta de explorações
Cruzadas
Ascensão de Impérios
E fragrâncias da minha Pele
Propiciando nas Tuas campas
Uma Ressurreição orvalhada.

Everybody's Got a Thing


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Outono



Tudo morre
À nossa volta
Mas Tu, continuas firme
E eu, continuo hirto.
Perante a inveja das folhas
Provas o desejo
De ser tratada como o Tempo…
Considerada…
Não corrigida, nem evitada, nem controlada
Apenas… considerada
E provada
Por alguém
Que não se importa de ficar molhado.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Outubro… Ou Te Abro…



Queria silêncio
Como alguém
Que clama por oxigénio
Enquanto se afoga.
Ergueste-Te sobre mim
Cravaste os Teus joelhos nos meus ombros
E sepultasTe-me
No oxigénio desse silêncio.

E por toda a minha Existência
Não escutei mais nada
Além dos Teus lábios
Cobrindo-me
Folha a Folha
Pela árvore do meu Tesão abaixo
No Silêncio de um Amor
Imemorial

Balzaquiano.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


quinta-feira, 1 de outubro de 2015