sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Migração de Penas



Amo o Outono, e Tu
Evocas-me folhas carmesins
E a forma como o vento frio nocturno
Sopra na minha janela
Com mordidelas e beijos que beliscam
Nesta pele e nestes lábios carentes
De Ti.
Amo tudo no Outono, e Tu
Lembras-me de Tudo, os fogos
Dos magustos, as vindimas,
A fragrância inebriante da chuva na terra,
O sabor dos derradeiros pêssegos
E o som da migração de penas
Que voam para longe.
Amo o Outono, e Tu
Envergando meias acima dos joelhos, e eu
Puxando-as por essas pernas estivais acima
Até deter as minhas mãos amenas
No reservatório de sensações dessas ancas
Escutando entre Zimbros, os últimos suspiros das Perpétuas
No fôlego dourado desses cabelos de folhas de diospireiro.
Amo o Outono, e amo-Te a Ti…
SobreTUdo… a Ti!

Sem Meias Medidas


Foodie… do


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Leito em Que me Deito



Há luas
Onde não me aproximo
Do seu umbral
Julgando que precisa
De ser preenchida.
Ela tem demasiados ciclos de nutrição
Que afastam qualquer perigo de privação.
Ela transborda.
Beijos casuais
E toques inocentes
São abordagens bacocas
E triviais.
Ela é uma barragem cheia
Perigosamente repleta.

Há luas
Em que precisa de Alguém
Para partir pedra…
Que saiba desmoronar décadas
De obstáculos, fantasias e sonhos
Recalcados.
Precisa de Alguém
Que saiba sobreviver
A uma inundação, Alguém
Que não fuja humidamente
Mas que nade humildemente
E alegremente
No seu Leito.

Eu... Teu...


Everybody's Got a Thing


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Disco de Acreção



Não quero ser uma Estrela
Na escuridão do Teu Céu…
Prefiro uma Mulher
Que me engula por inteiro.
Aqui está o resto da minha vida
Espreguiçada sete palmos acima
Dos meus lençóis.
Onde o Teu sorriso soa
A anjos que fodem numa nuvem
E a Tua fragrância
Me ilumina como a luz da aurora
Após uma noite cerrada
Sem estrelas.
E quando me beijas
O Sol revolve num suspiro
Que incendeia os Céus.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Infusão da Paixão



Ela é uma chávena de porcelana
Com fissuras tão ténues
Quanto veias
Que reforçam na sua textura
A complexidade do seu carácter.

Ela é uma mescla de flores, ervas, e especiarias
Água quente e gengibre cristalizado
Mel de rosmaninho
E vidrado de limão.

Cada trago
Que trago dEla
Representa a degustação
De um universo incomensurável
Que se espreme
Para encaixar no espaço exíguo
Entre o meu peito.

Everybody's Got a Thing


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Fulgurante Mente Feminina



Derramo palavras por Ti abaixo, numa chuva torrencial de napalm que Te deixa desabrigada. A Tua mente dispara para o ar com pólvora seca, numa tentativa desesperada de retaliação. Vacilas com a debilidade do Teu contra-ataque e tentas bater em retirada, mas estás encostada à parede… e não tenho pretensões de cessar-fogo. Uma saraivada de palavras continua a ser desferida até rachar fendas no Teu casco, provocando o Teu naufrágio. São palavras esbravejadas pela Tua rua abaixo, arremessando pedestres para a direita e para a esquerda, até chegar à Tua porta. São palavras numa calda ardente, que Te derretem com o hálito do seu fervor. A poça no Teu chão não se formou devido ao gelo que Te pudesse revestir. Nada disso! Trata-se de todo o ferro e de todo o aço que Te moldavam… metal fundido que poderia ser vertido num molde com um formato que achasse ajustado ao momento. Cada palavra é uma martelada investida na lâmina escaldante. Formando, moldando, guiando. Cada palavra é um mergulho dessa lâmina escarlate na água… um sibilo que traduz um gemido ardente. Até que finalmente assomas… Alguém que Te permitiste tornar… ainda fumegante… fulgurantemente Feminina! Na ressalva de um vocabulário revisitado com uma rajada dissoluta. Exausta. Com a mente ziguezagueando na névoa de uma humidade trópica. Contudo, estamos longe de acabar. Sou ébrio em poder… e para meu gáudio, assintes soçobrar nele.

Everybody's Got a Thing


Foodie… do


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Setembro no Meu Colo



Setembro
Rasteja de joelhos
Com meias suspensas
Numa fragrância de pêssegos
E figos
Até se aninhar numa Casa
Que já suspira pela lareira acesa
Com a palma de uma mão cálida.

Sem Meias Medidas


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

De Amante



Não faço reparações ao domicílio. Não sou daqueles que vê uma rapariga riscada e quebrada, iludindo-se na crença de que basta um pouco de carinho e atenção para conseguir torná-la perfeita. Esse tipo de idealismo é para idiotas optimistas. Nada disso, a transformação terá sempre de provir do seu âmago. Quando olho para uma rapariga, não vejo o que ela poderia ser, mas o que ela é. Grande parte daquilo que representa encontra-se soterrado sob o lixo da vida moderna, com todas as inseguranças e ansiedades que deveriam ser irrelevantes, mas arranjaram forma de se aglutinar às suas paredes como se fossem humidade a corroer lentamente os seus alicerces. Aquilo que me estimula é a centelha… a preciosidade alojada no Teu cerne, que cintila com uma promessa. O género de pedra preciosa que precisa de ser polida… e felizmente para Ti, tenho o tecido indicado para tal. Não busco por um sorriso que ilumine a escuridão, mas por um sorriso que acrescente cor num compartimento cinéreo. A pista de algo bem mais interessante, que paira no meu olhar periférico com maior dose de curiosidade do que excitação. Contudo, a curiosidade invoca a excitação… se receber combustível suficiente para a ignição. E a minha mente está repleta de carburante. Fica aí quietinha, exactamente como és… e deixa-me ir buscar a minha camurça. Permite-me eliminar a sujidade superficial, para revelar aquilo que precisa de ser revelado. Há uma natureza sombria em Ti, e é justamente isso que desejo trazer para a luz da minha presença. Pára de Te encobrir com os farrapos da banalidade mundana e abraça a Tua essência. Projecta-a sobre mim. Quero ser o Teu descobridor. Pois sou justamente isso. O Avaliador. O Gemólogo. O Ourives. Aquele que irá descobrir o Diamante no cerne da Tua rudeza… provando-Te que além de Preciosa, jamais Te conseguirão riscar.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Feitiço contra a Feiticeira



Puxas as minhas vestes
Com a destreza e a rapidez
De um mágico com uma toalha de mesa
E com mãos ligeiras
Atordoas-me com a ilusão.
Quedo-me no mesmo sítio
Imóvel, até que me apercebo
Sem traje, e encaro a verdade de tudo aquilo…
Sou o Lugar, a mesa
Onde Te banqueteias
Sem truques na manga…
E da mesma forma
Que um lírio desdobra toda a sua doçura
Deslizando no seio de um lago
Desdobras-me para Ti
E deslizo no seio da Tua boca
Até me perder...
Em Ti.

Everybody's Got a Thing


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Mão Dissoluta



Estás debruçada
No meu colo
E uma das minhas mãos
Teve tantas saudades Tuas
Que Te revela
Desregradamente
Tudo
Aquilo que sonhou
E desejou
Fazer conTigo.
Felizmente
O dia é longo
E Tu és abundante.
És uma oferenda
Que não pretendo desperdiçar.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


terça-feira, 5 de setembro de 2017

estrEla



Conheces aquela frase batida
Sobre amantes distantes
Que olham para a mesma lua?
Claro que é a mesma Lua!
Este planeta só tem uma!
Quando olho para os céus
E penso em Ti
Cogito se as estrelas Te serão estranhas…
Ou se reconheceria o Teu firmamento.
Dizem, que dos biliões de estrelas
Apenas conseguimos avistar uma fracção
Que nem chega a uma dezena de milhar.
Quais serão aquelas que consegues descortinar?
Será que ainda Te recordas do nome
De todas as constelações
Que os meus lábios desenharam
Na Tua Pele?

Eu... Teu...


Everybody's Got a Thing


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

exCITAÇÕES



(…)

I miss you now, what's come over me?
We're hostages of geography
The wait is long and heavy too
Despite what you're accustomed to
I know that life moves on, that's what scares me so
Have no intentions of letting go
Only us, no one in the world
Only us, no one in the world

I better do something, move earth and sky
And patiently, sweetly, with all of my might
I sing only for you
To the beat of my footsteps in the night

Close your eyes and dream me home
Forever mine, I'll be forever yours
Always, evermore, and on and on
Always, evermore, and on and on
Always, evermore, and on and on
Always, evermore

There's no magic bullet, no cure for pain
What's done is done until you do it again
Life in pursuit of a nameless prey
I've been so close, I'm so far away
It's so hard to explain, so easy to feel
I need you now, nothing is real
Save me from the villains of circumstance
Before I lose my place

Close your eyes and dream me home
Forever mine, I'll be forever yours
I'll be forever yours
I'll be forever yours
Always, evermore, and on and on
Always, evermore, and on and on
Always, evermore, and on and on
Always, evermore

(…)


Sem Meias Medidas


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Su di Noi



Não é a dor que sintoniza o meu nível de excitação. Não é o rubor que o meu assalto provoca na lisura da Tua pele. Não é o vislumbre da protuberância do Teu mamilo entre os meus dedos, quando o belisco e torço, contemplando como tentas recuar ao mesmo tempo que emproas o peito, envaidecida e ensandecida. A componente física acende, mas não me transcende, nem alicerça o meu tesão. É a Tua reacção. Os gemidos choramingados. Os soluços entrecortados. Os sobressaltos e os arquejos. As várias etapas de maquilhagem esborratada. É toda a pequena parte de Ti que faz toda a pequena parte de mim ressoar. É saber que o Teu cérebro labuta tão empenhadamente quanto o meu… só que Te encontras na outra ponta… da acção. Sendo que nos encontramos a meio caminho, onde a palma da minha mão encontra o Teu rabo empinado… e nessa salva tornamo-nos singulares no propósito. O Teu desejo encontra o meu ensejo. Numa viagem, em que a mente será sempre o meu veículo de excitação… até chegar ao destino do Teu olhar enevoado em luxúria.

Everybody's Got a Thing


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Poliaquénio



E aquele Verão
Em que me enamorei
Por uma Amoreira?
Uma, que se eriçava
Para ser tocada…
Sem aludir aos espinhos.
E eu, de mão ligeira
Afoita e certeira
Demasiado orgulhoso
Para reconhecer arranhões
Na colheita
Daquele fruto delicioso
Quedei-me em sonhos
SubseQuentes
De sumo a escorrer
Voluptuoso
Pelo meu queixo.

Sem Meias Medidas


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Cannonau



Vinho Cannonau
E beijos. Ontem.
Acordo conTigo
Na minha língua
De vermelho escurecido
E encorpado
Sedimentada nas minhas papilas gustativas.
Mas não é vinho que saboreio…
Pelo menos
Apenas.
O néctar encaminha-me
Para a memória
De Ti sobre as minhas mãos
E sob a minha boca
Tingindo-me com a Tua fragrância…
Tão profundamente que Te trago
Durante todo o dia
Pestanejada na lembrança
De águas azuis turquesa.
Vinho Cannonau
E beijos. Um bouquet,
De Ti!

Everybody's Got a Thing


Foodie… do


terça-feira, 29 de agosto de 2017

As Feições de um Prisma Gramatical



Quando há demasiadas palavras para se dizer
Pergunto-me
Se o silêncio comporta toda uma gramática…
Como a luz branca encarcera todas as cores…
Pergunto-me
Se o Teu corpo é um prisma
Que me permite separar
Cerúleo de Índigo; «Amo-Te» de «Obrigado»…
Carmim de Borgonha; «Tenho saudades Tuas» de
«Deita-Te aqui e deixa-me fuzilar-Te com um pelotão de beijos».

Sem Meias Medidas


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Nunca sejas a Puta de um icebergue!



É uma metáfora esgotada, até decrépita, mas não deixa de ser esparramada em múltiplas conversas da treta:

«Somos icebergues… apenas revelamos cerca de 10% daquilo que somos.»

Dez?! Quanto muito cinto. Dois, vá. Um… milésimo, por vezes.
Tudo se deve à tua desconfiança no mundo. E tens muito boas razões para a justificar. Traiu-te no passado, e trair-te-á novamente, pois é um lugar completamente fodido. E há tanto de ti que não desejas ver traído, tanto de ti que guardas em silêncio velando pela transcendência da sua beleza, tanto de ti que não desejas ver proferido e ridicularizado na praça pública… pois conspurcaria a magia que urde essa tapeçaria existencial. Escondes-te do mundo, quando na realidade gostarias de te revelar em apoteose. Desejas ser aceite, e através da aceitação, amada. Todavia, essa desconfiança transforma qualquer conversa num exercício de roleta russa, apontando a arma aos amigos, aos teus amados, aos teus familiares, puxando o gatilho no tipo de informação supra-pessoal que ocultas… e confirmando se a bala destrói a relação. Algumas vezes tens sorte. Talvez a maioria das vezes. Mas sabes que mais? Que se foda! Tu não és a porra de um icebergue! Nem o deverias ser. Sê um avião que espreita entre as nuvens. Sê uma lula que domina as profundezas. Sê toda a puta de metáfora que desejares ser. Menos uma merda de um icebergue.
Até porque vivemos numa era em que os icebergues não sobrevivem durante muito tempo.