sexta-feira, 30 de junho de 2017

Quanto Tempo Demora até Chegar o Agora?



Afronta o meu Tempo.
Desafia as minhas expectativas.
Gosto de mulheres que se cobrem quando se desnudam. Um braço ao longo do peito, outro espalmando as pontas dos dedos entre as suas pernas, cada qual representando um ponto de contenção com o qual posso argumentar eloquentemente. Gosto de trabalhar, e gosto de merecer aquilo pelo qual trabalhei. Portanto, não me entregues nada de bandeja. Compele-me a formar uma ordem. Força-me a forçar-Te. Mostra-me que és digna do meu domínio e granjearei a Tua submissão. Porque qualquer coisa dada de barato, jamais nos fará apreciar o valor a pagar pelo bilhete. Preciso desse momento de êxtase, que paira antes do ímpeto de Te confiscar a mente e derrubar aos meus pés. Preciso do suspiro que escapa dos Teus lábios, como quando me deito em lençóis frescos no final de um longo dia estival. Preciso daquele sorriso que nem sabia deter, quando entras no meu campo de visão. E Tu sabes ser A única que me faz envergá-lo. Preciso igualmente de desafiar as Tuas expectativas, sentando-me ao Teu lado com o cabelo a ficar grisalho, mas ainda assim a evocar o vislumbre do rapaz pelo qual Te enamoraste perdidamente há anos.

Everybody's Got a Thing


Wanderlust


quinta-feira, 29 de junho de 2017

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Dou-Te a Minha Palavra



Depois de Tudo e do Todo
Ela perguntou-me
Se me recordava daquilo que lhe proferia
Durante a fogosidade carnal
Ou se as minhas palavras
Apenas endureciam como o meu corpo
Fora de controlo.

Afaguei os seus cabelos
Com os meus dedos, e
Arranhei suavemente as suas costas.
«Lembro-me de Tudo!
Daquilo que Te digo
Da cada alternância na Tua respiração
De como Te esfregas contra mim…
Lembro-me de Tudo…
Como um Todo!»

Lembrei-lhe ainda
Quando lhe confessei
Como sentia a sua fragrância
Pelo meu dia de trabalho
Como se estivesse debruçada
Na minha secretária…
(Re)Lembrando-lhe,
Como registo a forma
Como escurecem os seus olhos
Enquanto jorro cada palavra.

Everybody's Got a Thing


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Encomiástico



Talvez haja mesmo um Deus
Que me tenha criado
Com mãos que Te desejam.
Talvez tenha sido Deus
A esculpir a forma das Tuas ancas
Para encaixar na curva das minhas mãos
A cravar o peso das Tuas mamas
Na palma das minhas mãos.
Talvez tenha sido Deus
A separar os meus lábios
Para cobiçar os Teus.
E se não fores crente,
Porque me adulas de joelhos?
Talvez seja o somatório
De todas as partículas de Ti
Que elevam Deus em mim
E geram a minha necessidade
De louvar o Teu Criador.

Sem Meias Medidas


Wanderlust


terça-feira, 20 de junho de 2017

A-MarÉ…



O meu primeiro Amor foi o Mar.
Fascinavam-me os rugidos das ondas a esbarrar na costa, enquanto enterrava os meus pequenos pés na areia… as conchas andrajosas e despedaçadas… os sussurros milenares dos búzios… o poder de atracção das correntes enquanto chapinhava na água… as histórias de Sereias e Conquistadores... e Ninfas!

Talvez seja por isso que Te vislumbro nas marés, subindo e descendo de forma epopeica a cada palavra. Esbarrando contra mim com a força que esse corpo Te permite. Gerando um remoinho no meu âmago. Talvez seja por vislumbrar um oceano nos Teus olhos… vasto e amplo… com sombras de verde e azul que me invocam num transe… fazendo-me soçobrar dentro de Ti.

O meu primeiro Amor foi o Mar.
O meu segundo Amor foste Tu.
Ou então, espera… talvez o Mar sejas Tu.

Everybody's Got a Thing


sexta-feira, 9 de junho de 2017

No Melhor Pano se Clama a Nódoa



Há dias em que admito aparentar que possuo o hábito de A tratar com o desprendimento de um alfaiate… como se Ela fosse um mero tecido que merece vistoria, emenda e disposição no seu devido lugar. Pego nEla, volto-A, com as mãos calejadas de um artesão numa tangente à sua pele delicada, mapeando todos os recantos que a fazem morder o lábio. Não falo. O meu rosto está imerso em concentração. No foco do trabalho manual que tem de ser feito. Direito.

Conhecia todos os seus pontos. Havia-os cartografado há meses. E Ela adora ser tratada assim. Manipulada… literalmente. Ela espernearia, por vezes, mas uma célere palmada era o suficiente para devolvê-la à quietude. Iria inspecioná-la, trabalhá-la… e Ela deixar-me-ia fazê-lo em (desa)sossego. Resistir seria algo inútil, fútil, aliás, seria traição! Derrotaria o propósito de Tudo. O meu Propósito. E Ela nunca desejou os louros desse tipo de triunfo.

«Sinto-Te diferente…», murmurei, confuso em encontrar uma mancha na minha trama preferida. Um ligeiro hematoma, na lateral exterior da sua coxa direita.

«Bati com a perna…», arqueando as sobrancelhas enquanto se tentava recordar, «… na esquina da mesa de jantar!»

Arqueei também as minhas sobrancelhas, fitando-A. Usei o meu dedo indicador para traçar um círculo nas margens daquela nódoa negra, aplicando um pouco de pressão. Ela estremeceu.
As suas pisaduras eram-me familiares. Mas algo não infligido por mim era uma surpresa, uma estranheza indesejável, algo sobre o qual não tinha qualquer controlo. A minha confusão era quase preocupante. Mas foi então que decidi ir um pouco mais além… desabando ferozmente a palma da minha mão naquele alvo. Ela gritou, gemeu e contorceu-se em afastamento, mas dei-lhe o bálsamo perverso do meu sorriso e prontamente lhe afaguei a coxa com toda a minha ternura… sussurrando-lhe:

«Agora é minha!»

Wanderlust



Vou Bali gozar a primeira semana de investida estival do ano e já venho…

Sem Meias Medidas


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Candeeiro dos Cárpatos



Ela tem o coração semelhante a um ramo de flores selvagens
Na mão de uma Menina…
É atabalhoado, mas bem intencionado…
Arrastará terra pela minha sala de estar imaculada
E acabará em pedaços na minha mesa de jantar.
Estou a dizer-vos!…
Esta Rapariga está tão sazonada
Como o vento de uma noite de Julho…
Consigo farejá-la a chegar…
Deixar-me-á suado e colado aos lençóis.
Fechem os olhos e imaginem cubos de gelo
E flores campânulas esmiuçadas.
Os dias ainda não estão frequentemente quentes
Mas quando Te penso
Sinto um gosto agridoce na língua
E mal posso esperar
Por esses joelhos
A manchar de verde a minha relva.

Everybody's Got a Thing


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Pedagogia para uma Versão Feminina de Ícaro



Sê um caos, mas ostenta um foco no centro do teu tornado. Sê a rapariga que está em todo o lado, mas chega sempre a casa em segurança. Voa numa aventura, mas chega ao teu destino. Podes tentar atiçar-me, mas não sejas estúpida ao ponto de cair na minha teia. Porque não é esse o teu desejo. Acredita! A ideia excita-te, eu sei, mas não estás preparada. És uma menina tonta, cheia de ideias tontas e arruinar-te-ia para o resto das pessoas. Retorcer-te-ia, esmagar-te-ia e derreter-te-ia todas as partes, vertendo-te por fim no meu molde. Transformar-te-ia num brinquedo perfeito, mas a definição de perfeito pode ser subjectiva. Cada cabeça, sua sentença. E a minha, é tremendamente diferente da maioria.

Iria possuir-te na palma da minha mão, literalmente. Por isso, não sejas o caos que macula a minha indumentária e que me obriga a enxaguá-la ferozmente até ficar imaculadamente apresentável. Voa perto do sol, mas não deixes que derreta as tuas asas. Não sou Dédalo e jamais serei o teu “paizinho”. Arruinar-te-ia para o próximo homem, e para o próximo, e para o próximo. Seria tudo o que há e tudo o que haveria. Por isso, vai andando menina. Considera-te prevenida. Brinca com o perigo, mas jamais o deixes consumir-te.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


segunda-feira, 5 de junho de 2017

dáDiva



… e foi então que A testemunhei… descontrolada sob controlo… vulnerável, desabrigada… vi a Mulher que se encontrava anteriormente abrigada numa fachada de vergonha e culpa.
Nunca foi e, nunca será mais Bela do que naquele Momento.
Guardei, admirei e honrei aquela dádiva.

Sem Meias Medidas


Wanderlust


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Corpuscular



Newton não foi o primeiro a observar o truque do prisma. Essa observação já havia sido feita bem antes de ter nascido. Um truque de Luz que era refractada e estilhaçada, projectando um arco-íris ao longo do quarto numa celebração de cor. Todavia, antes de Newton, a opinião pública atribuía a culpa ao prisma… a alguma impureza no vidro que causava a deformação da Luz inicial, imaculadamente branca… conspurcando a sua pureza alva. Foi apenas quando ele decidiu usar outro prisma numa das cores que o prisma inicial repartia, que se entendeu como a Luz não era manchada pelo prisma, mas libertada. Todas as cores já se encontravam presentes no feixe inicial, mas estavam ocultas a olho nu.

Tu, és Pura. És Imaculada. Tens a Alvura em Ti. És Luminosa, também, mas ainda não Te deixarei aperceber totalmente disso. Em vez disso, irei refractar-Te, decompor-Te em todas as Tuas cores, e deixar o mundo contemplar-Te. Ou então, apenas as paredes do quarto. Pois foi exactamente assim que Newton actuou… cerrando as cortinas e permitindo que o quarto apenas fosse espreitado por um exíguo raio de Luz… para sua própria contemplação.
Ele, era um génio. Eu, estou longe disso. Contento-me bastante mais em ser a Ferramenta na experiência, se Te contentares bastante mais em ser o Foco.

Everybody's Got a Thing


Foodie… do


quinta-feira, 1 de junho de 2017

enreDada



A melhor resposta
Que Te poderia dar
Quando me perguntas
Quantas vezes
CruzasTe o meu pensamento
Desde que Te conheci,
Seria «Apenas uma!»…

Mas será que compreenderias
Como desde o primeiro dia
Nunca chegasTe a sair do meu pensamento?

Sem Meias Medidas