quinta-feira, 20 de julho de 2017

Escrevo-Te um Beijo



Os céus batalham
Com lençóis de orvalho
E escoam nuvens
Que expiram em uníssono:
Lava o pólen das tuas mãos!
A brisa copula com a noite
Que por sua vez destila
Fluídos lustrosos
Entre as suas coxas.
Dou uma trinca
Em luas regadas de mel
E a ferida sara
Instantaneamente.
Os céus despem-se…
Mostram um corpo sardento
De constelações ardentes.
Por fim, um corvo assoma
Num voo rasante
Com asas embaladas em fumo…
E observo como se afasta
Com um suspiro entrecortado
De Libido.

Wanderlust


Everybody's Got a Thing


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Corbã



A palavra escapa-me
Mas é a forma como dormes…
A disposição das Tuas pernas…
De costas voltadas
E um dos joelhos erguidos…
A palavra escapa-me
Mas o Teu corpo não
Há algo nessa posição
A forma… como Te expõe…
A forma… como Te e(n)leva…
E dispõe…
Mesmo no Teu sono
Às minhas mãos
À minha boca
E quando despertas
À vontade que me ofertas.

Wanderlust



... falta uma semana...

Sem Meias Medidas


terça-feira, 18 de julho de 2017

exCITAÇÕES



(…)

naquela noite em Janeiro
andava louco para te conhecer
não esperava que me desses um beijo
e o tempo todo que ele me pôs a tremer
andámos pela chuva a cair
pelo cheiro da roupa a revelar
e a ver o castelo
tantos beijos nervosos a convidar-me subir tua escada
sem saber do calor
que é flutuar de mão dada
enlaçado com o meu amor
amor que me traz
carinhos que me deixam em flor
suspiros de paz do meu amor

(…)


Wanderlust


Everybody's Got a Thing


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Diluído pelo Dilúculo



Desperto
De olhos entreabertos
E antes de banhar os cinco sentidos
Pela alvorada
Ela investe sobre a minha
Concentração
Dos pés à cabeça
Latejante
Enquanto me regala
E arregala
A visão
De olhos travessos
Num corpo bronzeado
Em canícula
De cabelos perfumados
Em resquícios do luar
De uma voz que sussurra
Encantamentos de serpente
E de lábios melados
Que se despem
Em longos beijos.

«Bom dia!»,
Diz o meu... suspiro.

Wanderlust


Sem Meias Medidas


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Nós de Terminação



A primeira vez que fodemos tinha de ser obscena, indecente, suja.
Precisava de sentir a Tua pele colada na minha, com a urgência de uma vítima de assalto agarrando-se ao que lhe restava no seu stress pós-traumático. Precisava que o suor fosse uma membrana natural entre nós, escorregadia, que nos torcia e contorcia um contra o outro… um pouco de lubrificação, antes de Te besuntar nos Teus próprios sucos. Precisava de passar os meus dedos pelos Teus cabelos até senti-los emaranhados, observando o Teu rosto retrair enquanto não retraía o movimento, desbravando caminhos para Te manipular a postura.

Na segunda vez que fodemos tinha de ser imaculada, decorosa, limpa.
Precisava de cheirar aromas forasteiros em Ti, e de encontrar aquele que forma a base de todos os outros. Precisava de provar-Te crua, sem o travo salgado da exortação a toldar o sabor primordial. Precisava do Teu cabelo sedoso, deslizando sensorialmente entre os meus dedos, enquanto tentava firmá-lo.

Preciso-Te baralhada, enquanto baralho e volto a dar(Te).
Aturdida. Fundida. Confundida.
E devidamente fodida.
Sem saber onde um de Nós (de)termina e o outro (re)começa.

Wanderlust


Foodie… do


Everybody's Got a Thing


quinta-feira, 13 de julho de 2017

A.C.



Há pessoas que apesar de pequenas e concentradas, transmitem uma sensação adamastoriana diante qualquer porta. Há algo na forma como carregam a sua personalidade, o seu sorriso, a sua postura… como se fossem uma montanha que tenta forçar a entrada numa livraria. Ela é uma dessas. Todo o seu tamanho é transportado pelo seu olhar… um monumento que se espreme para encaixar no espaço exíguo entre o meu peito.

Wanderlust


Sem Meias Medidas


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Solar das Promessas



Vem
Pôr-do-Sol
E atenta como emergem
Os pirilampos.
Há esperança
No momento em que o Sol
Se debruça no horizonte
Demasiado cansado
Para se manter nos céus…
Uma promessa
De um amanhã
Revigorante
E arrebatadoramente
Luminoso
Para ser escoltado
Entre duas mãos.

Wanderlust


Everybody's Got a Thing


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Há Lobo no Cais



Olho para a Lua
Cheia
E penso na Tua garganta…
Quando engoles…
Daquele movimento animalesco
Sob a Tua pele
Sob a minha boca. Alguns predadores
São atraídos pelo movimento,
Pelo latejar de algo quente
Sob as suas presas. Algumas pessoas
Julgam que os lobos
Uivam para a lua… mas equivocam-se.
O Lobo uiva
Pela noite
Para se revelar!

Foodie… do


Sem Meias Medidas


terça-feira, 4 de julho de 2017

A Morada Púrpura



Era-lhe difícil… falar dela própria. Nunca soube porquê. Mas um dia, deitados, desnudos, no escuro, ainda alagados em Amor, disse-me que o seu pai lhe costumava chamar “Amora”… “a minha pequena Amora”. Era uma alcunha que usou com ela até morrer… e ela nunca se lembrou de lhe perguntar porquê. Ela apenas… o aceitou.

Colhi-a nos meus braços… sorvi o seu beijo… e senti o meu rosto e as minhas mãos purpurearem com a noite que habitava nela.

Everybody's Got a Thing