sexta-feira, 14 de julho de 2017

Nós de Terminação



A primeira vez que fodemos tinha de ser obscena, indecente, suja.
Precisava de sentir a Tua pele colada na minha, com a urgência de uma vítima de assalto agarrando-se ao que lhe restava no seu stress pós-traumático. Precisava que o suor fosse uma membrana natural entre nós, escorregadia, que nos torcia e contorcia um contra o outro… um pouco de lubrificação, antes de Te besuntar nos Teus próprios sucos. Precisava de passar os meus dedos pelos Teus cabelos até senti-los emaranhados, observando o Teu rosto retrair enquanto não retraía o movimento, desbravando caminhos para Te manipular a postura.

Na segunda vez que fodemos tinha de ser imaculada, decorosa, limpa.
Precisava de cheirar aromas forasteiros em Ti, e de encontrar aquele que forma a base de todos os outros. Precisava de provar-Te crua, sem o travo salgado da exortação a toldar o sabor primordial. Precisava do Teu cabelo sedoso, deslizando sensorialmente entre os meus dedos, enquanto tentava firmá-lo.

Preciso-Te baralhada, enquanto baralho e volto a dar(Te).
Aturdida. Fundida. Confundida.
E devidamente fodida.
Sem saber onde um de Nós (de)termina e o outro (re)começa.

Sem comentários:

Enviar um comentário