quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Paradoxo do Hedonismo



Não creio que algum de nós se lembre propriamente como começou, mas habituei-Te desde cedo à sensação dos meus dedos no Teu pescoço, uma garra de poder que Te transmite duas certezas: sim, podia acabar conTigo… e não, jamais o faria.

Se me perguntasses porque o faço, provavelmente pausaria, franzindo o sobrolho. Nesses momentos a minha articulação é outra, e certamente já Te habituaste a escutar mais depressa as minhas acções, quando a rotação da excursão já ultrapassa a linha vermelha de aviso. A realidade encontra-se na minha mente. Poder-Te-ia responder, se o desejasse. O problema reside no facto da verdade me inquietar, tornando-me vulnerável e menos forte do que aquilo que desejo ser para Ti. Os dedos à volta do Teu pescoço relembram-me da Tua fragilidade, e como seria fácil algo ocorrer, privando-me da Tua presença. A Tua vulnerabilidade, pressionada pelos meus dedos na delicadeza da Tua traqueia, relembram-me que ainda estás aqui, comigo, e que ainda posso desfrutar-Te. Amar-Te. Um post-it na ponta dos meus dedos, ordenando-me que saboreie Tudo, porque a vida é efémera e muitas vezes cabe e acaba na palma da mão. Quando aperto o cerco e Te observo perto daquele precipício, a excitação apodera-se de ambos. Todavia, o prisma da exaltação é distinto entre Nós. Enquanto Tu implodes na sobrecarga de poder, submetendo a existência à redenção da petite mort… eu, sublevo-me na confrontação dos meus medos, principalmente, aquele de Te perder.

20 comentários:

  1. Fiquei sem fôlego... :)))

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    1. Cuidado com esse sintoma... habitualmente, é sinal de má forma física ;)

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    2. Engraçadinho :P
      Nesse campo estou fit para qualquer maratona ;)))

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    3. Acho bem :)
      Mente sã, em corpo são.

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  2. Ainda agora aqui cheguei e já vais dar de frosques? ☺️
    O que vale é ter por aqui bastantes palavras tuas para colocar em dia. É indescritível a forma como expressas articuladamente momentos carnais com momentos de amor em estado puro. Suspira-se mesmo muito, por aqui.

    Um beijo de boas férias.
    Goza muito, menino lindo *

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    1. Obrigado pela simpatia, Alexandra. Mas diga-se de passagem que é exagerada ;)

      Beijos

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    2. Adoro certos exageros, mas não os uso para te descrever 😚

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  3. Olha, olha, quem ela é! Tu sabes que eu tenho um "crush" por esta mulher :))))
    Boas férias, Eros, não faças nada que eu não fizesse ;)))))

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    1. Só um cego não tem um crush pela Emily... isto se não lhe puder tocar, pois se tiver essa permissão até o braille serve como elemento condutor de sedução... ;)

      A inveja é um Pecado Mortal feio para se escolher. A Luxúria e a Gula são pecados bem mais proveitosos... :P

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    2. Ui... e tudo se tornaria claro como a água aos olhos, e não só, de um ceguinho :))))
      Inveja não é um mal que me assista, sou feliz com o que tenho, agora na Luxúria e na Gula, dá-lhe com a Alma e com o que mais te aprouver ;)))))
      Beijo grande ;)))))

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    3. Linda Menina!
      Perspicaz e danada pelos pecados que valem a pena... quando a alma (e a gana) não é pequena :)

      Beijos

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  4. Uau! ;)
    A angústia que o medo da perda é capaz de provocar, talvez nos faça viver mais intensamente cada minuto.

    Beijos, Eros!

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    1. Carpe diem... ;)
      Sem intensidade, não encontro propósito para respirar.

      Beijos, Helena!

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  5. Não conhecia o teu blog, e deixa-me que te diga que escreves muito bem!
    Esse medo, na medida certa, pode ser a melhor coisa do mundo.
    É bom ler tanta atracção e amor, que continue assim

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    1. Bem-vinda Inês!

      Muito obrigado pelo carinho das tuas palavras e por tomares consciência das entrelinhas que grafo por aqui.

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  6. Lembrei-me disto: https://youtu.be/yVSkElSoRZY

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    1. Há dois anos... Primavera Sound... estava lá... e estiveste tão certeira, agora... :)

      Beijos, Vanessa!

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